História Mundial: Primeira Revolução Industrial, Revoluções liberais e Nacionalismos

A hegemonia britânica em um mundo conservador (1776-1848)

Revolução Industrial: termo cunhado por Engels

A expressão Revolução Industrial foi cunhada por Engels, e utilizada a partir de 1845, para designar o ‘conjunto de transformações técnicas e econômicas que caracterizam a substituição da energia física pela energia mecânica, da ferramenta pela máquina no processo de produção capitalista.

Fórmula sintética da Revolução Industrial para Edward Burns, em História da Civilização Ocidental, vol. II, capítulo 23.

(…) a Revolução Comercial não foi mais que o ponto de partida de rápidas e decisivas mudanças no campo econômico. Não tardou a seguir-se-lhe uma Revolução Industrial, que não só ampliou ainda mais a esfera dos grandes empreendimentos comerciais mas ainda se estendeu aos domínios de produção. Tanto quanto é possível reduzi-la a uma fórmula sintética, pode-se dizer que a Revolução Industrial compreendeu: 1. a mecanização da indústria e da agricultura; 2. a aplicação da força motriz à indústria; 3. o desenvolvimento do sistema fabril; 4. um sensacional aceleramento dos transportes e das comunicações; e 5. um considerável acréscimo do controle capitalista sobre quase todos os ramos de atividade econômica.

Revolução Industrial: Pioneirismo inglês

  • Primeira Revolução Industrial: embora já tivesse iniciado em 1760, não adquiriu todo seu ímpeto antes do século XIX;
  • Revolução Liberal-Burguesa: o ponto de partida da liderança britânica foi, justamente, o momento em que, logo após vencer a Guerra dos Sete Anos, o país perde as 13 colônias. Isso demonstra que os colonos triunfaram não sobre a nascente Inglaterra capitalista, mas sobre a declinante Inglaterra mercantilista e senhorial. A Revolução Americana e Francesa contribuíram para a consolidação deste mundo nascente.
  • Precocidade da Revolução Inglesa de 1640: ascensão de uma nova classe: burguesia, cujo poder era legitimado pela acumulação de capital e não mais pela terra e pelos títulos herdados:
    • Burguesia com acesso ao poder político:
      • Origem: Revolução Inglesa (1642-1688)
      • Início do século XVII: Coroa decide aumentar os impostos sobre a burguesia, o que ocasiona um levante contra o rei Charles I, que perde a Guerra Civil. Há, portanto, a ditadura republicana de Oliver Cromwell.
      • Revolução Puritana: Oliver Cromwell
      • Restauração: Charles II -> Jaime II
      • Revolução Gloriosa (1688): revolução sem derramamento de sangue
        • Bill of Rights
          • Parlamento passa a ser mais importante / influenciado pelo burguesia
    • 1694: Inglaterra cria o Banco Central inglês
    • Acumulo de capitais:
      • Tráfico negreiro
      • Corso (corsário)
      • Venda de manufaturas
      • Exploração colonial
      • Tratados desiguais (favoráveis à Inglaterra)
      • Após a assinatura dos Atos de Navegação, a Inglaterra entra em guerra contra a Holanda, em 1651, e sai vencedora
    • Século XVIII – Inglaterra é a senhora dos mares
      • Disponibilidade de matéria-prima
        • 1ª Revolução Industrial: carvão e ferro
      • Disponibilidade de mão de obra
        • Enclosures/cercamentos: expropriação, pela nobreza, de terras comunais, que foram transformadas em latifúndios voltadas para o mercado: mecanização do campo permitiu a venda do excedente para outros países e viabilizou o aumento da disponibilidade de alimentos
        • Exército de reserva (Marx)

Fatores que levaram a Inglaterra a ser o primeiro país a se industrializar

Geopolítico Posição geográfica insular, que a preserva da devastação de guerras;. Inovações técnicas concretizavam o desenvolvimento do capitalismo industrial
Econômico Jazidas de carvão e de ferro;. Supremacia naval que dá plena liberdade comercial à Inglaterra
Político Instauração da Revolução Gloriosa (1688);
Social Preponderância da sociedade sobre o Estado, fundamental para o pensamento liberal tratado nas obras clássicas iluministas de Montesquieu, Voltaire e Rousseau

Consequências

  • Hegemonia econômica britânica no mundo (até 1ª Guerra)
    • Bipolarização social (burguesia x proletariado)
    • Desenvolvimento dos meios de transporte
    • Desenvolvimento do capitalismo e da economia: imigração em massa para as cidades, fato importante para o desenvolvimento da industrialização – proletários seriam mão de obra e consumidores ao mesmo tempo; Além disso:
      • Monopólio da produção industrial -> agricultura comercial;
      • Pirataria: especiarias, produtos tropicais e escravos;
      • Política Externa da Coroa tinha como objetivo o estabelecimento de pontos de apoio em lugares estratégicos no mundo: Cingapura, Ilhas Malvinas, Gibraltar e Hong Kong
      • Reformas protestantes: enriquecer deixa de ser pecado, o que motiva os indivíduos a buscar trabalho e acumular capital
      • Desemprego
      • Capitalismo selvagem (16h de trabalho, intensa exploração)
      • Reações do operariado
        • Ludismo: repressão x processo reversível
        • Cartismo: cartas do povo ao parlamento
        • Unionismo: 1ª versão dos sindicato

Segunda Revolução Industrial

De acordo com Edward Burns, “em aproximadamente 1860 a Revolução Industrial entrou numa nova fase, tão diferente da que a precedera que alguns historiadores propõem chamá-la de Segunda Revolução Industrial. De modo geral, as características que servem para distinguir a Primeira da Segunda Revolução Industrial são: 1. a substituição do ferro pelo aço como material industrial básico; 2. a substituição do vapor pela eletricidade e pelos produtos do petróleo como principais fontes de força motriz; 3. o desenvolvimento da maquinaria automática e de um alto grau de especialização do trabalho; 4. o uso de ligas, de metais leves e dos produtos da química industrial; 5. mudanças radicais nos transportes e nas comunicações; 6. o desenvolvimento de novas formas de organizações capitalista; e 7. a extensão da industrialização à Europa Central e Oriental e mesmo ao Extremo Oriente.”

A urbanização da sociedade ocidental

Ainda segundo Burns, “Um efeito da Revolução Industrial intimamente relacionado com o crescimento demográfico foi a urbanização crescente da sociedade ocidental. Pelas alturas de 1914 as condições artificiais da vida urbana tinham-se tornado uma norma aceita por imensa percentagem de habitantes das nações industrializadas. O ritmo da urbanização foi particularmente impressionante em países como a Alemanha e a Inglaterra.”

Revoluções Liberais

Ponto de vista político

  • Importância da Revolução Francesa (1789)
    • As 3 revoluções
      • Revolta dos Notáveis
      • Revolução dos Advogados
      • Queda da Bastilha
      • Processo de restauração
  • Congresso de Viena (1814-1815): estabelece 04 princípios
    • Legitimidade: resgate dos reis
    • Concerto europeu/compensação: redividir a França
    • Equilíbrio europeu
    • Intervenções: Santa Aliança. O que foi a Santa Aliança? A Santa Aliança foi um acordo envolvendo a cooperação militar das monarquias russa, prussiana e austríaca. O objetivo fundamental era impedir a deflagração de outros movimentos de caráter liberal pela Europa e o combate das lutas de independência estabelecidas no continente americano.
    • Quádrupla Aliança (Santa Aliança + Inglaterra): A Santa Aliança pouco podia fazer além de proclamar a solidariedade entre os soberanos; já a Quádrupla Aliança servia como instrumento eficaz para a contenção francesa.
    • As Revoluções de 1820, 1830 e 1848 são liberais, cuja ideologia se pauta nas ideias iluministas e nacionalistas e que tinham como principal entrave o absolutismo dos imperadores da Santa Aliança.

Revoltas Liberais

  • 1820: ano que proporcionou desafios ao Congresso de Viena, como o poderio britânico e os conflitos políticos de inspiração revolucionária:
    • Porto
      • Pleitos: volta da família real e a recolonização do Brasil
      • 1822: Congresso de Verona
        • A Grã-Bretanha não deveria envolver-se em nenhum acordo ou decisão que lhe comprometesse, direta ou indiretamente. A diplomacia de Canning, que substituiu Castlereagh, visava ao enfraquecimento da Santa Aliança, tendo a Rússia como sua principal rival.
    • Revolução de Cádiz
      • Pleitos: luta contra o absolutismo e contra a intervenção francesa
      • Independência da Grécia (1832)
        • Fragmentação do Império Turco Otomano
          • Bálcãs
          • Império Russo x Inglaterra
  • 1830: iniciando em Paris (queda de Carlos X) e estendendo-se à Bélgica, ao norte da península itálica, aos Estados alemães e à Polônia, constituindo-se como movimentos de forte inspiração liberal e/ou nacionalista, que visavam a independência ou à unificação:
    • Independência da Bélgica: apoio inglês
    • Revolução de Julho (França)
      • Liberalismo (Luís Felipe, rei burguês) x Absolutismo (Carlos X)
      • Os camponeses franceses não aderiram, permitindo rápida implantação de uma nova ordem burguesa (aggiornamento)
  • 1848: além do liberalismo, o movimento democrático se desenvolvera com concepções de igualdade, de soberania do povo, direito da maioria e distribuição mais justa da propriedade.
    • Primavera dos povos: ruptura da revolução democrático-burguesa
      • Itália
      • Alemanha
      • França (Proclamação da República)
        • Cisão do 3º Estado
        • Burguesia (nacionalismo conservador; educação, artes e esportes) x Proletariado (socialismo científico)
        • Em 1851, Luís Bonaparte dá golpe de Estado e auto-proclama-se imperador, Napoleão III.
      • Revolução Praieira

Correntes de pensamento

  • Socialismo utópico: conjunto de críticas aos efeitos do capitalismo, em que propõe sociedades ideais.
    • Saint Simon: propunha uma organização tecnocrática para promover a industrialização de uma forma harmônica capaz de proteger o povo trabalhador.
    • Anarquismo: Estado é apenas um instrumento da opressão capitalista e não deve haver hierarquias sociais;
      • Bakunin, Kropotkin e Sorel.
      • Marxismo: ou materialismo dialético, tinha como tripé:
        • Ética crítica do capitalismo/socialismo utópico;
        • Análise do capitalismo da economia clássica inglesa
        • Concepção histórica da filosofia alemã (Hegel) -> luta de classes

Nacionalismos

  • Revelou-se como uma das ideologias mais importantes do século, emergindo como desdobramento da Revolução Francesa e da Era Napoleônica ou em reação a elas.
  • Após 1815: a Igreja Católica tratou de contribuir ao máximo para a restauração conservadora. O Papa Pio IX publicou a Encíclica Syllabus Errorum, em que condenava o racionalismo. Somente no final do século, a Igreja passou a desenvolver uma política social, como forma de recuperar adeptos (Papa Leão XIII – Rerum Novarum – 1891).
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2 Respostas para “História Mundial: Primeira Revolução Industrial, Revoluções liberais e Nacionalismos

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