Geografia: A Geografia moderna e a questão nacional na Europa

Humboldt-Universität zu Berlin

  • Superação de fragmentação feudal e da legitimidade dinástica ajudaram a criar um pensamento geográfico, sobretudo, na Alemanha, cuja unificação tardia ensejou o estudo, dentre outros aspectos, principalmente da relação entre poder e território;
  • Para Claval (1984), foram os séculos XIX e início do XX que propiciaram fatores políticos e intelectuais propícios para a reflexão de Estado e poder;
  • Para Schiera (1982), o surgimento do Estado moderno, concentrado e unitário, é essencial para se pensar na organização política, uma vez que antes, em um sistema feudal policêntrico, a organização política dos territórios possuía outra dinâmica;
  • Destaca-se o advento dos nacionalismos, que veem no Estado, por meio de seu território, aspectos importantes para a dissipação de uma ideologia comum, entre os indivíduos inseridos naquela área, a qual constitui o Estado. “O nacionalismo, como ideologia identitária, constituiu, assim, o fundamento do Estado-nação, que progressivamente se superpôs ao Estado moderno”;
  • Os grandes temas da geografia humana e política foram o Estado, o povo e o território;
  • Para Capel (2008), os avanços napoleônicos foram responsáveis pela criação de um sentimento pan-germânico, que encetaram estudos históricos e geográficos, enfatizando valores espirituais e raízes comuns de uma Alemanha até então desintegrada;
  • Nação e Estado, portanto, passam a ter significados distintos. Para Bertha Becker: “a substância da nação, no sentido de comunidade de destino, resultou da estratégia política de apropriar-se do sentido identitário contido na ideia de povo e colá-lo à organização política comandada pelo Estado. O povo passou a ser o corpo da nação, e, portanto, confundido com ela e submetido à centralidade territorial do poder político. Além do povo, era necessário, também, possuir um território e uma lei para se constituir um Estado-nação. Sendo o Estado uma construção política e ideológica que se fez no tempo e no espaço, a centralidade territorial do seu poder decisório foi fundamental para a tarefa de tomar a si a obrigatoriedade de fornecer educação para todos, utilizando o aparato institucional a sua disposição para as exaltações simbólicas do nacionalismo. Disciplinas como a história e a geografia foram estratégicas nesta tarefa.”
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