História do Brasil: Primeira República (1889-1930) | Economia, Crise dos Anos 20 e Participação na 1a Guerra Mundial

Economia na Primeira República

Segundo Boris Fausto, o papel desempenhado pelo capital estrangeiro na Primeira República consiste em dizer que ele não dominou a economia, mas se localizou em setores estratégicos.

  • Houve no período entre 1889 e 1896 um boom no desenvolvimento e na acumulação industrial, tendo o ritmo de crescimento diminuído entre 1897 e 1904, para voltar a crescer a partir de 1905 até 1914. A crise pós-Encilhamento, que coincidiu com a crise internacional e a política de caráter emergencial adotada para enfrentá-la, demonstrou 2 faces do problema da relação entre café e industrialização:
  • Manutenção do modelo agroexportador dependeria de intervenção nos mercados a fim de aumentar os preços para reduzir a expansão do café (evitar superprodução);
  • Crescimento industrial dependia da dinâmica cafeeira, que seria superada com investimento na indústria de base.

Antecedentes

∟Encilhamento

  • Rui Barbosa
  • Inflação: desvalorização da moeda brasileira
  • Especulação: instabilidade
  • Campos Salles é o presidente que busca a estabilidade da economia brasileira (Campos Salles)

∟Funding Loan (1898): inicia processo de estabilização da economia

∟Café: principal produto no período imperial e continua sendo na República

∟ Borracha: 30%

∟Estabilidade


Aliança: entre Estado e cafeicultor

  • 1906: firmado o convênio de Taubaté
  • Compra de café excedente -> garantia do preço mínimo, para que sustente a economia
  • Café armazenado -> apoio de investimentos internacionais / economia traz, em contrapartida, a desvalorização da moeda
  • Governo cobrará impostos sobre a saca exportada
  • Sociedade brasileira: é uma sociedade importadora
  • Socialização das perdas (Celso Furtado)
    • População que demanda as importações que paga; Estado é, sobretudo, exportador.

Indústria

  • Não existe um projeto de industrialização por parte do Estado, somente na Era Vargas.

Governo Wenceselau Brás (1914-1918)

  • Substituição das Importações (surto relativo, no contexto da modernização brasileira). É relativo porque é prejudicado pela moeda desvalorizada; fica mais difícil importar: diminuição da capacidade ociosa;
  • Brasil é agrário até os anos de 1950

Borracha

  • 2 últimas décadas do século XIX = boom extrativista
  • Coexistência com a borracha proveniente da Malásia
  • Processo de vulcanização
  • Demanda da borracha decorre da indústria da bicicleta e, posteriormente, da de automóveis

Mão de obra

  • Povo nordestino é explorado. Eles deixam o Nordeste e vão para a Amazônia
  • Recorrente secas, inferno verde e barões da borracha

Rodrigues Alves (1902-1906)

  • Apogeu da cultura da borracha
  • Concorrência inglesa (Malásia)

Movimentos sociais

  • Conflito entre o povo e as elites. Povo quer acesso à terra e mais igualdade
  • Juazeiro
    • Agente religioso e político
    • Símbolo Padre Cícero
    • Atua na religião: baseado em messianismo
    • Atua na política: promover a conciliação à 1911: Pacto dos Coroneis;
    • Cangaço
      • Símbolo Lampião (“banditismo social”) – levanta-se contra a oligarquia
  • Movimentos pontuais
    • Rurais
      • Revolta dos Canudos (1893-1897): exército é profissionalizado e institucionalizado
        • Antônio Conselheiro: crítica ao Estado laico
        • Reação
        • Luís Viana, presidente do estado da Bahia envia tropas -> derrota
        • Força Nacional: coronel Moreira César é assassinado
        • 2ª Força Nacional: Euclides da Cunha, guerra da civilização
      • Contestado (1912-1916)
        • José Maria
        • Capital privado
        • Ferrovia
        • Exploração madeireira
        • Demanda por acesso à terra
        • Em 1912 José Maria morre, mas se torna símbolo.
    • Urbanos
      • Revolta da Vacina (1904) – Governo Rodrigues Alves
        • N. Sevcenko: revoltam-se por conta da desapropriação
        • J. M. de Carvalho: coaduna com Sevcenko. Acontece por conta da intervenção do espaço privado (vacina na virilha)
        • S. Chalhoub: medo da vacina
      • Revolta da Chibata (1910)
            • Contexto da modernização da marinha com a chegada dos encouraçados
            • Contexto da modernização da marinha com a chegada dos encouraçados
            • MG / SP
            • Motivos: castigos corporais nos marinheiros (tratados como escravos) – Marcelino Rodrigues
            • Rui Barbosa negocia anistia dos revoltosos, a anistia acontece, cujo líder fora João Cândido.

Crise nos anos 20

∟Movimento operário

  • Não existe um projeto de industrialização
  • É um movimento fraco, pois a indústria brasileira também é. Indústria é consequência do cultivo de café. Nasce de forma espontânea e, sobretudo, no Centro-Sul: RJ-SP. Café: Vale do Paraíba, Leste Paulista.
  • Caráter pulverizado etnicamente -> imigrantes. Forte influência dos anarquistas italianos, só que no Brasil o anarquismo é toma forma de anarco-sindicalismo.
  • Diretrizes de ação distintas marcam o frágil movimento operário.

Positivismo

  • Pacífica, calcada nos termos de ordem e progresso
  • República é a forma perfeita de governo
  • Luta operária para a República

Conflito social

  • Solução: promover greves (ausência do Estado – anarquia)
  • Difundido por uma imprensa aberta, pouco circulada
  • Atuação no Congresso
  • SPD: exemplo alemão
  • Revolução Russa: Kominterm
  • PSR (1902): partido socialista revolucionário
  • PCB (1922): partido comunista brasileiro
    • Tem que lidar com a constante ilegalidade
    • Consegue levar 1 representante ao CN (1927)
    • Busca parceria com outros partidos (1929: candidatura de Minervino de Oliveira)

Questão social, no Brasil, é caso de polícia

  • Fraude eleitoral
  • Sindicatos amarelos:
    • 1ª tentativa do movimento operário, de cima para baixo, somente GV retoma isso em seu governo
    • Cooptação das lutas operárias pelo empregador

Movimentos tenentistas

Há uma história de tenentismo antes e depois de 1930. Antes de 1930, o tenentismo foi um movimento de rebeldia contra o governo da República; depois de 1930, os tenentes entraram no governo e procuraram lhe dar um rumo que promovesse seus objetivos.

Um dos fatores fundamentais da crise da República Velha foi a rebeldia de jovens oficiais das Forças Armadas, especialmente do Exército, que constituíram uma espécie de movimento político-militar conhecido como tenentismo, por causa da patente da maioria de seus participantes. Um bom número dos tenentes não pertencia à classe média, mas o programa por eles defendido favorecia essa classe, além dos interesses militares.

Principais episódios

  • 1922: Revolta de Copacabana: exército reprime o Clube Militar, levando os jovens tenentes a se rebelar, como um protesto destinado a ‘salvar a honra do exército’;
  • Coluna paulista para o interior de São Paulo;
  • Coluna Prestes

Movimentos de permanência

  • Historicizar as Forças Armadas
  • Continuada da intervenção dos militares na cena política
  • Antecedentes
    • Crise do império
    • Científicos / Tarimbeiros
    • Positivismo (militares querem a República à concretizar esses elementos na sociedade brasileira): figura do soldado-cidadão
    • Florianismo
    • Agir político-centralizador
    • Jacobinismo
    • Herminismo
    • Salvacionismo
    • Intervenção no nível local:
    • Tenente
      • Tem um lado soldado muito claro. Busca realizar a participação do tenente em um exército que se moderniza.
  • Modernização do Exército
    • Jovens turcos (1906-1910): grupo de oficiais que se formam nos quadros do exército. Eles trazem a noção de soldado profissional.
    • Soldado-cidadão: que participa na sociedade brasileira (interfere) x Soldado profissional: deve se articular no exército (não interfere)
  • Modernização da Marinha (1910)
    • Hermes da Fonseca
    • Encouraçados
      • Conflito entre a baixa e a alta hierarquia
      • Missão Francesa (1920)
        • Intelectual: ideia de segurança nacional -> Estado maior
      • Missão naval
        • Americana (1922)

Agenda tenentista

  • Voto secreto
  • Justiça eleitoral
  • Industrialização / desenvolvimento
  • Educação (melhoria)
  • Centralização

Reação republicana

  • Fomenta na candidatura de um militar (Nilo Peçanha, RJ x Artur Bernardes, candidato da continuidade – política dos governadores). Artur Bernardes vence e governa em estado de sítio.
  • Corporativismo (l’esprit de corps)
  • Cartas falsas/apócrifas
  • Ataque sistemático à Hermes e Artur Bernardes

Movimento tenentista

  • Movimento Dezoito do Forte: inviabilizar a posse de Artur Bernardes (18 homens que saem de Copacabana em direção ao Catete, liderados por Siqueira Campos (Eduardo Gomes).
  • SP: Movimento do 5 de julho (1924-1925). Miguel Costa (interiorização / articular / inviabilizar Artur Bernardes).
  • Coluna Prestes (1925-1927)
    • É pulverizada
    • Exilar-se no exterior (Bolívia / Paraguai)
    • Marcha que percorreu 20 mil km – força desestabilizadora
    • 5000 tenentes (de baixa oficialidade, que rompem com o exército)
    • Governo Washington Luís (1926-1929): fim do movimento
    • Retomada da estabilidade
    • Problema: ruptura do pacto do Ouro Fino: outras oligarquias podem inviabilizar
    • Júlio Prestes x Aliança Liberal (Vargas + João Pessoa; MG, PB, RS)
    • Júlio Prestes ganha, mas com golpe GV assume (Revolução de 30)

Política Externa realizada no momento posterior à morte do Barão de Rio Branco

Americanismo

  • Lauro Müller promove a tentativa de aproximação irrestrita aos EUA
  • Problematizada: Domício da Gama = embaixada dos EUA; produtos
    • Café (BRA)
    • Trigo (EUA)
    • Industrialização (EUA)
    • EUA tentam embargar o café brasileiro, lei anti-truste
    • Aproximação do Brasil à Argentina: relativizar o americanismo
    • Campos Sales (1912): se faz presente em BsAs, pro reciprocidade, acontece no RJ

Participação do Brasil na 1ª GM

  • Foi a única nação sul-americana a entrar na 1a GM, com exceção de Cuba que, à época, estava sob tutela norte-americana
  • Neutralidade (1914-1917): germanófilos – Monteiro Lobato e Lima Barreto x pró-aliados – Olavo Bilac e Rui Barbosa
  • Apoio à Entente (1917-1919): declara guerra à Alemanha após torpedeamento do terceiro navio mercante (Paraná) brasileiro
  • Dividendos importantes: o Tratado de Versalhes estabeleceu:

1. O pagamento com juros do café, recebido pela Alemanha, em 1914;

2. Permissão para conservar 70 navios apresados em portos brasileiros

Motivos

  • Americanismo (Lauro Müller / Nilo Peçanha)
  • Torpedeamento alemão da marinha mercantil brasileira
  • Navios: Brasil que se apropria dos navios -> Brasil declara guerra

Participação do Brasil

  • Hospital brasileiro na França
  • RAF (UK)
  • Divisão da FEB (DNOG – divisão nacional de operações de guerra)
  • Único país da América do Sul a enviar tropas

Brasil na Liga das Nações

  • Um dos membros criadores
  • O Brasil fundamenta o pedido sob o argumento de que o continente americano estava pouco representado
  • Acordos de Locarno (1924): Alemanha na Liga
  • 1926: Alemanha está no CS, e Brasil sai da Liga “Vencer ou não perder” – Eugênio Vargas Garcia. Síntese de Eugênio Vargas Garcia (década de 1920): pensa em um Brasil “entre a América e a Europa”
  • A saída do Brasil na SDN, segundo Clodoaldo Bueno, representou uma perda significativa da Liga; Segundo Macedo Soares (1927), o Brasil deixou a Liga por prepotência de Artur Bernardes

Reflexos no comércio exterior

A exportação teve uma dificuldade específica, pois o produto foi declarado contrabando de guerra pela Grã-Bretanha e, consequentemente, teve sua entrada proibida naquele país pelo fato de não ter sido, juntamente com outros produtos, considerado gênero de primeira necessidade.

Durante a Primeira Guerra Mundial e após seu término, o saldo da Balança Comercial foi favorável. Ao mesmo tempo que importava menos, exportava mais, inclusive produtos pouco expressivos, como carne, banha e cereais.

Em síntese, na gestão Washington Luís e Otávio Mangabeira o Brasil tomou, portanto, as seguintes decisões:

  • A saída do Brasil da Liga das Nações
  • A não adesão ao Pacto Briand-Kellog
  • A manutenção da neutralidade na questão entre a Bolívia e o Paraguai pela região do Chaco
  • A política de fraternidade com a Argentina e o reforço do estreitamento da amizade com os EUA
  • A amizade para com os EUA não incluía alinhamento
  • Criação dos Serviços Econômicos e Comerciais para dar suporte à ação diplomática por meio da coleta, fornecimento, assessoramento e divulgação de informações
  • Centralização de informações para que os produtores e os comerciantes nacionais pudessem acompanhar tudo o que ocorria no exterior no referente ao crédito externo e à vinda de imigrantes

Revolução de 1930

Segundo Boris Fausto, a Revolução de 30 não significou a tomada direta do poder por esta ou aquela classe social. Os vitoriosos de 1930 compunham um quadro heterogêneo, tanto do ponto de vista social como político. Eles tinham-se unido contra um mesmo adversário: os velhos oligarcas. Caíram os quadros oligárquicos tradicionais. Subiram os militares, os técnicos diplomados, os jovens políticos e os industriais.

Um novo Estado nasceu em 1930. Podendo-se citar 3 fatores:

  • Atuação econômica com o fim de industrializar o país;
  • Atuação social, que tende a proteger o trabalhador urbano;
  • Papel central atribuído às Forças Armadas.

O golpe de outubro de 1930, que deslocou as tradicionais oligarquias do epicentro do poder, tem sido tratado na historiografia a partir de diferentes vertentes explicativas:

  • A primeira vê o movimento de 1930 como uma revolução de classes médias. A Primeira República teria sido marcada pela existência de um antagonismo entre pequena burguesia, formada pelos setores médios urbanos, e uma burguesia nacional, representada por industriais, grandes comerciantes e fazendeiros de café. O pressuposto básico são o papel central desempenhado no movimento pelas classes médias, que no pós-30 teriam ascendido ao poder embora em caráter não exclusivo, e a existência de uma forte identidade entre estes setores e o movimento tenentista.
  • Outra linha sustenta que a Revolução de 30 expressaria a ascensão da burguesia industrial à dominação política. Partindo do pressuposto da existência na sociedade brasileira de uma contradição entre o setor agrário-exportador e os interesses voltados para o mercado interno, a Revolução de 1930 seria o resultado de uma brecha na classe dominante que, ao cindir-se, permitiu a composição de uma de suas frações (a burguesia industrial) com setores médios urbanos e sua ascensão ao aparelho do Estado.
  • Boris Fausto aprofundou as críticas tanto às concepções que interpretam os conflitos da Primeira República como fruto das contradições antagônicas entre o setor agrário-exportador e setores urbano-industriais e a Revolução de 1930 como o resultado final desse embate, quanto à que concebe o movimento como uma revolução das classes médias.
    • Para B. Fausto, o programa e a composição do Partido Democrático e a plataforma da Aliança Liberal, que era despida de qualquer proposta industrialista, o autor mostra que a burguesia industrial não oferecia qualquer programa voltado para o desenvolvimento da industrialização como alternativa a um sistema cujo eixo básico eram os interesses cafeeiros.
    • Fausto crê que a evolução de 1930 deve ser entendida como o resultado de conflitos intra-oligárquicos fortalecidos por movimentos militares dissidentes, que tinham como objetivo golpear a hegemonia da burguesia cafeeira.

Os vitoriosos de 1930 formavam um grupo bastante heterogêneo, tanto do ponto de vista social como do ponto de vista político. Se o combate às oligarquias tradicionais era o que se poderia chamar de um objetivo em comum, o mesmo não se pode dizer em relação às expectativas dos diferentes atores envolvidos no movimento. Num contraponto a essa contribuição de Boris Fausto consagrada na historiografia, em inícios dos anos 80 uma nova corrente foi desenhada nos debates em torno da Revolução de 30, em cujo cerne está a desqualificação de 1930 enquanto marco revolucionário e a ideia de que a revolução representaria um golpe preventivo da burguesia contra o movimento operário, visto como uma séria ameaça à dominação burguesa. De acordo com os autores identificados com essa vertente, em vez de 1930, o verdadeiro momento revolucionário teria sido 1928, quando no plano institucional ter-se-ia explicitado a luta de classes no país através da criação do Bloco Operário Camponês pelo Partido Comunista.

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