Geografia: Energia, logística e reordenamento territorial pós-fordista

  • Grandes transformações acerca da organização econômica ocorrem a partir de 1970, quando a divisão do trabalho deixa de ser baseada no fordismo e passa a ser baseada na acumulação flexível;
  • Segundo David Harvey, a acumulação flexível “envolve rápidas mudanças dos padrões do desenvolvimento desigual, tanto entre setores, como entre regiões geográficas, criando, por exemplo, um vasto movimento no emprego, no chamado “setor de serviços”, bem como na terceirização;
    • Embora o fordismo tenha sofrido declínio no mundo, no Brasil ele continuou em expansão;
    • A logística passa a ser peça fundamental na acumulação flexível, uma vez que a dispersão dos fatores de produção exige maior coordenação dos diversos fatores envolvidos; a logística garante o movimento perene e a competitividade;
    • As áreas economicamente mais desenvolvidas, como no caso das metrópoles globais, possuem sistemas logísticos complexos, que facilitam o comércio internacional e outras atividades econômicas;
      • Os portos e os aeroportos são estruturas de destaque dos sistemas logísticos;

Logística, território e infraestrutura no Brasil: uma agenda em consolidação

  • Em países de dimensão continental, como o Brasil, a expansão das atividades ligadas ao sistema de circulação exige ações coordenadas em diferente esferas de governo que necessariamente devem estar atreladas a mecanismos fiscais consentâneos à grandeza e à complexidade da tarefa;
  • Art. 174 da CF/88 diz que compete ao Estado exercer as funções de fiscalização, incentivo e planejamento;
  • As Parcerias Público-Privadas (PPPs), em parceria com o governo federal, possuem importância na gestão e no desenvolvimento da infraestrutura capaz de proporcionar um sistema logístico mais eficaz.

Infraestrutura de transportes

  • Privilégio das rodovias localizadas nas áreas núcleo (Centro-Sul);
  • Há a necessidade de instituir malha ferroviária no país, principalmente, para o escoamento de produtos (soja);
  • Projetos recentes para o desenvolvimento ferroviário:
    • Ferrovia Transnordestina: ligação do sertão do Piauí com os portos de Suape (PE), Pecém (CE);
    • Ferrovia Leste-Oeste: ligação do porto de Ilhéus (BA) com o interior do Tocantins – com a área de influência produtora de grãos;
    • Ferrovia Norte-Sul: malha ferroviária do Sudeste
    • Projetos energéticos (infraestrutura e distribuição)
      • Infraestrutura: Construção de duas usinas no rio Madeira (RO) – em andamento – e a de Belo Monte, no rio Xingu;
      • Desenvolvimento de novas energias: eólica e solar, assim como a biomassa, tendem a crescer no futuro próximo.

Energia e Logística

Segundo o Manual de Geografia da Bertha Becker:

Os portos são estruturas indispensáveis para o comércio internacional. Os portos necessitam ser eficientes no processo de carga e descarga, no desembaraço jurídico dos produtos e na integração com outros modais e ainda serem capazes de receber navios de grande porte. A energia circula globalmente de forma indireta, incorporada nos produtos. Assim, graças aos avanços da logística, as atividades energo-intensivas se distribuem no globo seguindo a lógica da disponibilidade energética. É o que explica a presença de grandes plantas de produção de alumina e alumínio – produtos eletro-intensivos – na Amazônia brasileira, pois ali existe energia farta e barata proveniente a usina hidrelétrica de Tucuruí, além de disponibilidade de bauxita, matéria-prima para o alumínio. A produção dos metais é praticamente toda exportada para países como o Japão, carente em recursos energéticos.

A matriz energética brasileira:

Energia hidrelétrica

  • A Usina de Itaipu é responsável pela distribuição do eixo Sul-Sudeste-Centro-Oeste. A Usina de Três Marias, construída no início da década de 1960, no rio São Francisco, deflagrou o processo de expansão da produção elétrica no estado de MG. As usinas de Foz de Areia, Segredo e Salto Caxias, no rio Iguaçu, que é afluente do rio Paraná, respondem pela distribuição no Paraná. A Eletrosul é responsável pela produção e distribuição na Região Sul e no Mato Grosso do Sul. Em 1994, entrou em funcionamento a grande hidrelétrica de Xingó, capaz de gerar mais de 3000 MW;
  • Balbina, no rio Uatumã, no Amazonas é um triste exemplo de insensibilidade ambiental.

Pontos negativos da utilização de hidrelétricas:

  • Impactos sociais e ambientais;
  • Deslocamento de população cujo modo de vida se apoiava na pequena agricultura ribeirinha;
  • Alteração no ecossistema local, provocando perda de vegetação natural e mudança na fauna dos rios.

As termelétricas e o gás natural

Em Geografia para o Ensino Médio, capítulo 15: Políticas Energéticas, Demétrio Magnoli diz:

As usinas térmicas, ao contrário das hidrelétricas, não apresentam nítida concentração geográfica. No Brasil, diferentemente do que acontece na maior parte dos países industrializados, a produção de eletricidade de origem térmica ainda é reduzida, em virtude da opção histórica pelo aproveitamento dos recursos hidrelétricos.

O Rio Grande do Sul e a Amazônia apresentam, tradicionalmente, forte dependência da produção termelétrica. O Rio Grande do Sul possui importantes depósitos de carvão mineral, que funciona como combustível para suas usinas térmicas. Na Amazônia, por outro lado, a geração termelétrica baseia-se em usinas a diesel. O panorama nacional de produção elétrica em usinas térmicas sofreu fortes mudanças com a descoberta de vastas reservas de gás natural na Bolívia e com a crise na geração hidrelétrica de 1999-2000, quando uma temporada de chuvas escassas provocou racionamento no consumo de eletricidade.

Atualmente, o gás natural já predomina na geração termelétrica convencional, mas fica atrás da produção de usinas movidas a biomassa, que utilizam o bagaço de cana.

A Petrobras engajou-se decididamente na prospecção e exploração de gás natural boliviano em 1995, tornando-se a maior empresa no setor do país. A opção pelo gás natural tem sentido econômico e ambiental, mas enfrenta impasses políticos que decorrem da dependência da importação do recurso energético boliviano.

O futuro do programa nuclear

Por razões econômicas, o governo resolveu retomar as obras de Angra II, que foram concluídas 10 anos depois. Em 2005, o governo Lula decidiu retomar a construção de Angra III. Cujas obras civis foram paralisadas no estágio inicial.

A necessidade de diversificação energética, que reflete a tendência ao esgotamento do potencial hidráulico nas principais bacias do Sudeste, é um dos motivos dessa decisão. Outro é a tendência de longo prazo de elevação dos preços dos combustíveis fósseis utilizados em termelétricas convencionais. A eles, soma-se a meta de redução das emissões de gases de estufa. Que decorre das políticas ambientais negociadas no âmbito internacional. Tudo isso favorece o projeto de deflagração do novo ciclo de construção de usinas nucleares.

Matriz energética no mundo

Segundo Demétrio Magnoli, em Geografia para o Ensino Médio:

(…) a produção de energia em usinas nucleares decolou na década de 1970, mas enfrentou forte oposição dos movimentos ambientalistas. Em consequência, inúmeros projetos foram abandonados, principalmente na Europa, e o crescimento da produção perdeu velocidade desde 1990. Atualmente, governos e lideranças ambientalistas descobrem as virtudes da fonte nuclear, que não gera emissões de gás estufa, o que parece indicar um novo ciclo de construção de usinas.

Além das fontes comercializadas no mercado internacional, os combustíveis renováveis, como os biocombustíveis e os combustíveis tradicionais, também são utilizados. Combustíveis tradicionais (biomassa), como a lenha e excrementos de animais, têm baixa eficiência energética, mas são bastante utilizados para o aquecimento doméstico e para o preparo de alimentos em regiões rurais pobres.

Concentração e desconcentração

Para Demétrio Magnoli, em Geografia para o Ensino Médio. Capítulo 13: A indústria e o território brasileiro:

(…) em certo ponto do desenvolvimento econômico, a tendência de concentração espacial da indústria arrefece e dá lugar a movimentos de desconcentração. A evolução das tecnologias e infraestrutura de transportes e comunicações reduz significativamente os custos de transferência.

Nessa etapa, manifesta-se a força das deseconomias de aglomeração. Nas regiões industriais tradicionais, crescem custos dos terrenos, assim como os impostos municipais. A força de trabalho, organizada em sindicatos, consegue aumentos salariais. Diversos outros custos, de difícil mensuração, originam-se do congestionamento de tráfego e da poluição ambiental típicas das metrópoles. Em busca do melhor retorno do capital, os investimentos empresariais são desviados para novas localizações. No Brasil, esse fenômeno começou a se desenvolver na década de 1970.

A integração Centro-Sul

As tendências de reorganização espacial da indústria no Brasil impulsionam a integração Centro-Sul do país. No fim das contas, desenvolve-se um processo de ‘descentralização na concentração’, que acentua os contrastes entre o Centro-Sul e o restante do território nacional. O geógrafo Milton Santos observou que esse processo é um aspecto da tendência mais ampla de soldagem entre as estruturas produtivas do Sudeste e do Sul. Ele sugeriu identificar uma região concentrada, formada por essas duas grandes regiões e polarizada pelo capital financeiro estabelecido no estado de São Paulo.

  • São Paulo – ABCD, Guarulhos, Osasco e Carapicuíba.
  • Rio de Janeiro – Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João do Meriti e Nilópolis; Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo.
  • Minas Gerais – Contagem (parque metalúrgico e químico) e Betim (automobilístico).

Implantação da grande siderurgia

A grande siderurgia brasileira nasceu a partir de duas empresas estatais: a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), implantada por Getúlio Vargas em 1942.

Década de 1950

  • Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa);
  • Usina Siderúrgica de Minas (Usiminas)

Década de 1970

  • Açominas, em Ouro Branco, MG;
  • Companhia Siderúrgica de Tubarão, em Vitória, ES.

As pressões das elites políticas e econômicas de MG, amparadas nas jazidas do Quadrilátero Ferrífero, surtiram efeito: além da Usiminas e da Açominas, outras importantes usinas configuraram o Vale do Aço, que é a maior concentração siderúrgica do país.

* Quadrilátero Ferrífero: importantes cidades do estado como Santa Luzia, Itabira, Ouro Preto, Congonhas, Nova Lima e Mariana se encontram nesta região.

O espaço industrial paulista

A descentralização da capital paulista é consequência:

  • Da expansão econômica do interior do estado, deflagrado pela modernização da agricultura e da agroindústria;
  • Do crescimento das cidades médias gerou mercado consumidor e reuniu força de trabalho;
  • Da implantação de infraestruturas energéticas e vias de transporte modernas;
  • Da criação de novas localizações atraentes para os investimentos industriais;
  • Da tendência ao deslocamento de novas empresas para fora das localizações metropolitanas.

Nordeste

A criação da Sudene, em 1960, foi o ponto de partida de um projeto de desconcentração industrial baseado no planejamento estatal.

A implantação de usinas hidrelétricas de porte no rio São Francisco e a presença de mão de obra abundante e barata funcionaram como incentivos suplementares.

No Ceará, a trajetória foi diferente. Os incentivos fiscais contribuíram para a formação de um importante polo têxtil em Fortaleza, baseado principalmente em capitais locais e herdeiro da tradicional indústria doméstica de fiação e tecelagem. A modernização recente aumentou a eficiência das indústrias de fiação, que exibem competitividade internacional.

As estratégias empregadas pelos governos estaduais abrangeram a concessão de incentivos diretos e indiretos, como a desoneração de tributos e a doação de terrenos, e a implantação de infraestruturas destinadas a reduzir os custos de exportação, como os portos de Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará.

Os enclaves industriais amazônicos

A zona franca de Manaus nasceu em 1967, sob a supervisão da Suframa. Com ela, era deflagrada uma operação geopolítica para a criação de um expressivo centro industrial. Sua meta consistia em reforçar o poder nacional na região de fronteira. A estratégia tinha como meta transformar a capital do Amazonas em ‘porto livre’ para importações e exportações. A isenção de impostos sobre importação de máquina, matérias-primas e componentes e sobre exportação de mercadorias, aliada ao baixo custo da mão de obra local, deveria atrair empresas transnacionais e nacionais para a fabricação de bens de consumo duráveis: Empresas eletroeletrônicas; Mecânicas; Informática.

Questões de 3a fase:

2009

O sistema detransportes no Brasil é composto pelas redes rodoviária (1.724.929 km de extensão), ferroviária (30.550 km) e hidroviária (cerca de 28.000 km de viasnavegáveis). Discorra sobre as principais dificuldades apresentadas para agestão desse sistema e suas implicações para o chamado “custo Brasil”.

2011

Se, em grande medida,a industrialização tardia do Brasil pode ser atribuída à ausência de combustíveis fósseis abundantes em nosso território terrestre, as perspectivaspara o futuro parecem, ao contrário, bastante promissoras. A esse respeito,discorra, sucintamente, sobre as opções de energias renováveis e não renováveisdo Brasil, conjecturando sobre a fonte que deverá constituir, em breve, o eixode nossa matriz energética.

2012

A navegação de cabotagem, que já foi o principal meio de transporte de cargas no Brasil,apresentou, por determinado período de tempo, drástica redução em relação aoconjunto geral dos modais. Entretanto, no período entre 2000 e 2010,observou-se aumento da sua participação no transporte total de produtos nopaís. Disserte sobre os aspectos favoráveis da cabotagem no Brasil e as principaisdificuldades existentes, no país, para o seu desenvolvimento.


Bibliografia

BECKER, Bertha.Manual do Candidato. Capítulo 3: Geografia Econômica.

MAGNOLI, Demétrio.Geografia para o Ensino Médio. Capítulo 7: A energia e o aquecimento global.

MAGNOLI, Demétrio.Geografia para o Ensino Médio. Capítulo 13: A indústria e o território brasileiro.

MAGNOLI, Demétrio.Geografia para o Ensino Médio. Capítulo 15: Políticas Energéticas.

HARVEY, David. Condição: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. Transformação político-econômica do capitalismo.

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