Geografia: Geografia Urbana

Processo de urbanização e formação de redes sociais

  • Sedentarização, uma vez que não é possível construir estruturas fixas sem que haja um lugar específico para que atividades desenvolvam;
  • A urbanização é um fenômeno moderno, que surge, eminentemente, a partir da Revolução Industrial; o desenvolvimento das cidades foi essencial para o processo de acumulação do capitalismo, pois proporcionavam economias de aglomeração, cruciais para a produção e o consumo;
  • Atualmente, nos países periféricos, que passaram a industrializar-se tardiamente, o êxodo rural mostra-se como um fator importante para a urbanização. O êxodo rural representa a busca por melhores condições nas cidades, o que gera elevado nível de exclusão social, representado, sobretudo, nas favelas (Brasil, Nigéria, Angola);
  • As cidades europeias do século passado, passaram por situações análogas das vivenciadas pelos países periféricos, demonstrado pelos graves problemas urbanos e sanitários àquela época;
  • Até o início do século, o Brasil era formado por um arquipélago localizado na faixa litorânea
  • Segundo Bertha Becker, os seguintes fatores inter-relacionam-se com a questão urbana e devem ser entendidos como um conjunto:
    • Economia: A passagem do fordismo para a produção flexível gerou profundas transformações nas metrópoles em todo o mundo, com o deslocamento da produção para cidades do interior que ofereciam custos menores de produção. Antigas cidades industriais fordistas entraram em decadência ou fortaleceram o setor de serviços, concentrando a gestão e a inovação;
    • Tecnologia: A tecnologia de maior impacto foi o avanço das telecomunicações e da tecnologia da informação, que aliado a uma logística de transportes eficiente, possibilitou um refinamento da divisão territorial do trabalho e aumentou o grau de liberdade locacional das empresas, com consequências óbvias no desenvolvimento das cidades.
    • Demografia: A estrutura etária da população e o crescimento vegetativo estão diretamente relacionando aos movimentos migratórios – aí incluídos o êxodo rural e os movimentos inter-urbanos. São os movimentos migratórios – inclusive os internacionais – que causam as grandes transformações demográficas entre as cidades.
    • Política: No Brasil, por orientação política, foram criadas as cidades de Belo Horizonte, Goiânia e Brasília, que causaram profundas transformações na rede urbana brasileira.
    • Sociedade e Cultura: A adoção de métodos contraceptivos vai afetar a composição demográfica da população e, por conseguinte, a movimentos migratórios e o crescimento das cidades. O mesmo ocorre com aspectos culturais.
    • Ambiente: O impacto das mudanças ambientais nos padrões de urbanização pode ser percebido nas mais diversas escalas geográficas. Mudanças nos padrões de chuva, por exemplo, pode alterar o padrão econômico de regiões inteiras, com evidentes impactos nas cidades.

Hierarquia urbana brasileira

  • Metrópoles: são os 12 principais centros urbanos do país
    • Grande metrópole nacional: São Paulo
    • Metrópole nacional: Rio de Janeiro e Brasília
    • Metrópole: Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia e Porto Alegre
    • Capital regional: integram 70 centros que também se relacionam com o estrato superior da rede urban
    • Centro sub-regional: integram 169 centros
    • Centro de zona: formado por 556 cidades de menor porte
    • Centro local: são 4.473 cidades que não extrapolam os limites do seu município

Conurbação, metropolização e cidades mundiais

  • Conurbação, segundo Bertha Becker, é a união de manchas urbanas de diferentes cidades, formando um espaço urbano contínuo.
  • Metrópole é uma forma de concentração demográfica, social, econômica e política. É o lugar de tomada de decisão, de produção e de difusão de ideias, de modos de vida.

Dinâmica urbana das metrópoles brasileiras

“A mudança do caráter de cidade industrial fordista para cidade informacional gerou profundas transformações em praticamente todas as metrópoles brasileiras, com impacto mais significativo em São Paulo, onde o emprego industrial mais perdeu importância relativa em detrimento do setor de serviços. Mesmo nos lugares onde houve um processo de industrialização recente, como em Fortaleza e Curitiba, apesar do grande crescimento em termos absolutos do emprego industrial, sua participação no total de empregos declinou.”

As metrópoles e o território nacional

As regiões brasileiras se distinguem nitidamente pela configuração da rede urbana. O Sudeste e, em menor escala, o Sul apresentam redes complexas, organizadas em torno das metrópoles e constituídas por diversas cidades médias que desempenham funções de centros regionais. Não é o que ocorre nas demais regiões. O Nordeste apresenta uma rede menos integrada, fortemente dependente de três grandes metrópoles nacionais. No Centro-Oeste e no Norte, a rede urbana carece de cidades médias, refletindo as baixas densidades demográficas regionais.

Os principais eixos de circulação

A navegação de cabotagem representou o único meio de transporte de cargas e passageiros entre Sul, Sudeste e Nordeste até a metade do século XX. A Amazônia conectava-se ao transporte de cabotagem por meio da navegação fluvial. O Centro-Oeste praticamente não dispunha de conexões viárias com as demais regiões, exceto pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que ligava São Paulo a Campo Grande e Corumbá, no atual Mato Grosso do Sul. Os principais eixos rodoviário são os seguintes:

  • BR 116: Sudeste foi conectado ao Sul e ao Nordeste e, depois, sob o impulso da transferência da capital, novas rodovias ligaram o Sudeste ao Centro-Oeste
  • BR 153: Belém-Brasília
  • BR 163: Cuiabá-Santarém
  • BR 070 e BR 364: Brasília-Acre

A crise financeira do Estado brasileiro refletiu-se na degradação extensiva das rodovias, que foi parcialmente solucionada pela entrega de diversas estradas à administração de concessionários privados. A modernização de algumas linhas férreas, a construção de estradas de ferro destinadas ao escoamento de bens de exportação e a implantação de hidrovias começaram a mudar o panorama da rede nacional de transportes.

Infraestrutura do comércio exterior

  • Estrada de Ferro Carajás: escoar a produção mineral da serra dos Carjás até o porto de Itaqui, em São Luís do Maranhão
  • Ferronorte: com extensão para Cuiabá e Porto Velho, deve reduzir os custos de deslocamento de soja para os portos do Sudeste e para a hidrovia do Madeira.
  • Projeto Ferrovia Norte-Sul: interligar a Estrada de Ferro Carajás, no Maranhão, às rodovias e ferrovias do Sudeste.

Hidrovias: da indústria para o escoamento de produção

  • Rio Amazonas: médios e baixos cursos de seus principais afluentes são plenamente navegáveis
  • Rio Paraguai: transporte de carga, assim como extensos trechos da bacia do paraná, rio Araguaia, rio São Francisco e rio Parnaíba.

Os portos marítimos e fluviais brasileiros funcionam como as conexões mais importantes entre o território nacional e a economia mundial. Os principais, segundo o movimento de cargas de exportação, são: Tubarão, Itaqui e Itaguaí, especializados no embarque de minérios e produtos siderúrgicos. Em seguida, aparece o porto de Santos (bens manufaturados e produtos petroquímicos e químicos) e o porto de Paranaguá, que se concentra em produtos agrícolas. Sobre cargas de importação, os principais são o de São Sebastião (petrolífero), de Santos (manufaturados), Aratu (petrolífero e manufaturado). Manaus é o único porto fluvial entre os mais importantes do país.

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Uma resposta para “Geografia: Geografia Urbana

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