Macroeconomia: Políticas Monetária e Fiscal e trade-off de políticas econômicas

Instrumentos da política monetária

  • Juros básicos
  • Depósitos compulsórios
  • Operações de mercado aberto

Política monetária contracionista: aumento de juros básicos, aumento da alíquota do depósito compulsório ou venda de títulos. Decorre de uma diminuição de quantidade de moeda.

Política monetária expansionista: diminuição dos juros básicos, diminuição do depósito compulsório ou compra de títulos. Decorre de um aumento de quantidade de moeda.

Clássicos

Política Monetária expansionista

Curto prazo

  • Oferta agregada não é afetada, já que não há alteração na dotação de fatores de produção.
  • Afeta somente a demanda agregada. Juros mais altos desincentivam o consumo e o investimento, contraindo a demanda agregada.

Longo prazo

  • Expansão da demanda agregada, aumentando o nível geral de preços e sem qualquer impacto sobre o produto.

Combate à inflação

Clássicos

Política monetária serve apenas para gerar mais ou menos inflação. Para essa escola, a política monetária não serve como mecanismo de incentivo ao crescimento do PIB ou de geração de emprego.

Teoria Quantitativa da Moeda (TQM)

M.v = P.Y

Mais oferta de moeda, mais inflação. Não há impacto sobre o produto.

Princípio da neutralidade

A moeda é neutra do ponto de vista da expansão do produto. Mais moeda gera apenas mais inflação, não há impacto real.

Política monetária no Brasil

A cada 45 dias o COPOM se reúne para avaliar o cumprimento das metas. Nas reuniões, três cenários são possíveis:

  1. Expectativas de inflação > Meta à adoção de política monetária contracionista
  2. Expectativa de inflação = Meta à manutenção
  3. Expectativa de inflação < Meta à adoção de política monetária expansionista

Curto prazo

Uma política monetária expansionista provoca um deslocamento da demanda que gera um efeito sobre o produto e sobre os preços. Mas esse efeito é apenas de curto prazo.

Passo a passo:

Política monetária expansionista gera um deslocamento da demanda agregada para a direita -> o aumento de preços estimula um aumento de produção -> a maior produção amplia a taxa de crescimento, mas apenas no curto prazo.

Os efeitos, tanto positivo, quanto negativo sobre o produto em cada um dos casos, será dissipado no longo prazo.

Keynes

Keynes rechaça o princípio da neutralidade da moeda e desenvolve a teoria da preferência pela liquidez.

Teoria da Preferência pela liquidez:

Segundo Keynes, os agentes preferem dispor de moeda em função da liquidez que esta lhes proporciona. A retenção de moeda é poder. Os motivos para se reter a moeda são:

  • Transação: descasamento temporal entre recebimentos e pagamentos;
  • Precaução: incerteza do futuro;
  • Especulação: oscilações do mercado (títulos)

Armadilha de liquidez

É um cenário onde os agentes econômicos retém moeda em excesso:

  • Elevada incerteza
  • Demanda por moeda é excessiva
  • Política monetária não tem efeito
  • Situação de recessão

Para quebrar o cenário de armadilha da liquidez, é preciso colocar em funcionamento a política fiscal, ampliando o gasto público.

Política monetária para os keynesianos

A política monetária atua sobre a demanda efetiva através do crédito. Como a demanda efetiva aumenta, há mais crescimento. Como há mais crescimento, há mais emprego dos fatores de produção.

Graficamente, o efeito é o mesmo do curto prazo observado pelos clássicos. A diferença é que para os keynesianos, o resultado P1, Y1 é permanente, já que o desemprego é a norma.

Nessa abordagem, a tolerância com algum nível de inflação permite um cenário de maior crescimento.

Clássicos Keynesianos
Existe flexibilidade nos fatores de produção Não existe flexibilidade nos fatores de produção
Há pleno emprego dos fatores O desemprego é a norma
A oferta agregada do longo prazo é vertical (define um produto potencial) Demanda efetiva é variável que determina o emprego dos fatores de produção
Variações na demanda agregada têm impacto apenas sobre a inflação Expectativas influenciam o consumo e o investimento
A moeda é neutra: variações na oferta de moeda têm impactos apenas nominal e não real Moeda não é neutra à há preferência pela liquidez;Motivos de retenção: transação, precaução e especulação; Cenário extremo: armadilha da liquidez.
Políticas monetárias servem exclusivamente para combate à inflação Política monetária tem um papel no crescimento: amplia a demanda efetiva, ainda que gerando inflação.

Política fiscal

Política fiscal é o que o governo faz quando mexe nos gastos ou nos tributos.

Política fiscal expansionista: aumento de gastos ou redução de tributos. É expansionista porque expande a demanda agregada.

Política fiscal contracionista: diminuição dos gastos ou aumento de tributos. É contracionista porque contrai a demanda agregada.

Clássicos

Para os clássicos, a oferta agregada de longo prazo é vertical, ou seja, o produto de equilíbrio não pode ser alterado em função de variações de preço. Considerando a identidade do PIB, parecer-se-ia que um aumento dos gastos deveria levar a um aumento do PIB, mas um aumento do gasto público não interfere no valor do PIB porque desincentiva consumo e investimento. Esse movimento é chamado de efeito deslocamento, ou efeito expulsão ou crowding-out.

Governo reduz impostos ou aumenta gastos (política fiscal expansionista) -> diminuição da poupança do governo à escassez de poupança (I > Sp + Sg) -> aumento da taxa de juros -> Taxas de juros altas significam menos investimentos e menos consumo.

O efeito deslocamento é uma redução do papel dos privados em favor de uma ampliação do estado no conjunto do PIB.

Um aumento da demanda por moeda provocado pela política fiscal expansionista provoca um aumento do preço da moeda, isto é, a taxa de juros (r). Taxas de juros mais altas reduzem o consumo e o investimento.

Na visão clássica, além da política fiscal não gerar efeito no PIB potencial, o Estado deve cobrar impostos baixos, já que tributos altos desincentivam a produção e a eficiência.

Disciplina fiscal

O Estado não deve gastar mais do que deve. Quando G > T, o Estado precisa pegar mais dinheiro emprestado e vai reduzir a poupança disponível. A redução da poupança faz aumentar a taxa de juros, provocando novamente o efeito deslocamento.

Curto prazo

  • Uma política fiscal expansionista pode aumentar o PIB e os preços no curto prazo
  • Uma política fiscal contracionista pode reduzir o PIB e os preços no curto prazo
  • Como esses efeitos de curto prazo não sustentam no longo prazo é preciso, na visão clássica, evitar o oportunismo de curto prazo. No Brasil, a Lei de Responsabilidade Fiscal cumpre esse papel.

Keynes

PIB = C (E) + I (E) + G

*Expectativa

Produção > Demanda efetiva -> aumento nos estoques -> caem os investimentos -> aumenta o desemprego -> cai o consumo -> aumento nos estoques.

O aumento do gasto do governo provoca um efeito positivo sobre o PIB maior do que o gasto efetivamente realizado, em função do efeito multiplicador.

Os gastos:

  • Aumentam a demanda efetiva
  • Os empresários melhoram suas expectativas e aumentam o investimento
  • Com mais investimentos, aumenta o emprego
  • Com mais emprego, aumenta o consumo

Multiplicador keynesiano

PmgC – propensão marginal ao consumo. Essa propensão refere-se ao percentual da renda que é gasto com consumo (e que não é poupado).

MK = 1 / 1 – PmgC

Ex. De R$ 100, R$ 90 são consumidos e R$ 10 são poupados. A PmgC = 0,9

Na teoria keynesiana, o investimento não é iguala poupança.

Em situações extremas, como a da armadilha da liquidez, esse aumento de gastos se torna necessário para evitar a contração da Demanda Agregada. No pensamento de Keynes, esse é um cenário para o qual não existe solução automática, o governo tem que intervir.

Uma conclusão desse raciocínio é que a disciplina fiscal não é tão importante. Isso porque o aumento da demanda efetiva, gerado graças à expansão dos gastos públicos, irá aumentar a arrecadação do Estado e, posteriormente, reduzir o déficit público.

Assim, nesse raciocínio, é a recuperação do crescimento que financia o déficit público, e não a recessão por meio da realização de uma política fiscal contracionista, como no raciocínio clássico.

Estado não pode ser mínimo. Seu papel é:

  • Criar demanda efetiva
  • Gerar política anti-cíclica
  • Balizar as expectativas
  • Déficit público pode ser uma forma de criar demanda efetiva, aumentar a arrecadação e aumentar o crescimento econômico.

Trade-off de Política econômica

– Fiscal

– Monetária

– Inflação x Desemprego

Política expansionista: para reduzir o desemprego, é necessário tolerar uma inflação mais alta.

Política contracionista: para reduzir a inflação, é necessário tolerar um desemprego mais alto.

Expansionista -> inflação mais alta / Contracionista -> desemprego mais alto

Curva de Phillips (Inflação x Desemprego)

Mostra os resultados de curto prazo da política econômica. As possibilidades de política monetária e fiscal estariam descritas pelos vários pontos ao longo da curva.

  • Expansão da demanda agregada provoca um aumento de preços;
  • Preços mais altos estimulam os empresários a produzir mais;
  • Mais produção gera mais emprego;

-> Deve-se considerar a existência do desemprego.

∟No longo prazo, a situação seria diferente, pois, a curva de oferta agregada é vertical, ou seja, deslocamentos da demanda agregada provocam inflação, mas não tem qualquer impacto sobre o emprego.

Para os autores, a política monetária expansionista aumenta o nível de preços, mas não estimula o aumento da produção, já que a economia já se encontra em seu ponto de pleno emprego dos fatores de produção. O desemprego é voluntário, uma vez que nem todos os fatores de produção são utilizados.

Conclusão

Como no longo prazo a política monetária e fiscal não tem qualquer impacto sobre o emprego, o foco das políticas econômicas deve ser o controle de preços.

A política anti-inflacionária é altamente recomendável, nessa perspectiva, porque não gera impactos sobre o desemprego. Não há trade-off de política econômica. A opção é baixar a inflação.

Keynes

Na visão keynesiana, a política econômica, seja ela monetária ou fiscal, vai afetar a demanda efetiva.

Expansionista -> expande a demanda efetiva

Contracionista -> contrai a demanda efetiva

Raciocínio:

Política econômica expansionista aumenta a demanda efetiva -> maior demanda provoca aumento da inflação -> aumento da inflação aumenta o emprego e, portanto, reduz o desemprego.

Nessa visão, há trade-off entre inflação e desemprego.

Clássicos Keynesianos
Existe flexibilidade nos preços dos fatores de produção Não existe flexibilidade nos preços dos fatores de produção
Pleno emprego dos fatores de produção O desemprego dos fatores é a norma
A oferta agregada é vertical Expectativas:O consumo depende da renda e das expectativas;O investimento depende dos juros e das expectativas
Variações na demanda agregada têm impacto apenas sobre a inflação (sem impacto sobre crescimento, renda e produto) É a demanda efetiva que determina o emprego dos fatores de produção e o ritmo do crescimento
A moeda é neutra (variações na oferta de moeda têm impacto somente em variáveis nominais, não impactando as variáveis reais – renda, produto, emprego) A moeda não é neutra (teoria dapreferência pela liquidez)Caso extremo: armadilha de liquidez
A política monetária serve exclusivamente para o combate à inflação Política monetária atua sobre a demanda efetiva e, através dela, gera emprego e renda
O Estado deve ser mínimo:- aumenta a eficiência (alocação dos escassos recursos);- evita o efeito deslocamento (aumento do gasto público, aumenta os juros e reduz a renda privada);

– deve apresentar disciplina fiscal

Estado tem papel:- expectativas- políticas anti-cíclicas

– demanda efetiva

– efeito multiplicador

Não existe trade-off de política econômica:- o aumento da inflação não mexe no desemprego;- a diminuição da inflação também não mexe no desemprego;

– o desemprego sempre tende à sua taxa natural.

Existe trade-off de política econômica:- se a inflação for mais alta, o desemprego será mais baixo- se a inflação for mais baixa, o desemprego será mais alto
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2 Respostas para “Macroeconomia: Políticas Monetária e Fiscal e trade-off de políticas econômicas

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