Formação Econômica Brasileira: a década perdida, os anos 90 e a atualidade

Governo Sarney

Foco no combate à inflação

Visões sobre as raízes da inflação

∟ Pacto social: problema era causado pelo conflito distributivo

∟Ortodoxa: causado pelo excesso de demanda, alimentado pelos desequilíbrios fiscal e monetário

∟Heterodoxa: inércia inflacionária, alimentada pela indexação

∟ Larida: desequilíbrio fiscal e pela inércia inflacionária

Visão contemplada: VISÃO HETERODOXA

Vantagens

1. Oferece solução rápida;

2. Não é recessiva, não gera impacto sobre o crescimento econômico;

3. Visão neutra, do ponto de vista distributivo, não altera a distribuição de renda.

Plano Cruzado (28.02.1986)

É a primeira tentativa de tentar debelar a inflação no Brasil.

Plano 100% heterodoxo, sem nenhuma preocupação em conter demanda. O grande problema é a inércia inflacionária.

Medidas

  1. Congelamento de preços (valores correntes, praticados em 28.02), salários (corrigidos pela média do poder de compra dos 6 meses anteriores) e taxa de câmbio (valor corrente apreciado, praticado em 28.02 à moeda valorizada ajuda no combate à inflação à petróleo está barato);
  2. Reforma monetária com a substituição da antiga moeda ‘Cruzeiro’ pela nova moeda ‘Cruzado’, em uma taxa de 1000 para 1. Motivo: apagar a memória inflacionária.
  3. Proibição da indexação para períodos inferiores a 1 ano. As ORTNs são substituídas pelas OTNs (sem correção monetária);
  4. Zeragem dos índices de preços: todos os preços serão contabilizados a partir do plano;
  5. Estabelecido o gatilho salarial: caso a inflação acumulada atingisse a 20%, o gatilho seria disparado e os salários corrigidos.

Não há contenção, mas expansão de demanda. Aposta na inércia inflacionária. A inflação atinge seu auge no governo Sarney.

Tem sucesso inicial enorme, pois a inflação quase atinge o 0%. Há temor de punições (cassação de alvarás) dos comerciantes.

Congelamento: não proíbe ajuste de preço, mas sim ajuste de preço sem a autorização do governo

Problemas

  1. Periodicidade dos reajustes: nem todos os preços são reajustados no mesmo período.
    1. Setores de carnes: polícia federal obriga produtores a produzir
    2. Setores de leites e derivados: subsídios
    3. Setores de automóveis: aumentar o imposto para desestimular o consumo
  1. Expansão da demanda, pois as pessoas passam a comprar mais, uma vez que elas pensam que os preços caíram ou que os preços voltem a aumentar. Os preços não sobem. Demanda cresce, mas ocorre o desabastecimento, criando uma situação delicada, por falta de mercadoria.
    1. Filas
    2. Ágio (pagar por fora)
    3. Mercado Negro
    4. Informalidade
    5. Desrespeito ao congelamento
    6. Trocar nomes de produtos (Lolo e Milkybar), diminuir a quantidade dos produtos
  1. Mudança nos índices de preços: maquiar e enganar o gatilho salarial;
    1. Aumento de impostos e desincentivar o consumo.
    2. 15.11.1986: PMDB ganha as eleições
    3. Autorização de ajustes: disparada do ajuste salarial
    4. Abandono do congelamento

Problema principal do Plano Cruzado: desrespeito à lei da oferta e da procura

Críticas:

. Ausência de políticas monetária e fiscal contracionistas para conter a demanda

. Congelamento longo

. Levou o Brasil a moratória em 1987: ↓X↑M. Importou mais para acabar com o desabastecimento.

BP dependia da Balança Comercial, que estava em déficit.

Brasil passa a perder Reservas Internacionais, pois o Brasil perde competitividade, fazendo com que o esgotamento das Reservas Internacionais à moratória da dívida externa de 1987, causados também pelos excessos dos anos 60 e 70.

Produtores reajustam seus preços com mais frequência do que antes, para recuperar as perdas no período do congelamento. Cruzado agrava o problema da inflação. Dilson Funaro é substituído por Bresser.

Plano Bresser (12.06.1987)

. Plano híbrido: ortodoxo e heterodoxo

. Objetivo: conter a inércia inflacionária e a demanda

Medidas

  • Congelamento por tempo determinado (3 meses) de preços (valores correntes à diário, 12 de junho mesmo), salários (valores correntes à final de maio, perdeu 12 dias de poder de compra), NÃO CONGELA A TAXA DE CÂMBIO;
  • Política monetária contracionista com corte do crédito, aumento de juros, fim da conta movimento (ligava o BB ao Tesouro Nacional, sem controle do Bacen, criada no PAEG. BB podia dar crédito ilimitado) e combate ao emissionismo;
  • Política fiscal contracionista com corte de gasto do custeio da máquina e com o aumento de impostos;
  • Não há nova moeda, cruzado foi mantido;
  • Tal plano tem menos sucesso que o plano cruzado, pois há desrespeito ao congelamento e movimentos grevistas à salários são aumentados com claro desrespeito ao congelamento;
  • Reajustes preventivos: produtores reajustavam preços preventivamente;
  • ↑Inflação

Bresser é demitido e substituído por Maílson da Nóbrega, que propõe a:

Política do Feijão com Arroz

  • Combate gradual à inflação;
  • Baseado em ortodoxia com aumento de impostos, corte de crédito, promessa de corte de gastos;
  • Não dá certo!
  • Inflação sobe ainda mais, por quê:
    • ↑Preço de Alimentos (chuvas atípicas destroem produção)
      • Balança Comercial superavitária
      • Quantidade de cruzados aumenta (dólares sendo trocados por cruzados à expansão da base monetária)
  • Balança de Pagamentos superavitária
  • Constituição Federal de 1988: ↑gastos sem previsão de receita; vinculação (obriga a gastar determinado valor com setores) dos gastos a receitas.

Plano Verão (15.01.1989)

  • Plano ortodoxo e heterodoxo

Medidas

  • Congelamento por tempo indeterminado de preços (valores correntes à 15.01) e salários (valores correntes à final de dezembro);
  • Reforma monetária substitui o ‘cruzado’ pelo ‘cruzado novo’ – taxa de troca de 1000 para 1
  • Política fiscal contracionista: gastos sem previsão de receita (CF 1988): ↓Gastos, ↑Impostos
  • Política monetária contracionista: ↓crédito ↑juros
  • Não cumprimento do ajuste fiscal
  • Desrespeito absoluto ao congelamento
  • ↑Inflação (explosão inflacionária)

Governo José Sarney marca o fim do governo desenvolvimentista do Brasil (desde GV, protecionismo, ISI, desenvolvimento como foco). Isso levou à década perdida:

  • Sem crescimento
  • Desemprego
  • Crise da dívida
  • Serviços de baixa qualidade oferecidos pelo Estado
  • Empresas estatais ineficientes
  • Estados endividados
  • Inflação

Consenso de Washington (1989)

Agenda de reformas comuns a um grande número de países (Problema -> Solução)

  • Crescimento -> Incentivar a entrada de recursos por meio da livre mobilidade de capitais (renovar a economia com novos recursos, incentivar recursos estrangeiros; Brasil regula a entrada desde o governo GV);
  • Desemprego -> Flexibilização da legislação trabalhista;
  • Crise da dívida -> Renegociação a dívida, por meio do plano Brady (1989), FMI auxilia, mas tem que aderir ao Consenso de Washington;
  • Serviços -> Disciplina fiscal;
  • Estatais ineficientes -> Privatizações;
  • Estados endividados -> Disciplina;
  • Inflação -> Contenção de demanda (crescimento é puxado pela oferta).

Abandona o modelo desenvolvimentista e adota um modelo liberalizante. Brasil decreta moratória à dívida externa.

Governo Fernando Collor

Antecedentes

∟Maior inflação da história do Brasil

∟ Informalidade na economia brasileira (níveis elevados)

∟ Problemas em relação às contas externas

∟ Agenda reformista no mundo (Consenso de Washington)

Brasil adere às mudanças liberais

Objetivos:

  1. Liberalização comercial: ‘transformar as carroças em carro de verdade’; Não havia produtos industrializados importados, apenas nacionais, que eram ruins, pois não estavam sujeitos à concorrência. Só havia apenas 4 montadoras: Volks, GM, Fiat e Ford, assim, Collor abriu a economia;
    1. Aumentar a concorrência
    2. Aumentar a qualidade dos produtos
    3. Reduzir preços e oferecer produtos mais competitivos
    4. ↓Tarifas de importação
    5. Extinguir as licenças de importação
    6. ↓Subsídios
    7. ↓Controles não tarifários

i.    Exportar é o que importa, segundo os militares; nesse momento o Brasil se abre. Itamar: menores tarifas médias de importação, desde a República Velha.

ii.    Empresas brasileiras sofrem com a concorrência dos produtos importados.

  1. Desestatização: estatais não tem capacidade de oferecer serviços de qualidade (linhas de telefone), faltava dinamismo. Estatais passaram por um processo de sucatização, mas precisavam injeção de recursos;
    1. ↓participação do Estado na economia = ↑eficiência
    2. Plano Nacional de Desestatização (PND): prevê privatizações.

i.    Tem dificuldades associadas à CF/88

  1. ↑investimento com dinheiro privado
  2. ↑crescimento econômico
  3. ↓custos das empresas, decorrente dos serviços mais baratos
  4. ↓inflação

Ajuste fiscal: transformas o déficit público (8% do PIB) e passaria a ter superávit (2% do PIB): ↑impostos (IOF) + ↓gastos (congelando obras, demissão de funcionários públicos, principalmente de empresas estatais) + ↓autarquias + ↓estatais (extinta a Embrafilme).

  1. Combate à inflação:
    1. Plano Collor (Plano Brasil Novo): acabar imediatamente com a inflação; é heterodoxo e ortodoxo.

i.    1ª Medida: congelamento de preços e salários por tempo indeterminado para combater a inércia inflacionária (ortodoxo). Não há congelamento da taxa de câmbio, somente no Plano Cruzado;

ii.    2ª Medida: reforma monetária (Cruzado Novo 1000 à Cruzeiro 1)

iii.    3ª Medida: ajuste fiscal, melhorar em 10% do PIB.

iv.    4ª Medida: decretado o sequestro de liquidez à confisco

  1. Depósitos acima de 50 mil cruzeiros serão sequestrados por 18 meses e devolvidos corrigidos pela inflação do período mais 6% aa. Ideia do governo: acabar com a demanda, assim a inflação cede. Acabar com a orgia financeira (overnight);

Problemas do Plano Collor

  • Brasil entra em quadro recessivo grave;
  • Leva a falência de negócios;
  • O Plano é ilegal;
  • Confunde renda (fluxo, dinheiro entrando è salários, juros, lucros) e riqueza (estoque è parado). O que pressiona a inflação: fluxo; e o Plano retém a riqueza. Há uma confusão no Plano.
  • Gera problemas graves na poupança, a confiança é arranhada. A população tem medo de depositar dinheiro no banco;
  • Economia começa a funcionar fora do sistema bancário (comerciantes);
  • Expansão da informalidade (quem tinha dinheiro na mão se dava bem);

Como acaba?

  • Torneirinhas: ‘desequestrar’ os ativos das pessoas, ou por ordem judicial ou o governo abre em determinados segmentos.
  • Inflação dispara depois do plano em funação dos reajustes coletivos e por causa da expansão da demanda em função das expectativas è preços sobem e população não mantém dinheiro no banco (gastar dinheiro).
  • Zélia é demitida e substituída por Marcílio Moreira, que combate a inflação com o gradualismo:
    • Relacionado com uma leve ortodoxia. Eles saem, pois Collor sofre impeachment.

Governo Itamar Franco

  • Plano Real é lançado no governo Itamar Franco
  • É um plano heterodoxo e ortodoxo, reconhece a inércia como elemento importante e reconhece a demanda também como elemento importante na pressão da inflação

3 fases:

  1. Ajuste fiscal (ortodoxo):
    1. ↑ Impostos
    2. ↓ Gastos: governo consegue a aprovação da Desvinculação das Receitas da União (20% das receitas da União são desvinculadas e o governo usa como quiser); é criado o Fundo Social de Emergência, para serem aplicados em situação de emergência (foi criado para não ser usado)
    3. Combate à sonegação
  2. Moeda indexada (base da proposta Larida): vigora por 4 meses (1.03.94 – 1.07.94)
    1. URV (Unidade Real de valor) é uma moeda de referência
    2. Dia 01: 1 URV – 2000
    3. Dia 02: 1 URV – 2200 è Inflação do dia, valor será corrigido pela inflação do dia
    4. Dia 03: 1 URV – 2350 è Inflação do dia, média dos 3 principais índices de preços
    5. Dia 04: 1 URV – 2500 è É moeda de referência
    6. Última cotação: 1 URV – 2750
    7. Governo exige que comerciantes coloquem o valor da URV e da inflação em lugares visíveis. Ao estabelecer esse processo de transição, faz com que os preços de URV não mudem. Não cria congelamento, elimina a inflação por meio da moeda plenamente indexada.
  3. Reforma monetária: substituição do Cruzeiro Real pelo Real (1 Real = 2750 cruzeiros reais)

Nos primeiros 12 meses, a inflação resiste a cair (2 dígitos) à memória inflacionária é apagada ao longo do tempo. A estratégia está baseada no binômio: política monetária e âncora cambial:

Política monetária: juros elevados para conter demanda, compulsório elevado (100%, sem dinheiro para emprestar – dificulta consumo) e venda de títulos para enxugar bens circulantes

Âncora cambial: real valorizado (↑importação ↑concorrência ↓custos)

Câmbio: 1 URV = 1 USD / após lançamento do real: bandas cambiais, há flutuação.

Sucesso do Real

TPS: Sim, demanda se expande no Plano Real.

  • Desindexção sem congelamento (eliminar a inércia inflacionária sem congelamento): respeita as flutuações de mercado, respeita oferta e demanda;
  • Volume de reservas internacionais: em decorrência de 1993 – Plano Brady há refinanciamento da dívida externa e Brasil volta a receber investimento estrangeiro em grande quantidade, bem como há grande liquidez no plano internacional, relacionado ao crescimento americano;
  • Abertura comercial feita pelo Collor: quando a demanda se expande, deve haver uma oferta que acompanhe (demanda nacional não acompanha), precisando assim de produtos importados para acabar com a inflação;
  • Continuidade da estratégia: âncora cambial e da política monetária contracionista para que haja asfixiamento da inflação residual.

1º Governo FHC

. Inflação que resiste à queda (ainda é alta, com 2 dígitos)

. Relacionada à memória inflacionária; pessoas continuam a aumentar os preços

. Continuidade de estratégia do governo Itamar

∟ Âncora cambia

∟ Política monetária contracionista (conter demanda agregada)

. Política Monetária contracionista: foco na inflação

∟ Juros elevadíssimos (1995: taxa Selic 46% a.a.)

∟ Compulsório elevadíssimo (100%)

∟ Venda de títulos (↑dívida pública interna)

∟ Juros elevados atraem dólares

. Âncora cambial

∟↓custo dos insumos importados

∟↑concorrência

Balança de Pagamento entre 1994 e 1997:

CC: deficitária

. Balança Comercial (-)

. Balança Serviços (-)

. TU (Pequena)

CKF: superavitária

. Especulativo (juros)

. Investimento Estrangeiro Direto (privatizações)

Aprofundamento do processo de privatizações

∟↑eficiência da economia

∟↓impacto sobre o governo

∟ ↓custos

∟ ↑qualidade

∟↓preços

∟ Privatização da Vale e do Sistema Telebrás

Saneamento do Sistema Financeiro por meio da Proer (96) e vai constituir um novo marco regulatório (vigor até hoje, Bancos são fortemente regulados)

Dívidas estaduais

  • Governo federal assume as dívidas dos estados, mas proíbe-os de vender títulos (somente o governo federal pode vender títulos)

Desgaste da estratégia da âncora cambial

  • Crises (95, México; 97, Ásia; 98, Rússia)
  • Aversão ao risco: investidores acham que não devem investir no Brasil, pois é arriscado, uma vez que o Real pode desvalorizar;
  • Fuga de capitais;
  • ↓do ritmo de privatizações, uma vez que não há mais o que privatizar (’98);
  • Entrada de USD < Saída de USD;
    • ↓Reservas Internacionais;

Brasil sofre com ataques especulativos

  • Em junho de 98, o Brasil consegue empréstimo de USD 30 bilhões

2º Governo FHC

  • Janeiro 1999: Francisco Lopes (bandas diagonais)
    • Precipitou o abandono da âncora cambial
    • Janeiro de 1999: Abandono da âncora cambial è Brasil passa a ter câmbio flutuante è Real sofre desvalorização expressiva em poucos dias
    • Pressão sobre a inflação
    • Armínio Fraga: Política do Tripé
      • Adotar o câmbio flutuante
    • Política monetária fortemente contracionista (seguirá o regime de metas de inflação)
    • Política fiscal ativa (regime de metas de superávit primário è metas de inflação)
    • Se ↑inflação, o Bacen ↑juros há ↓crescimento (em função da contenção da demanda), o que vai ↓inflação, abre espaço para ↓juros e abre espaço para ↑crescimento, o que gera ↑inflação. Sistema viciado que sempre acaba com inflação alta.

1999: ↑Juros ↓Gastos è ↓inflação e ↓crescimento

2000: ↓Juros

∟Recuperação do crescimento associada à ausência de crises (externas e internas)

2001: ano catastrófico

Situação A: apagão elétrico (não tinha oferta de energia elétrica)

↑Juros e ↓Gastos: ↓crescimento

Situação B: 11 de setembro: cenário de incerteza, insegurança e medo

∟ No Brasil, há fuga de capitais, que desvaloriza o real, há pressão na inflação (↑juros,↓gastos = ↓crescimento econômico)

Situação C: Dezembro de 2001: Crise na Argentina

∟Aversão aos emergentes

∟ No Brasil, há fuga de capitais, que desvaloriza o real, há pressão na inflação (↑juros,↓gastos = ↓crescimento econômico)

2002: ano das eleições

‘Um outro Brasil é possível’: propostas petistas

  • . Limites para gastar com juros
  • . Controle de capitais
  • . Promessa de rever as privatizações (auditoria)
  • . Plebiscito sobre a dívida externa (pagar ou não)

Em um ambiente de incerteza há:

∟ Fuga de capitais, que desvaloriza o real, há pressão na inflação (↑juros,↓gastos = ↓crescimento econômico)

∟Pressão na inflação

∟ Taxa de câmbio subiu para RS 4,00

∟↑Juros ↓Gastos -> ↓crescimento econômico

Governo Lula

Herança de 2002:

∟↑Taxa de Câmbio

∟Pressão sobre a inflação

Choque de credibilidade: formação da equipe econômica, à frente do Bacen (Henrique Meirelles, banqueiro profissional – Bank Boston) e da Fazenda (Palocci)

Estratégia:

2003

↑Juros: contenção de fuga de capitais

↓Gastos

↓Crescimento

2004: ano de recuperação em termos de crescimento e credibilidade

. Influxo de capitais significativo

. Bacen adota uma diretriz: ACUMULAR RESERVAS INTERNACIONAIS, PARA REDUZIR A VULNERABILIDADE EXTERNA, BLINDANDO O BRASIL DE EVENTUAIS CRISES QUE POSSAM OCORRER, mediante superávits na Balança de Pagamentos.

. ↓Risco Brasil

2005: Mensalão

É a primeira vez que há divórcio entre economia e política

. Política econômica é de Estado e não de governo: não há incerteza, ela é mantida;

. ↓Risco Brasil cai 1/10

. Acumula RIs na CKF (Risco x Retorno), relacionada à superávits na CKF (atração de capital especulativo, ↓Risco Brasil x ↓Juros) = aplicar recursos no Brasil torna-se mais interessante

. ↓Dívida Externa Pública acompanhada do ↑da dívida interna pública

BP (+) -> Entrada de USD > Saída de USD (mais gente trocando reais por dólar do que o contrário) -> Aumentar a circulação de reais è venda de títulos, o que ↓quantidade de reais.

2006-2007: aceleração do crescimento

∟Puxada pelo setor externo (Balança Comercial): Período de Crescimento Mundial, ↑Commodities, Novos mercados (aumentar o número de diplomatas), Crédito para o Exportador;

∟PAC

∟Programas de Transferência de Renda (Bolsa Família)

∟ ↑Crédito consignado

PIB do Brasil

PIB = ↑C + ↑I + ↑G + ↑(X – M)

. Preço mundial, commodities;

. Aumento de Arrecadação, por meio do combate de sonegação; redução dos gastos com juros;

. Em cima do aumento do crédito (BNDES, BB); BNDES pega mais dinheiro emprestado por meio do Tesouro (ampliar o crédito para as empresas);

. Transferência de Renda e Crédito consignado.

∟Efeito Multiplicador interessante (elementos que impulsionam o crescimento brasileiro)

∟ Efetividade no aumento da arrecadação em função de controles mais eficientes (juros)

Governo Lula

2005: Mensalão

∟Política x Economia è Divórcio entre política e economia

∟ Política Econômica de Estado

Tripé econômico

  1. Câmbio flutuante
  2. Regime de metas de inflação cumprida pelo Bacen
  3. Metas de superávit primário (Resultado de economia para pagar juros da dívida)

↓Risco Brasil > > ↓Juros

2006-2007: aceleração do crescimento

PIB = C + I + G + (X – M)

  • ↑ Consumo: programas de transferência de renda, sucessivos aumentos do salário mínimo e de ampliação do crédito;
  • ↑ Investimento: ampliação do PAC, do crédito por meio de financiadores públicos (BNDES);
  • ↑Gastos: aumento da arrecadação (↑arrecadação; combate à sonegação);
  • ↑ Exportações líquidas: elevado preço das commodities, ↑crescimento mundial, liquidez do sistema financeiro internacional.

2008: início com fortíssimo crescimento

∟É uma continuidade do processo 2006-2007

∟15.09.2008: crise americana (crise financeira internacional)

. Gera a ↓crescimento mundial a partir dos EUA, exceto China

. ↓Liquidez do Sistema Financeiro Internacional

PIB = ↓C + ↓I + G + ↓(X – M)

↓(X – M): ↓Demanda Externa

↓I e ↓C: Liquidez do sistema financeiro (efeitos multiplicadores = ciclo recessivo); tendência ao ciclo recessivo; interpretação keynesiana. Bancos brasileiros ficam sem dinheiro para emprestar, o dinheiro que têm, têm medo de emprestar. Bancos, inclusive privados, entram em greve.

Como o governo brasileiro enfreta a crise:

  • Política anticíclica utilizando o manual keynesiano
    • Política monetária anticíclica:
      • ↓Depósito compulsório (0) bancos podem sacar livremente para terem mais recursos em caixa para que, assim, pudessem oferecer mais crédito. Não foi o que aconteceu, os bancos utilizaram o dinheiro do compulsório para comprar títulos da dívida pública.
      • ↓Selic: diminuir o custo de captação dos bancos para incentivá-los a oferecer crédito (consumidor ou empresário);
      • ↑Crédito via bancos federais (Caixa Econômica, BNDES e BB). Bancos federais estão mais endividados.
        • Banco privados à R$ à Governo à Crédito à Banco privado
        • BNDES -> R$ -> Governo à Crédito à BNDES à Clientes
        • Política fiscal anticíclica: segundo a política keynesiana essa é mais efetiva:
          • ↓Impostos (IPI: automóveis, imóveis, construção civil): ↓preços dos produtos industrializados, o que incentivaria o consumo;
          • ↓Imposto de Renda (faixas do IR): ↑renda disponível das famílias, o que geraria um impacto positivo sobre o consumo;
          • ↑Gastos: ↑Bolsa família (valor e número de pessoas contempladas) -> Recuperação do consumo;
          • ↑Seguro Desemprego: ↑Renda disponível, o que ↑consumo;
          • ↓Meta de superávit primário: havia expectativa de ↓arrecadação e de ↑gastos (na prática: não cumprimento da meta de superávit primário).

∟ Sucesso da política anticíclica no que diz respeito à recuperação do crescimento nos anos de 2009-2010. Recuperação calcada no mercado interno.

Quais são os fundamentos macroeconômicos que permitiram ao Brasil enfrentar a crise de 2008 com mais tranquilidade do que crises anteriores:

  1. Volume de Reservas Internacionais (200 bilhões de USD), acumuladas por meio do superávit no BP (CC + à commodities; CKF + à capital especulativo; em abril/2008 o BR atinge o grau de Investment Grade – pouco arriscado);
  2. Sistema bancário regulado (sólido);
  3. Política Econômica do Tripé não foi alterada
  4. Risco Brasil Baixo
    1. ↓Selic foi reduzida a um patamar inferior ao dos juros internacionais (juros absolutos houve queda)
    2. Em termos relativos houve ↑juros
    3. Mercado interno representativo, mais de 80% do PIB
      1. Crescimento econômico é dependente do mercado interno
      2. Política anticíclica implementada pelo governo brasileiro

Anos 2009-2010: anos de recuperação do crescimento econômico

Crescimento econômico acompanhado de inflação

  • Relacionada aos fundamentos e à política anticíclica;

Crescimento acontece devido ao efeito multiplicador ↑C ßà ↑I

  • ↑Demanda Agregada > ↑Oferta Agregada = Inflação (o governo encerra com 5,8% aa, são mantidas até o primeiro trimestre de 2010);
  • Final de 2010: ↑compulsório para acabar com a inflação (política monetária contracionista).

Governo Dilma

Política monetária

  • Continua em vigor o regime de metas contra inflação (Meta: 4,5% aa, referência é o IPCA, com margem de tolerância de 2 pontos para cima e para baixo)
  • Maior ingerência/influência do Executivo no Banco Central

Anos 2011/2012

  • Bacen aumentou a taxa de juros para combater inflação em um primeiro momento;
  • Redução do juro em um segundo momento, tem por finalidade preocupações com o crescimento (efeitos da crise europeia sobre o Brasil);

Inflação em 2011, pelo IPCA, de 6,5% aa à no topo da meta

∟Maior tolerância em relação à inflação está relacionada com maior preocupação com crescimento econômico.

Política fiscal

É um governo disciplinado na política fiscal.

. Segue a aplicar o regime de metas de superávit primário.

∟Cumprimento das metas está relacionado com um aumento da arrecadação (IRPF);

. Cortes de gastos

∟ Baixos reajustes salariais

∟Greves

(Orçamento de 2011 à cortou R$50 bi; no de 2012 à pretende cortar R$55 bi)

. Reforço na disciplina fiscal

Política Cambial

  • Regime de câmbio flutuante
    • Até a crise europeia, o Brasil estava enfrentando um processo acelerado de valorização cambial. Está relacionado com Entrada de USD > Saída de USD
      • Entrada de USD: alto preço das commodities, juros elevados e muita entrada de capital especulativo;
      • Saídas de USD: viagens internacionais (política de vistos), aumento nas remessas de lucros (Santander, TIM), remessas de juros;
      • 2012: Tendência de desvalorização do R$ está relacionada com a saída de USD, que está relacionada com a ↑aversão ao risco (investidores trocam reais por dólares) è USD é sinônimo de segurança.
      • ↑Taxa de câmbio tem dois efeitos:
        • ↑Competitividade do produto brasileiro
        • ↑Inflação (custos dos insumos importados ficam mais altos e ↓concorrência porque os produtos importados entrarão mais caros).

Governo Dilma

Política Monetária

Regime de Metas de Inflação

∟↑Tolerância com a inflação

∟↓Autonomia do Bacen, maior influência do Executivo na política de estabelecimento de juros

∟↓Selic (menor venda títulos)

∟↓Spread bancário com o aumento da concorrência por meio dos bancos públicos

Política fiscal

∟Metas de superávit primário (estão sendo cumpridas e devem ser cumpridas)

∟ Cortes nos gastos como forma de cumprimento da meta e também para abrir espaço para a queda dos juros (↓gastos à vende menos títulos à ↓juros)

Política Cambial

∟Câmbio flutuante

∟Apreciação do real: entrada de USD > saída de USD

∟ ↑taxa de câmbio por causa da crise europeia (aversão ao risco se materializa em uma demanda maior de USD, o que leva a valorização do USD e desvalorização do real).

Política Comercial

. Semelhança com a política do governo Lula

. Diversificação de mercados para diminuir a dependência dos países centrais e da China (visita à Índia, como alternativa do mercado chinês); Índia tem grande mercado consumidor, pode ser um grande consumidor dos produtos brasileiros;

. Crédito ao exportador tem se ampliado (desde Lula), por meio do Banco do Brasil e do BNDES

. Incômodo em relação à primarização (↑Primários): Dilma é cepalina, com isso tem o risco de se tornar mais vulnerável e sofrer com a deterioração dos termos de troca; Quando a China parar de crescer, haverá diminuição da DTT à Política industrial que pode favorecer o peso dos ↑produtos manufaturados

. G-20: Brasil tem discurso favorável ao livre-comércio, que é uma excelente forma de sair da crise econômica, afinal pode-se ter um aprofundamento do comex à ↑produção à ↑emprego/renda à ↑crescimento.

Efeitos da crise europeia sobre o Brasil

. É uma crise relacionada à dificuldade do refinanciamento da dívida pública (países gastam mais do que arrecadam)

∟ Alemanha (clássica) à franceses são críticos à opção alemã= Recessão

↓Gastos/↑Impostos (ajuste fiscal) à ↑SG (poupança do governo) à ↓Juro à ↑Consumo/↑Investimento

∟ França (Keynesiana) = Crescimento

Pacote de incentivos ao crescimento (por meio de redução de impostos) à ↑Gastos/↓Impostos à ↑Demanda Efetiva à ↑Crescimento/emprego/renda à ↑arrecadação/↓dívida

∟ BRASIL

Efeitos diretos

PIB = C + I + G + (X – M)

↓(X-M): Brasil está sendo afetado com a diminuição da demanda externa; Ela tem 2 efeitos:

  1. ↓Quantidade dos produtos
  2. ↓Preço dos produtos exportados, especialmente as commodities

↓Investimento: Diminuição da liquidez do Sistema Financeiro Internacional (Sexterno)

↓Consumo: ↓crédito em função da liquidez do Sistema Financeiro Internacional

↓PIB: crise está tendo efeito sobre o crescimento

Governo vem adotando política anticíclica para conter os efeitos da crise europeia no Brasil (IPI)

CENÁRIO: Caso haja reversão do quadro externo (positivo)

. ↑Demanda Externa

. ↑Quantidade dos produtos exportados

. ↑Preços

. ↑Crédito

. ↑Liquidez

. Entrada USD > Saída USD à valorização do Real

. ↑Crescimento à ↑Bolsas

Contas Externas – BP

Saída USD > Entrada USD

I. CC -:  saldo = -USD58 bilhões / Sexterno = precisava de +USD 58 bilhões

∟ BC +: superávits menores, por causa das exportações de commodities; por causa também da China

∟BS -: impulsionado pelas viagens internacionais (desvalorização do real) e também devido aos fretes e aos seguros (Brasil é importador desses elementos); tendência que este déficit permaneça, mas um pouco menor

∟Balança de Rendas -: sofre por causa das remessas de lucros e juros para as matrizes

∟Transferências Unilaterais +:  devido às doações

II. Conta Capital e Financeira: Saldo = +USD 111 bilhões

∟Entrada e saída de I.E.D

. Mercado consumidor

∟Capital especulativo que depende dos juros que Brasil oferece

∟Empréstimos (recebe mais do que envia, relacionada à liquidez do SFI)

2011: SCC + SKF = +53bilhões

2012: RIs = USD370 bilhões; aplicadas em títulos do tesouro americano, em títulos de outros países, recursos que foram emprestados ao FMI, no Fundo soberano brasileiro, em ouro, em espécie e torne um possível financiador da dívida europeia. O Brasil é um potencial financiador da dívida europeia.

Fundamentos

1. Volume elevado de RIs

2. Sistema bancário regulado

3. Câmbio flutuante

4. Risco Brasil baixo

5. Mercado consumidor interno

6. Metas de inflação e de superávit primário

Moedas brasileiras

Brasil, entre 1889-1942 teve como moeda o real. Entre 1942-1986, o Brasil teve como meda o cruzeiro. Entre 1986-1989, o Brasil teve o Cruzado. Entre 1989-1990: Cruzado Novo. Entre 1990-1993: Cruzeiro. Entre 1993-1994: Cruzeiro Real. De 1994 até hoje: Real.

Câmbio

FIXO: taxa determinada pelo Bacen, não significa que não pode ser alterado.

. 1889-1906: Flutuante

. 1906-1914: Fixo

. 1914-27: Flutuante

. 1927-1999: Fixo como regra geral. Períodos de mini e maxidesvalorizações cambiais, tentativas de câmbio flutuante.

. 1999-hoje: Flutuante

Resultado do BP + = ↑RIs

∟Entrada de USD > Saída de USD

∟Valorização do Real

∟Expansão da base monetária, para que não haja inflação = enxugamento por meio da venda de títulos

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Uma resposta para “Formação Econômica Brasileira: a década perdida, os anos 90 e a atualidade

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