Economia Internacional: Modelos de Comércio Internacional (ricardiano, Hecksher-Ohlin e padrão)

O mundo está cada vez mais interdependente e o comércio internacional é, do ponto de vista econômico, o grande motivo para que isso aconteça. Para entender as relações comerciais, bem como a exportação e a importação de bens de determinados países, faz-se necessário entender alguns dos fatores do comércio interestatal, como recursos – escassos ou não -, produtividade e especialização.

A alocação dos recursos faz um país exportar mais o que lhe é abundante e importar o que lhe é escasso. A produtividade determina a forma de como o capital, a terra e trabalho são utilizados na produção, tornando determinado país apto a exportar mais ou menos de determinado bem. A especialização, por meio de tecnologia ou simplesmente por expertise, faz um país ser mais eficiente, pois pode produzir em larga escala.

– Ganhos do comércio

  • Possibilidade de consumir bens e serviços além do que o país produz internamente;
  • Efeito especialização;
  • Eficiência nos ganhos de escala;
  • Trocar recursos atuais por recursos futuros.

Quem o comércio prejudica?

O comércio internacional prejudica aqueles que detêm recursos intensivamente utilizados em setores que competem com importações.

– Os efeitos das políticas governamentais sobre o comércio

Várias são as medidas para afetar o volume de comércio:

  • Tarifas;
  • Cotas;
  • Subsídios às exportações;
  • Outras regulamentações.

Quem comercializa com quem?

03 teorias:

  • Tamanho & Distância;
  • Vantagens produtivas: diferentes recursos;
  • Escala

– Modelo de gravidade: relação entre o tamanho da economia (PIB) e o tamanho da Balança Comercial.

“O modelo de gravidade apresenta uma análise mais empírica dos padrões de comércio em contraposição aos modelos teóricos discutidos acima. O modelo de gravidade, basicamente, prevê que o comércio será baseado na distância entre os países e na interação derivada do tamanho das suas economias. Outros fatores como a renda, as relações diplomáticas entre países e as políticas de comércio foram incluídas em versões expandidas do modelo.”

–> Economias grandes produzem mais bens, portanto, têm mais a vender;

–> Economias grandes geram mais renda, portanto, podem consumir mais importados.

Além to tamanho, outros aspectos são importantes:

  • Distância: o que incorre em custos de transporte e comunicação;
  • Geografia: portos, barreiras físicas;
  • Afinidade cultural;
  • Inserçã de corporações multinacionais

Modelo ricardiano

– Custo de oportunidade

  • Produzir 1 unidade do bem A é a quantidade do bem B não produzido (vice-versa);
  • Como saber quanto produzir do bem A e do bem B?

Perguntas a fazer:

  1. Qual é o país menos produtivo em tecido? Portugal
  2. Qual país tem menor custo de oportunidade para produzir vinho? Portugal

Se Portugal abrir mão de fabricar tecido, produzirá muito mais vinho.

Assim, Portugal se especializa em vinho e Inglaterra se especializa em tecido.

– Vantagem Comparativa

A vantagem comparativa é a “vantagem na produção do bem para o qual o custo de oportunidade é mais baixo.”

Modelo ricardiano (1 fator)

  • Apenas um fator de produção;
  • Produtividade do trabalho varia entre países (tecnologia, educação);
  • Oferta de trabalho é constante;
  • Apenas dois países são levados em consideração: local e estrangeiro;
  • Salário recebido é função da produtividade e do preço do bem que é produzido;
  • Trablhadores escolhem trabalhar onde lhes proporcione melhores salários;
  • São produzidos e consumidos dois bens: queijos e vinhos.

Assim, deve-se analisar:

  • Alv: # de horas de trabalho para produzir 1l de vinho no país local;
  • Alq: # de horas de trabalho para se produzir 1kg de queijo no país local
  • Oferta de trabalho = L

– Possibilidade de produção

alv.Qv + alq.Qq <= L

aLQQQ + aLVQV <= L

– Produção, preços e salários

Pq = Preço unitário do queijo

Pv = Preço unitário do vinho

Mercado de trabalho competitivo: salários = valor da produtividade

Wq = Pq / aLq e Wv = Pv / aLV

Se Pq / aLQ > Pv / aLv -> só há trabalhadores produzindo queijo

Pq / Pv > aLq / aLv -> preço relativo do queijo excede o custo de oportunidade de produzir queijo; só haverá produção de ambos se Pq / Pv = aLq / aLv

– Vantagem absoluta

  • Local é mais eficiente em tudo (x* = país estrangeiro)

aLQ < a*LQ e aLV < a*LV

// Hipótese de ausência de comércio

Local: Pq / Pv = aLQ / aLV

Estrangeiro: P*q / P*v = a*LQ / a*LV

// Hipótese com comércio

Oferta relativa: Qoq + Q*oq / Qov + Q*ov

Demanda relativa: Qdq + Q*dq / Qdv + Q*dv

Quanto se produz a cada preço?

– Oferta

Se aLQ / ALV > Pq / Pv = não se produz queijo.

Por quê? Prova:

Pq / Pv < aLQ / aLV –> Pq / aLQ < Pv / aLV –> Wq < Wv (local se especializa em vinho)
aLQ / aLV < a*LQ / a*LV (vantagem local) -> Pq / Pv < a*LQ / a*LV -> W*q < W*v (estrangeiro se especializa em vinho)

  • Se Pq / Pv = aLQ / aLV (país local é indiferente entre produzir queijo ou vinho, mas país estrangeiro só produz vinho)
  • Se a*LQ / a*LV > Pq / Pv > aLQ / aLV (país local só produz queijo e país estrangeiro só produz vinho)
  • Se a*LQ / a*LV = Pq / Pv (país local só produz queijo e país estrangeiro é indiferentes entre produzir queijo ou vinho)
  • Se Pq / Pv = a*LQ / a*LV (não se produz vinho)

– Demanda

Se Pq / Pv aumenta e Qq + Q*q / Qv + Q*v diminui = efeito substituição

– Ganhos do Comércio

Pode-se pensar no comércio como uma forma indireta de produção.

1h de trabalho equivale a 1 / aLV e a 1 /aLQ

1 / aLQ é vendido por Pq / Pv . 1 / aLQ

Como Pq / Pv > a LQ / aLV, então Pq / Pw . 1 / aLQ > 1 / aLQ (pode-se consumir mais vinho)

– Mitos sobre o comércio

  • Comércio livre só é benéfico para os países que conseguem sustentar a sua produtividade em comparação com os demais (país forte e mais produtivo);
  • Competição no comércio internacional é imperfeita, pois há países que pagam salários mais baixos que outros, distorcendo a comercialização entre eles (preços, trabalho, produtividade);
  • O livre comércio explora os países menos produtivos.

Modelos Hecksher-Ohlin (dois fatores)

  • Países possuem abundância relativa de fatores de produção;
  • Processos usam fatores de produção com intensidade relativa.

– Premissas

  • Diferente do modelo ricardiano, de apenas um fator, trabalho, o modelo Hecksher-Ohlin contempla doi fatores: trabalho e terra;
  • Embora a quantidade de trabalho e terra seja distinta em diferentes países, elas são fatores constantes;
  • Bens são produzidos e consumidos: alimentos (A) e vestuários (V);
  • O salário recebido é uma função da produtividade e do preço do bem que é produzido;
  • Os trabalhadores escolhem trabalhar no setor em que se paga o maior salário;
  • Análise de dois países: local e estrangeiro.

– Possibilidades de produção

aTA.QA + aTV.Qv <= T (terra)

aLA.QA + aLV.Qv <= L (trabalho)

Sendo:

  • aTA: # de terra na produção de alimento / aTV: # de terra na produção de vestuário
  • aLA: horas de trabalho na produção de alimentos / aLV: horas de trabalho na produção de vestuário
  • L = oferta de trabalho / T = oferta de terra

– Hipótese

aLV / aLT > aLA / aTA –> aLV / aLA > aTV / aTA

  • Local é abundante em trabalho (relativamente)
  • Estrangeiro é abundante em terra (relativamente)

L / T > L* / T*

  • Local é mais eficiente na produção de tecido = oferta relativa de tecido é maior
  • Estrangeiro é mais eficiente na produção de alimentos = oferta relativa de tecido é menor

PT / PA < P*T / P*A = com comércio

PT / PA < P*T / P*A < P*T / P*A (país local exporta tecido e país estrangeiro exporta alimento)

–> Conclusão: um país será mais eficiente em sua produção quando utilizar mais o seu recurso abundante. Em outras palavras, o país exporta bens intensivo no recurso abundante e importa bens intensivos no recurso escasso.

Modelo-padrão de Comércio

O modelo-padrão de comércio combina os modelos ricardiano e Hecksher-Ohlin.

– Termos de troca, tarifas e subsídios

// Termos de troca: P*produto exportado / P*produto importado

Se P*produto exportado aumentar, melhoram os termos de troca e o bem-estar.

P*T / P*A depende da oferta e da demanda relativa mundiais.

Com comércio livre PT / PA = P*T / P*A, porém, tarifas e subsídios distorcem os preços mundiais e os preços em cada país.

// Tarifas: supor que o país local produza tecidos

Se o país local cobra uma tarifa sobre alimentos:

PA sobe e PT / PA cai, em um cenário que a oferta relativa de tecidos cai e a demanda relativa de tecidos sobe. Assim, aumenta-se a renda do produtor doméstico de alimentos, mas piora o bem-estar dos consumidores de importados, melhorando, dessa maneira, os termos de troca entre os países (P*T / P*A sobe).

// Subsídio: supor que o país local produza tecidos

PT sobe e PT / PA sobe também, em um cenário que a renda do produtor doméstico de tecidos aumenta, mas piora o bem-estar dos consumidores de bens nacionais, incorrendo, dessa maneira, na piora dos termos de troca entre os países (P*T / P*A cai).

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