Relações Bilaterais: Brasil-China

  China

Por Patricia Galves Derolle*

Relações Bilaterais Brasil-China

A República Popular da China / 中華人民共和國 é, atualmente, um dos principais parceiros brasileiros e as relações bilaterais são de longa data. Em 1881, Brasil e China assinam Tratado de Amizade, Comércio & Navegação, mas, somente em 1974 ocorre o estabelecimento efetivo das relações diplomáticas entre os dois países. Vale ressaltar que durante 25 anos (1949-1974) o Brasil não reconheceu a República Popular da China devido a divergências ideológicas, reconhecendo somente Taiwan, onde abriu uma Embaixada, que, atualmente, serve como um escritório comercial sob o respaldo do Itamaraty. As relações bilaterais mais maduras iniciaram-se na década de 1980, quando a China, após a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung, passou a promover o desenvolvimento interno ao estilo do sistema capitalista de produção.

Em 1984, há a primeira visita presidencial feita pelo presidente Figueiredo, em que foram abertas novas representações diplomáticas. Houve, nesse período, a percepção do compartilhamento de princípios e valores, como o desenvolvimento, a estabilidade, a soberania, a autodeterminação e a não intervenção, e é nessa faixa de convergência que, em 1988, Sarney promove o continuísmo e o estreitamento das relações interestatais. É nesse ano que ocorre parceria em relação ao programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellites), sobre a construção e administração de satélites para rastreamento dos recursos naturais terrestres (clima, sistematização e uso da terra, recursos hídricos, imagens para licenciamento e monitoramento ambiental etc.).

Em 1993, ambos os países consideram-se mutuamente importantes e assinam acordo de parceria estratégica. As principais áreas de interesse bilateral atuais são pautadas em comércio, política, cooperação, energia e cooperação espacial. Em 2009, a China ultrapassou os Estados Unidos nas relações comerciais brasileiras. Essa relação é superavitária para o Brasil, que exporta ferro, soja e petróleo e importa produtos de valor agregado, como componentes e peças. O Brasil, por meio do Mercosul, iniciou diálogos, em 1997, com o país asiático para estabelecer acordo extrarregional, porém as negociações continuam incipientes.

Em termos de investimento, a China é, em fluxos anuais, o maior investidor do Brasil. Quanto à concertação comercial e política, destaca-se a COSBAN (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação), que é um mecanismo permanente de mais alto nível entre os governos do Brasil e da China, em que se integram onze subcomissões, responsáveis pelos campos político, econômico-comercial, econômico-financeiro, agricultura, energia, ciência, tecnologia e inovação, cultural, educacional etc. Há, também, o plano de ação conjunta Brasil-China (2010-2014), basicamente empresarial, em que envolve promessa chinesa de investimento de 1 bilhão de dólares, por meio da abertura de empresas chinesas no Brasil.

Ainda, em relação à política, entre os anos de 2011 e 2012, Brasil e China, além de Rússia e Índia, emitiram posições conjuntas sobre temas controversos, como a resolução 1973 sobre a Líbia – ambos abstiveram-se – e como a questão da Síria, em relação à qual demonstraram posição concertada, mas com divergências. No quesito cooperação, Brasil e China compartilham diálogos e ideias no BRICS, no BASIC e no G-20. Sobre energia, a Petrobras e a Sinopec (China Petroleum Corporation) são parceiras, em que a primeira busca apoio da segunda para finalizar as refinarias Premium 1 e 2 localizadas no Ceará e no Maranhão. Ademais, o Brasil quer exportar etanol para a China, que ainda se utiliza de carvão como principal forma de produção de energia.

A cooperação espacial gira em torno do programa CBERS: desde 1999 foram lançados três satélites, o CBERS 1, 2 e 2b. É, de fato, uma parceria assimétrica, uma vez que a China ainda colabora com grande parte do projeto. Os desafios dessa relação podem ser definidos pelo comércio, principalmente quanto à perda de competitividade dos produtos brasileiros frente aos chineses (guerra cambial), à concorrência com a China quanto ao continente africano, à preferência dos vizinhos, sobretudo da Argentina e aos produtos chineses.


V1* Patricia Galves Derolle é graduada e pós-graduada em Relações Internacionais. Já estagiou na Missão do Brasil junto à União Europeia, em Bruxelas, na Missão do Brasil junto à ONU, em Genebra; trabalhou no Escritório de Representação do Itamaraty em São Paulo e na Organização Internacional para Transportes Terrestres (IRU) em Genebra. Atualmente, é Advisory Board Member e Senior Editor da revista digital Modern Diplomacy e  fundadora do site e-Internacionalista. Contato: e.internacionalista@gmail.com

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