Macroeconomia aberta: Os fluxos internacionais de bens e capital. Regimes de câmbio. Taxas de câmbio nominal e real. Relação câmbio-juros.

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Por Embaixador Paulo Traballi-Bozzi


3.3. Macroeconomia aberta. Macroeconomia é o capítulo da Teoria Econômica que estuda os modelos agregados. Nestes modelos há a participação do Estado e as suas contas nacionais: a conta serviços, o comércio exterior {(importação (M) / exportação (X)} etc..

3.3.1 O conjunto das participações do Estado, das empresas e dos consumidores. Aqui não se trata do consumidor individual, ou melhor, da demanda individual; mas sim das demandas e ofertas agregadas das famílias, das empresas e dos Estados (as relações econômicas dos Estados entre si, com as empresas e com as famílias). Pode dizer-se que os macroeconomistas estão preocupados em examinar as relações de funcionalidade, as relações mecânicas, as leis de comportamento e as afinidades dentro de um determinado sistema (matricial, porque se entrelaçam, interrelacionam-se) de acontecimentos que são as contas nacionais, consumo agregado, o nível de investimento e a oferta de moeda. Ademais das medidas tomadas pelos governos que vão influenciar especialmente a formação do PIB, o nível de emprego e a ocorrência de surtos inflacionários ou da inflação crônica.

3.3.1.2. Definição de sistema: Um sistema é um conjunto complexo de elementos ligados entre eles, em função de um ou de vários objetivos pré-determinados que lhe são postos.[1]

3.3.1.2.1. Um sistema tem as seguintes características:

  • Interação.
  • Totalidade.
  • Organização.
  • Complexidade.
  • Composição de um sistema:
  • Uma fronteira ou um limite mais ou menos preciso. No caso da Economia trata-se da fronteira geográfica nacional.
  • Elementos. Os agentes econômicos fazem parte do sistema.

𝟐.𝟏.𝟑 𝑼𝒎𝒂 𝒓𝒆𝒅𝒆 𝒅𝒆 𝒕𝒓𝒂𝒏𝒔𝒇𝒆𝒓ê𝒏𝒄𝒊𝒂 𝒅𝒆 𝒇𝒍𝒖𝒙𝒐𝒔, 𝒎𝒆𝒓𝒄𝒂𝒅𝒐𝒓𝒊𝒂𝒔, 𝒆𝒏𝒆𝒓𝒈𝒊𝒂, informações, moeda.

2.1.4 As reservas. Os estoques que asseguram o fluxo de entrada e de saída dos elementos que participam da vida econômica (por exemplo: mercadorias, moedas e outros).

3.3.3.1 Os atributos de um sistema.

3.3.3.1.1 Os fluxos de entrada (inputs) e de saída (outputs). Os dejetos, a desordem e as perdas são elementos que formam a entropia do sistema; então: ∑inputs𝒐𝒖𝒕𝒑𝒖𝒕𝒔+𝒆𝒏𝒕𝒓𝒐𝒑𝒊𝒂

3.3.3.1.2 Centros de análise e decisão.

3.1.3. Retro-alimentação.

3.1.4. Prazo de ajustamentos do sistema. Pela análise dos fluxos e as decisões tomadas sobre o comportamento deles em determinado período de tempo (entradas e saídas), os sistemas se retro-alimentam e se ajustam.

3.1.5. Equilíbrio do sistema. O equilíbrio do sistema se concretiza por meio do equilíbrio dos fluxos monetários e das trocas. Por meio de um equilíbrio dinâmico em relação à variação nula entre os estoques de um ciclo a outro.

(Obs. Uma Economia é a aplicação utilidade U, uma alocação inicial (y¹….. yª) de mercadorias e um sistema de preços. O mercado sempre deveria alcançar um determinado número de alocações (Ótimo de Pareto); no entanto, alcança as alocações possíveis que são os equilíbrios competitivos entre os fatores de produção.[2]

3.3.2 Com estas precisões da análise sistêmica, os tomadores de decisão podem trabalhar os conceitos de macroeconomia, a perceber que os sistemas econômicos mundiais estão interligados e interrelacionados e têm entre si características semelhantes de atuação e funcionalidade.

3.3.2.1 No mundo globalizado, ou plano de Thomas Friedman (Joseph Stiglitz analisa de modo diverso a globalização e os seus efeitos sobre os sistemas econômicos, ver do autor How Globalization Works e O Mundo em Queda Livre, 2010 ), as ocorrências da fenomenologia econômica são quase simultâneas e os seus efeitos são planetários (O paradoxo da borboleta). No entanto, a boa análise não é feita por meio de certezas absolutas. É preciso sempre desconfiar. Na Análise Econômica entender o jogo do possível e do provável é sempre necessário. Se em um determinado sistema econômico as variáveis comportam-se de uma maneira; em outro, poderão comportar-se de modo diverso. Por exemplo,o nível de emprego na economia será um no Brasil e outro nos Estados Unidos. Ainda, os subconjuntos de certas variáveis podem mostrar-se em conflito. Ainda o exemplo do nível de emprego em uma determinada economia pode variar, quando se examina o subconjunto emprego entre jovens: 18 >Jovens > 25, o resultado pode diferir para o conjunto Emprego, ou ainda, do subconjunto Adultos < 25; ou ainda do subconjunto, mulheres e assim por diante. De tal forma que o estudo da macroeconomia no mundo globalizado realiza-se também por meio de circunstancialidades que ocorrem em um dado sistema, mas podem não ocorrer em outro. O somatório de incertezas é rico e é necessário levá-lo em consideração. Por fim, diga-se que a História Eeonômica conta que, no século XV, os banqueiros lombardos financiavam, por meio de cartas de crédito, os tzares russos. As casas bancárias da City londrina conseguiram expandir-se mundialmente sem contar com o uso de computadores, conectados em rede mundial em tempo real. Estamos falando de transações financeiras que ocorriam nos séculos anteriores à Revolução Industrial, ao uso da eletricidade e das invenções como o telegráfo e as primeiras máquinas de calcular (computadores primitivos) de Charles Babache e Linda Lovelace, assim como antes do avanço da Álgebra das Funções, de Newton.

3.3.2.1.1 Uma lição de Schumpeter lembra-nos de que: Economics is only an observational and interpretative science which implies that in question like ours (Can Capitalism Survive?) the room for difference of opinions can be narrowed but not reduce to zero. For the same reason the solution for our first problem only leads to the door of another which in an experimental sciencewould not arise at all.[3]

3.3.2.2 Se consideramos que os conceitos teóricos acima expostos ajudam a identificar o que ocorre no mundo, devemos considerar também as notas de cautela do item 3.3.2.1. Tenha-se presente que se o arsenal teórico e conceitual serve para a análise de situações assemelhadas aqui e acolá, não servirá para acontecimentos desiguais que poderão ocorrer aqui e acolá. Os sistemas da economia norte-americana administram-se e analisam-se pelo conjunto teórico, que serve ultima ratio para administrar e analisar quaisquer outros sistemas econômicos. Contudo, as ocorrências fenomenológicas na economia francesa serão diferentes das que se sucedem na economia brasileira (é só lembrar os anos de inflação alta, ou hiperinflação para que se tenha um bom exemplo da complexidade da análise econômica) e consequentemente diferentes da norte-americana. Os Estados Unidos da América, como emissor universal da moeda de referência internacional para o comércio – o dólar – puderam contornar a crise sistêmica em que se viram envolvidos no período 2008/2009, por meio de uma política monetária expansionista. Injetaram no mercado uma quantidade maciça de moeda (quantitative easing), o que aliviou a pressão do crédito para as suas empresas e consumidores e proporcionou certa margem de manobra ao seu Banco Central (FEDERAL RESERVE) para controlar o consumo (a demanda agregada), animando o produto agregado (oferta agregada) à disposição do mercado consumidor. Com o alto volume de moeda à disposição do público, as taxas de juros puderam manter-se em níveis adequados (baixos), que, ao agir na demanda, animando-a, não ocasionou pressões inflacionárias e outras entropias estruturais, como o derrumbe do nível de emprego (relativamente). Mas, isto fazem os Estados Unidos; outras economias reagiram de modo diverso, apelaram para a renúncia fiscal, o que tem um efeito, mas perverso do que o de uma política monetária frouxa. A renúncia fiscal impacta negativamente as contas nacionais, fragilizando a política fiscal, com isto diretamente influenciando o equilíbrio de caixa do governo.

3.3.3 Conclusão: A Macroeconomia aberta é um fenômeno dos dias atuais. Se permanecerá ou não, no mundo dos mercados integrados, da globalização um tanto perversa, do Consenso de Washington, está para ser visto. Uma das mais duras lições que um economista pode ter é a de que se origina na sua ânsia em ser oráculo de sucessos exuberantes ou de catástrofes paralisantes. A Análise Econômica funda-se no conhecimento e serenidade científicos do analista e no seu limite no tempo. Os parâmetros sistêmicos não são tão poderosos ao ponto de permitir aos analistas que a bel-praze estendam os favoráveis por períodos largos de tempo e os desfavoráveis possam ser encerrados tão logo criam situações adversas. As ocorrências tanto de um quanto de outro recomendam mais cautela do que muitos economistas parecem querer tê-la.

Mais uma lição de Schumpeter: The first problem (da análise econômica) was to find out   whether there is (…) “an understandable relation” between the structural features of capitalism depicted by various analytic “models” and the economic performance as depicted, for the epoch of intact or relatively unfettered capitalism, by the index of total output.[4]

[1][1][1] Greset, Jean-François, Les Interdépendances économiques, p.332. Éditions Slatkine, Genéve, 2000.

[2] Simon, Carlos P. e Blume, Lawrence. Matemática para Economistas, p.574. Bookman, Porto Alegre, 2004.

[3][3][3] Schumpeter, Joseph A., Capitalism, Socialism and Democracy, Edição da Happer Perennial Modern Thought, 2008, p.107.

[4] Ib, ibidem, p. 107.

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