Nous sommes tous humains! O Caso Charlie e os desdobramentos nas Relações Internacionais

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Operários, de Tarsila do Amaral / Fonte: galeriadefotos.universia.com.br

*Por Lucas Lopes

Esta semana ficaram claras as repercussões que um atentado terrorista causa à comunidade internacional. Mais do quê um hashtag ou pontos de vista minados entre o “Je suis Charlie” e o “Jene suis pas Charlie”, o questionamento que se deve fazer é: O que este fato reflete em mim?

Isso é mais do que uma constatação narcisista caso a última frase do parágrafo anterior seja lida com desatenção. É um caso que merece a devida atenção e reflexão, pois, mesmo sendo todos humanos, opiniões são lançadas a torto e à direita e o que vemos a seguir não são debates: o que se percebe é muito mais as imposições dos achismos de quem as proferem do que debates saudáveis e com o uso de argumentações sobre o ocorrido. As Relações Internacionais ocorrem, antes de tudo, das relações das pessoas com seus pares de outras culturas e países – o que, por si só, já representa desafios suficientes para a chegada de consensos.

Este ataque terrorista é um desses fatos que merecem destaque pelas séries de implicações que assim levantam: Ataque terrorista a alvos civis; Morte de cartunistas; Motivações extremistas; Temores por não haver inimigos e campos de batalha claros e bem definidos; Ausência da sensação de paz (em especial na França); Atentado à Liberdade de Expressão; dentre outros apontamentos. Estes elementos aqui listados mais a soma das imaginações e estipulações de milhões ao redor do globo nos levam as mais variadas análises, pensamentos, elogios e críticas ao “Je (ne) suis (pas) Charlie” (para melhor aproximação da realidade brasileira, recomenda-se a leitura de “Laerte: no Brasil Charlie Hebdo não existiria”).

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Imagem: Google Images / acapa.virgula.uol.com.br

Um dos fatos curiosos em termos das Relações Internacionais e da Cooperação Internacional em relação à caçada da terceira suspeita de auxiliar os ataques ao jornal Charlie Hebdofoi que ela conseguiu cruzar as fronteiras da Europa através da Turquia e, de lá, foi à Síria. É claro que este país tem uma localização estratégica e sensível em relação à entrada e saída de indivíduos, mas houve reclamação por parte primeiro ministro Turco da falta de comunicação das agências de inteligência quanto ao caso em específico (que aparentemente facilitou a passagem da suspeita pelo país).

Além disso, passada à grande marcha pela Liberdade na França, os olhares se voltaram, entre outros fatos, aos líderes mundiais que participaram da caminhada. A despeito das críticas que surgiram devido a forma como foi mostrada nos meio de comunicações mais tradicionais e o que circulou pela internet , um determinado estudante da London SchoolofEconomics utilizou-se muito mais do que a mera perspicácia, “(…) Daniel Wickham postou uma série de tuítes dando nome aos bois daqueles que andavam de braços cruzados em nome da liberdade de expressão, quando em seus próprios países eles não parecem tão preocupados em defendê-la (…)” (Para o link com as postagens no Twitter, clique aqui). É claro que os acontecimentos ao redor do mundo não pararam por conta do atentado, ou pelo menos as notícias afins ao causo não tiveram a mesma repercussão do que o ataque ao Charlie Hebdo e os sequestros subsequentes do que a estas manchetes (não se pode acusar se foi por conta do foco de quem transmitia às notícias ou se foi por conta quem as estavam absorvendo): Há pelo menos duas semanas, o BokoHaram está massacrando milhares de pessoas e usou até “crianças-bombas” para “alcançar seus objetivos”. Não esqueçamos que “De 162 países estudados pelo IEP (Institute for EconomicsandPeace’s), apenas 11 não estão envolvidos em nenhum tipo de guerra”.

Quando acontecimentos destes acontecem, a comoção da comunidade internacional é clara. Os temores que fatos como esses se repitam ou que aconteçam em outros locais do globo auxiliam na construção de parcerias e acordos na busca de utilizar da inteligência como ferramenta para prevenir o mesmo que aconteceu com o Charlie e em 11 de setembro (não descartando a intervenção militar por conta de grupos terroristas). É claro que há inúmeros fatores para que não encontremos a Paz proferida em centenas de discursos (como o do então presidente John F. Kennedy), mas a Cooperação Internacional ainda precisa ser muito mais efetiva não só para Charlie Hebdo, mas também para BokoHaram e as inúmeras outras violências que ocorrem diariamente e não chegam até nós. Ainda há muitos interesses que permeiam as Relações Internacionais (bem como as instituições e os povos dos países que compõe a nossa comunidade de nações) que não nos permitem enxergar além do ocorre no dito mundo ocidental.

Volto à frase do final do primeiro parágrafo, pois frisoa necessidade de reflexão: Alguns líderes que possuem aparentes conflitos com a liberdade de expressãomarcharam em Paris. Porém, marchar significou o que para cada um deles? O que significa serJe suis Charlie, je suis Malala, je suis Nabeela e tantos outros “je suis” para você? Faço minhas as palavras deste trecho do escritor e psicólogo Marlo López: ‘Tenho uma indisfarçável admiração pelas pessoas que, imediatamente após um acontecimento de grandes repercussões na mídia, destilam suas análises e seus pontos de vista com alguma autoridade sobre o assunto em questão. De verdade, não estou sendo irônico: adoraria ter esse raciocínio rápido, essa sapiência instantânea, essa inteligênciaarquivada, pronta para ser publicada (…)”.

P.S.: Por ser um tema delicado com muitas opiniões, o texto encontra uma série de hiperlinks para outras notícias, opiniões e colunas para melhor compreensão de um todo que ao longo dos dias será cada vez mais expandido.


Foto - Lucas Macedo[*] Advogado do Brígido, Teles e Alves Advogados Associados. Bacharel em Direito pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR (2014). Especializando Lato Sensu em Direito Processual Civil (UNIFOR). Especializando Lato Sensu em Direito e Relações Internacionais (UNIFOR). Especializando Lato Sensu em Relações Internacionais (DAMÁSIO). Especializando Lato Sensu em Estudos Diplomáticos (CEDIN).

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