Berlim no pequeno século XX (1914-1990)

 

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Imagem: by Mischa Heuer – Berlinside (https://www.facebook.com/berlinside)

Por Pedro Gryschek

Berlim já era uma grande cidade ao início da Primeira Guerra Mundial, em 1914; e, como capital da Alemanha, boa parte das decisões militares e civis do Governo do Kaiser Guilherme II foi tomada dentro dela. A Alemanha acabou por perder o conflito, mas, ao contrário do que aconteceria na Segunda Guerra, Berlim não foi fisicamente tão destruída e continuou sendo a capital da chamada República de Weimar, apelido da Alemanha entre 1918 e 1933.

Houve alguma celeuma ainda no final da década de 1910 e, também, no início da década de 1920, causada pela tentativa dos espartaquistas, liderados por Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, de fazer a revolução socialista na Alemanha. No entanto, o movimento, fracassado, foi mais forte em Munique (que também foi o berço para o partido nazista, a partir da década de 1920), que teve maior efervescência política que qualquer outra cidade alemã no período entre guerras.

Imagem: Eric Hobsbawm / Wikipedia

Imagem: Eric Hobsbawm / Wikipedia

Apesar de alguns contratempos, como a hiperinflação no começo dos anos 1920, Berlim continuou crescendo e experimentando grande efervescência cultural e científica em suas ruas e universidades. Viveram na cidade o grande Max Planck, alguns emigrados russos fugidos do novo regime comunista e Eric Hobsbawm, importante historiador que traz em sua obra “A era dos extremos” um relato sobre a ascensão de Hitler ao poder, em janeiro de 1933, entre outras figuras famosas. A ascensão de Hitler seria decisiva para o futuro de Berlim

Berlim não era muito simpática ao nacional-socialismo, assim como as outras cidades-estado na Alemanha (Bremen, Hamburgo e Lübeck), sendo que a última perdeu esse status durante o governo nazista. Mas, como sede do governo, acabou sendo uma das cidades que mais viu sua população sofrer e também alguns discursos inflamados de Hitler.

Já no início do regime hitlerista, a opressão de judeus e comunistas, além de outras minorias, começou a permear a vida da cidade, ainda que em grau irrisório comparado ao que viria, especialmente na década seguinte.

O primeiro episódio foi um incêndio provocado no Parlamento (Rathaus), cuja culpa recaiu, com certeza injustamente, sobre o Partido Comunista Alemão. Acabou sendo a deixa para a proscrição do partido, então um dos maiores do país. Hitler consolidava cada vez mais um poder inconteste sobre a nação germânica, em nome do que ele proclamava ser a raça ariana.

Falando em raça ariana, Berlim sediou os Jogos Olímpicos de 1936 (no Olympiastadion que, reformado, ainda recebe jogos de futebol – inclusive a final da Copa do Mundo de 2006 – e grandes eventos de atletismo – como o Mundial de 2009, que consagrou Usain Bolt). Nesses jogos, Hitler estava convicto de que seria provada a supremacia física dos germânicos. A Alemanha até liderou o quadro de medalhas, mas o grande destaque seria o afro-americano Jesse Owens, destaque no atletismo. Há inclusive a lenda – falsa – de que Hitler teria se retirado do estádio para não premiar o atleta (na verdade ele havia se retirado bem antes). Mal sabia que aquele não seria o último americano (ou melhor, não-ariano) a ser uma pedra em seu sapato.

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Imagem: Google Images / taringa.net

O último episódio pré-guerra digno de nota foi a Kristallnacht, de 1938, quando a depredação e saque de estabelecimentos e residências de judeus (ainda bastante numerosos em Berlim) foi levada a cabo por nazistas e simpatizantes. Infelizmente, como veremos no próximo texto, não seria o último ato opressor de Hitler e seus asseclas contra cidadãos berlinenses.


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* Pedro Gryschek é graduado e mestrando em Direito e apaixonado por História, viagens, culinária esportes e música. Nasceu e vive em São Paulo. Contato: phgryschek@gmail.com

 

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2 Respostas para “Berlim no pequeno século XX (1914-1990)

  1. Gostei do texto, assim como do anterior. Neste, o que me chamou atenção foi como os centros de efervescência cultural dificilmente “mudam de endereço”: no entra-e-sai de eras e fases, são quase sempre os mesmos na história de um país ou região. Neste caso, Berlim, Munique…

  2. Pingback: Berlim no pequeno século XX (1914-1990) – parte 2 |·

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