A SUSTENTABILIDADE NA GESTÃO PÚBLICA

MeioAmbiente

Por Arantxa Santos[1]

O conceito de sustentabilidade surgiu na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano realizada em 1972 na Suécia. Na ocasião, debateu-se pela primeira vez a relação do homem com a natureza, inaugurando novos termos e reflexões sobre a questão.

As reuniões posteriores, realizadas em 1992, 2002 e 2012, incentivaram ainda mais discussão sobre o meio ambiente e fortaleceram os conceitos voltados para a temática, entre eles a aplicação da sustentabilidade no cotidiano humano, como definição para a relação harmoniosa do homem com a natureza de modo a garantir os recursos naturais para as gerações futuras. O uso do termo ganhou espaço de maneira rápida, sendo incorporado no setor empresarial, nos meios de comunicação, na política pública, nas organizações da sociedade civil e em outros setores de nível local e global.

O impacto ao meio ambiente em consequência à concentração da população nos centros urbanos, considerando que atualmente mais da metade da população mundial vive em cidades, despertou a consciência em se estabelecer medidas que contornassem a situação sem prejudicar ou desacelerar o desenvolvimento econômico. Com isso, a sustentabilidade passou a ter influência na atuação das empresas, no comportamento social e nos projetos públicos, neste último caso o principal exemplo é a criação da ideia de cidade sustentável.

Uma cidade é assim definida ao implementar políticas sustentáveis na sua gestão pública, que preservem o meio ambiente considerando as necessidades da população, valorizando a melhoria da qualidade de vida, e que resultem no desenvolvimento econômico e social da cidade. Para adquirir essa definição a cidade precisa ser planejada e administrada através de práticas eficientes em diversas áreas, sejam ligadas direta ou indiretamente ao meio ambiente.

Entre as principais práticas sustentáveis aplicadas é possível citar as ações para a diminuição da emissão dos gases de efeito estufa com o intuito de combater o aquecimento global, o planejamento e qualidade do transporte público utilizando fontes de energia limpa, a criação de espaços verdes como parques para o lazer da população, entre outras medidas, que promovam a justiça social e ambiental. Outra atuação importante para caracterizar uma cidade sustentável é incentivar a população a fazer uso eficiente dos recursos naturais, evitar o desperdício de água, utilizar materiais renováveis, reduzir a poluição e ser consciente dos atos podem prejudicar o meio ambiente em longo prazo e que precisam ser evitados.

Embora não existam cidades totalmente sustentáveis, é possível identificar exemplos ao redor do mundo. Na cidade de Freiburg, na Alemanha, existem programas com foco no uso racional de automóveis, em Thisted, na Dinamarca, 100% da energia utilizada é de fonte sustentável, em Viena, na Austria, onde se prioriza a compra de produtos ecológicos por parte da prefeitura, além de outras cidades localizadas em sua maioria na Europa, que através de uma gestão pública com foco na preservação ambiental garantem o desenvolvimento da cidade e o bem estar da população.

Inclusive, no Brasil, existem exemplos de cidades sustentáveis, como é o caso de Curitiba no Paraná, cujo foco do planejamento urbano é voltado para a sustentabilidade, em João Pessoa na Paraíba, que destaca a proteção de áreas ambientais na gestão pública, em Paragominas do Pará, onde se investe no combate ao desmatamento, entre outras cidades brasileiras.

As cidades citadas acima são provas de que é possível aplicar a sustentabilidade nas políticas públicas, valorizando os recursos existentes, a realidade econômica e social de cada local, além de incentivar a participação dos todos os setores da sociedade nas decisões em prol do desenvolvimento sustentável.

É essencial compreender que o planejamento ambiental urbano aliado à preocupação com o meio ambiente, exemplificado nas cidades sustentáveis, é importante não apenas para a qualidade de vida da população, mas também para a garantia dos recursos naturais para as gerações futuras. Por isso, o incentivo à aplicação das práticas sustentáveis em meio à crise hídrica e escassez de alimentos pode colaborar para reduzir ou até mesmo evitar tais problemas no futuro.


servletrecuperafoto[1] Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade da Amazônia – UNAMA (2013) e com especialização em andamento em Gestão Ambiental pela Faculdade Ideal – FACI. Possui experiência na área de Administração, com ênfase em Comércio Exterior e Turismo, e na área de Relações Internacionais com ênfase em organizações internacionais, atuando principalmente em temas ligados ao meio ambiente.

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