O PAPEL DO BNDES NA ECONOMIA BRASILEIRA

Imagem: Google Images / Implicante.org

Imagem: Google Images / Implicante.org

Por Gustavo Rigonato*

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é uma empresa pública federal criada em 18 de junho de 1952, data em que a lei nº 1628 foi aprovada e dava origem, de início, ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico – o “S” de Social foi acrescentado somente na década de 1970 – tendo como objetivo inicial o financiamento em longo prazo dos setores modernizadores do país, tais como transporte, siderurgia e energia, promovendo o desenvolvimento do país. É uma das principais instituições de fomento do país.

O Brasil passou, inicialmente, por três períodos marcados pela expansão de investimentos conduzidos pelo setor público: o primeiro foi na segunda metade dos anos 1950 e está intimamente ligado a Juscelino Kubitschek e seu Plano de Metas. Foi marcado por ser um período de consolidação dessa instituição, não apenas como financiadora de infraestrutura para o país, mas também como apoiadora da indústria brasileira através de investimentos em desenvolvimento tecnológico, compra de máquinas/ equipamentos e instalação de novas indústrias.

A segunda fase foi durante os anos 1970 e o II Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico. Nessa nova fase da economia brasileira, o BNDES passa a financiar os setores de bens de capital e insumos. Assim, nessas duas fases o BNDES teve papel marcante como principal instituição financeira a prover recursos para investimentos no país.

Em seguida, a economia do país passou por uma fase de estagflação, queda de investimentos e também queda da renda per capita; a terceira fase de expansão dos investimentos só acontece, então, na década de 1990, com a abertura da economia brasileira e privatizações. Nessa fase, segundo Batista (2002), o BNDES “participou com o seu apoio técnico, financeiro e administrativo à privatização e à reestruturação da economia”.

Nesta terceira fase, destaca-se o período entre 1994 e 1997, quando os desembolsos do BNDES apresentaram crescimento de 300%, como demonstrado no gráfico 1 abaixo, sendo que neste último ano citado, o montante foi de R$ 18 bilhões; um dos principais motivos para isso foi a estabilização macroeconômica e o bom desempenho do Plano Real.

Gráfico 1 – Desembolsos reais do BNDES (a preços médios de 1997 em R$ bilhões)

grafico1

Fonte: ALÉM, 1998, p. 4

Destaca-se, nessa fase, que além dos montantes desembolsados para os setores tradicionais – como a indústria e a infraestrutura – também houve aumento do investimento no setor de serviços, tais como shopping centers, parques temáticos e no turismo. Além disso, nessa fase, a atuação do BNDES reflete-se também na área social: em 1996 é criada a Área de Desenvolvimento Regional e Social (AS) que visa fomentar a agricultura familiar, geração de empregos, os transportes em massa, saneamento básico e educação. Segundo Além (1998, p. 16), nessa fase o Banco teve como objetivos “melhorar a qualidade e expandir a oferta de serviços sociais básicos e maximizar as oportunidades de geração de empregos e renda”.

Depois dos anos 2000, o Banco assume novos compromissos (que caracterizam uma possível quarta e nova fase), aumentando suas operações com micro, pequenas e médias empresas – cerca de 36% dos desembolsos do BNDES – além do contínuo investimentos em infraestrutura e inclusão social, já destaques na década anterior. O gráfico 2, demonstrado abaixo, mostra no período compreendido entre 2000 e 2011, a ampliação dos desembolsos do BNDES e estes superam, pela primeira vez, a marca de 100 bilhões de reais.

Gráfico 2 – Evolução dos desembolsos do BNDES (2000-2011) – em R$ bilhões

grafico2

Fonte: COUTO e TRINTIM, 2012, p. 11

Segundo publicações do próprio BNDES, em seu Planejamento Corporativo 2009/2014, o Banco elegeu como principais aspectos do fomento econômico atual a inovação, o desenvolvimento local e regional e o desenvolvimento socioambiental. Resumidamente, segue histórico dos focos de atuação do BNDES ao longo da história, segundo Coutinho (2011, p. 4):

  • 1950: Infraestrutura econômica e siderurgia;
  • 1960: Indústria de base e bens de consumo;
  • 1970: Insumos básicos e bens de capital;
  • 1980: Energia, agricultura e integração social;
  • 1990: Infraestrutura privada – exportações;
  • 2000: Infraestrutura, estrutura produtiva, exportações e inclusão social;
  • 2010: Inovação, desenvolvimento sustentável, infraestrutura e internacionalização.

Assim, conclui-se que o BNDES teve papel essencial no desenvolvimento da indústria brasileira desde a década de 1950, estimulando setores e o desenvolvimento do país; ainda segundo Couto e Trintim (2012, p. 16) “como o setor financeiro privado é mais avesso ao risco e, de modo geral, não tem interesse em atuar nestes segmentos, coube ao setor público, através do BNDES, preencher essa lacuna”. Ou seja, a existência desse Banco é fundamental para a economia brasileira, investindo em infraestrutura, áreas sociais e grandes setores econômicos, capazes de promover o desenvolvimento do país como um todo.


 

REFERÊNCIAS

REGO, José Márcio R. e MARINO, Rodolfo Vilela. O papel do BNDES em um novo modelo de desenvolvimento: relatório final. Fundação Getúlio Vargas. São Paulo: 2008.

Disponível em:

<http://gvpesquisa.fgv.br/sites/gvpesquisa.fgv.br/files/publicacoes/o_papel_do_bndes_em_um_novo_modelo_de_desenvolvimento.pdf&gt;

COUTO, Ana Cristina Lima Couto e TRINTIM, Jaime Graciano. O papel do BNDES no financiamento da economia brasileira. Departamento de Economia/ UEM. 2012

BATISTA, Jorge Chami. O BNDES e o desenvolvimento brasileiro. Fórum Nacional: Estudos e Pesquisas, nº 39. Rio de Janeiro, setembro de 2002.

COUTINHO, Luciano. Papel dos bancos de desenvolvimento. Banco Regional de desenvolvimento do Extremo Sul. Florianópolis, novembro de 2011. Disponível em:

<http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/empresa/download/apresentacoes/Coutinho_BancosdeDesenvolv_112011.pdf&gt;

ALÉM, Ana Cláudia. O desempenho do BNDES no período recente e as metas da política econômica. Revista do BNDES, 1998. Disponível em: <http://www.bndespar.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/revista/rev903.pdf&gt;


unnamed

[*] Estudante de graduação em Relações Internacionais pela UNIMEP / Piracicaba (SP) e concomitantemente estudante de graduação em Gestão de Políticas Públicas pela UNICAMP/ Limeira (SP). Atualmente vice-presidente do Centro Acadêmico de Relações Internacionais UNIMEP. Possui interesse em política internacional, economia e administração pública. E-mail: gustavo.rigonato@gmail.com

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s