Seleção de Notícias #1: Relações EUA e Israel

Imagem: The Guardian / Obama & Netanyahu

Imagem: The Guardian / Obama & Netanyahu

Por Rafaela Marinho*

Falta menos de uma semana para a eleição que irá definir o novo primeiro-ministro de Israel. Na semana passada, um discurso do candidato à reeleição, Benjamin Netanyahu, gerou polêmica e, de acordo com a opinião de alguns especialistas (veja a compilação de análises ao final deste post), poderá causar efeitos tanto nos resultados na votação do próximo dia 17, bem como na relação do país com os Estados Unidos, tradicional e maior aliado de Israel.

Netanyahu foi ao Congresso dos Estados Unidos, a convite do presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, para defender sua posição contrária ao acordo nuclear do P5+1 (Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha) com o Irã. Ele aceitou o convite sem consultar a Casa Branca, gerando um mal-estar diplomático entre os países.

O presidente norte-ameircano, Barack Obama, disse que não receberia Netanyahu, alegando que a tradição é não recepcionar mandatários estrangeiros em campanha eleitoral. Pesquisas de opinião divulgadas após o discurso mostraram que o Likud, partido do atual primeiro-ministro, conseguiu um ligeiro aumento, ganhando um ou dois assentos, número que lhe garantiria empate técnico com o adversário Campo Sionista, de Isaac Herzog. O jornal israelense “Haaretz” disponibiliza um site com as previsões da corrida eleitoral.

O que disse Obama? 

O presidente americano qualificou a fala de Netanyahu no Congresso como uma distração que não será “permanentemente destrutitva” para as relações entre EUA e Israel. Nas declarações na Casa Branca, após o discurso, Obama disse que Netanyahu não apresentou “alternativas viáveis” à negociação. Em entrevista à agência Reuters, o líder americano afirmou que o Irã está disposto a se comprometer com um congelamento verificável de pelo menos 10 anos em sua atividade nuclear para que o acordo definitivo seja alcançado. “A questão central é como podemos impedi-los de ter armas nucleares”, afirmou Obama, lembrando que esse é um dos principais objetivos da política externa de seu governo.

Outras frases de Obama:

“Netanyahu disse todo o tipo de coisa. Que isso seria um acordo terrível ou que o Irã não manteria o combinado. Nada disso se tornou realidade.”

“Esta não é uma questão pessoal. Acho importante que os países que têm relação com os EUA reconheçam nosso papel no processo de decisão política.”

“Tenho repetido que prefiro não ter um acordo a ter um acordo ruim. Mas se formos bem-sucedidos, esse será o melhor acordo possível para impedir o Irã de ter armas nucleares.”

O que disse Netanyahu? 

“A relação entre Israel e EU está mais forte do que nunca. Israel e EUA concordam que o Irã não deve ter armas nucleares, mas discordam sobre a melhor maneira de evitar que o Irã desenvolva essas armas nucleares”, afirmou o primeiro-ministro ao Comitê Americano-Israelense de Assuntos Políticos (AIPAC), maior lobby pró-israelense dos EUA, antes do discurso no Congresso. Nesse pronunciamento, o primeiro-ministro exibiu um mapa que, segundo ele, detalha as ações do Irã em apoio ao terrorismo pelo mundo.

Outras frases de Netanyahu:

“O Irã é o principal Estado financiador do terrorismo no mundo. Imagine o que faria com armas nucleares.”

“Meu discurso não tem a intenção de demonstrar nenhum desrespeito ao presidente Obama.”

“Tenho a obrigação moral de me posicionar sobre esses perigos enquanto ainda há tempo de evitá-los.”

“Nenhuma instalação nuclear seria demolida. Milhares de centrífugas usadas para enriquecer urânio continuariam a funcionar. Milhares de outras seriam temporariamente desconectadas, mas não destruídas.”

Sugestões de análises: 

“Bibi argumenta que qualquer acordo deve eliminar todas as centrífugas que possam enriquecer material para uma bomba. Não o censuro por esse desejo. A maioria de meus amigos israelenses o compartilha. Mas, como observou Robert Einhorn, ex-membro da equipe de negociação americana com o Irã num artigo no New York Times, essa posição “não é viável, nem necessária” para proteger a segurança dos EUA ou a de seus aliados no Oriente Médio.” diz Thomas L. Friedman para o “The New York Times”, em What Bibi Didn’t Say”. Tradução em “O Estado de S. Paulo”.

“O governo saudita concorda e apoia a posição de Israel diante da questão nuclear iraniana”, diz Mário Chimanovitch, para a “Folha de S. Paulo” em “Contra Teerã, sauditas podem abrir espaço aéreo para israelenses

“A aposta de Netanyahu prevê que Obama alienou tanto os israelenses de sua política externa no Oriente Médio que o premier será recompensado e não punido por seus ataques à Casa Branca nas eleições israelenses de 17 março.(…) Se Netanyahu for derrotado, as relações entre os países retornarão ao normal. Caso ganhe, passarão por mudanças radicais”, diz Jacjson Diehl, colunista do “Washington Post”em Netanyahu’s dicey bet. A arriscada aposta do primeiro-ministro – Jacjson Diehl, colunista do “Washington Post”, traduzido pelo “Extra”.

“(Obama pode considerar retaliações como reconsiderar o veto dos EUA a resoluções anti-Israel na ONU) Há muita possibilidade de isso acontecer. Vai depender, claro, das circunstâncias no momento, de como palestinos e israelenses vão se comportar”, diz Oded Eran, especialista no relacionamento entre EUA e Israel, Oded Eran, ex-embaixador de Israel na Inglaterra e ex-vice-embaixador em Washington, em entrevista ao “O GLOBO.

Para Israel, Irã é ameaça maior que EI, diz Yitzhak Aharonovitch, ministro de Segurança Pública de Israel, ao jornal “Folha de S. Paulo”.

“A imagem do primeiro-ministro apertando mãos e aplaudido de pé no Capitólio certamente terá um impacto no resultado das eleições em Israel daqui a duas semanas, mas pode virar um desastre diplomático para um país cada vez mais isolado no cenário internacional”, diz Helena Celestino em Sem medo do perigo, artigo para o jornal “O Globo”.

“No plano concreto, o discurso de Netanyahu pouco convenceu. Compreende-se que Israel tema um Irã com capacidade nuclear. Tel Aviv, afinal, está ao alcance dos mísseis persas e é o alvo mais verossímil caso o regime dos aiatolás resolva iniciar uma guerra. Mas não se pode fazer política com base somente no medo.” trecho do editoral Campanha transatlântica do jornal “Folha de S. Paulo”.

“O pronunciamento de Netanyahu, além de não ajudar a construção de uma solução pacífica para o impasse nuclear iraniano, feriu o protocolo diplomático, estimulou o Congresso a intervir em negociações conduzidas pelo Executivo e colocou Israel e EUA, dois aliados históricos, em seu pior momento.” trecho do editorial O infrutífero comício de Netanyahu nos EUA do jornal “O Globo”.

 


Rafaela_Marinho_01*Rafaela Marinho – Jornalista formada pela Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Possui experiência em veículos da mídia, como a revista “EXAME”, da Editora Abril, e o jornal “O Globo”, bem como interesse na cobertura de assuntos econômicos, das relações internacionais e da diplomacia brasileira.
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