Seleção de Notícias #3: Semana 15/03 a 22/03

Por Rafaela Marinho*

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Esta seleção de notícias é realizada pela ferramenta de fichamentos do Clipping CACD e pelo Clipping de Notícias diário da plataforma. Esta seleção não pretende abranger ou esgotar a totalidade de assuntos e de fontes relevantes na atualidade para os estudos ao CACD. É importante manter uma leitura própria dos assuntos pertinentes.

AMÉRICA:

ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS (OEA)

Na quarta (18/03), o uruguaio Luis Almagro foi eleito novo secretário-geral da OEA. O ex-chanceler do Uruguai disputava como candidato único e ocupará o cargo no final de maio por um período de cinco anos. Ele substituirá o chileno José Miguel Insulza, que abandonará seu cargo em 25 de maio após quase uma década à frente da instituição. O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, discursou na Assembleia-geral da OEA. Ele reforçou o apoio do país a Almagro para a modernização da OEA, iniciada pelo Secretário-Geral Insulza.

BRASIL

RELAÇÕES BILATERAIS:

BRASIL-ESTADOS UNIDOS

Durante a viagem para Washington, para participar da Assembleia Geral Extraordinária da OEA, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Embaixador Mauro Vieira, reuniu-se com a conselheira de Segurança dos EUA, Susan Rice, para discutir uma agenda de possível visita de Dilma Rousseff ao país. Vieira disse que os dois discutiram a agenda, mas não a data, da visita da presidente no segundo semestre.

“O importante é centrar a discussão numa agenda substantiva e não em datas. Quando chegarmos a uma agenda que seja substantiva, representativa e importante para as relações bilaterais, aí entraremos nas datas. Mas isso será em breve”, disse Vieira a jornalistas.

Ele destacou ainda que o convite do presidente Barack Obama segue “vigente e firme”, e que a presidente já disse que irá a Washington.

Vale lembrar: Dilma cancelou, em setembro de 2013, uma visita aos EUA, marcada para aquele ano, devido às denúncias de espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA), que tinham a presidente como um dos alvos.

Segundo Vieira, ele e Rice também falaram sobre a sétima edição da Cúpula das Américas, que será realizada em abril no Panamá, e reunirá, pela primeira vez, EUA e Cuba. “É um momento importante da reunião de todo o continente, uma coisa que não acontece há décadas”, disse o brasileiro.

Na Casa Branca, o chanceler se reuniu ainda com Caroline Atkinson, assessora de Barack Obama para assuntos de economia internacional. No encontro, segundo o ministro, foram debatidas questões de comércio e de investimento e temas bilaterais, como a coordenação de posições dos dois países para a próxima reunião do G-20, na Turquia, e para a Cúpula do Clima, em Paris –ambas em novembro.

Vieira ressaltou ainda que Atkinson e a secretária de Comércio dos EUA, Penny Pritzker, participarão, no Brasil, em junho, da reunião do Fórum de Altos Executivos dos dois países.

Fonte: Folha

ESTADOS UNIDOS:

Na quarta (18/03), o Banco Central dos EUA (FED) sinalizou que não subirá os juros logo. Em sua previsão trimestral sobre a economia americana, o organismo reduziu as suas estimativas para o PIB e a inflação.

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VENEZUELA:

Relembrando: No domingo (15/03), fatos importantes na Venezuela:

  • A Justiça venezuelana negou recurso da defesa do líder de oposição Leopoldo López, que continuará preso. A Corte de Apelações de Caracas declarou que a decisão “é devidamente baseada” nas leis do país.
  • O Congresso venezuelano aprovou a Lei Habilitante, que amplia os poderes do presidente Nicolás Maduro de governar por decreto. A lei requisitada pelo mandatário vigorará até o final de 2015, mais do que o pedido original de seis meses.
  • Na semana passada, A Unasul manifestou sua rejeição ao Decreto Executivo do Governo dos Estados Unidos da América, por constituir uma ameaça de ingerência à soberania e ao princípio de Não Intervenção nos assuntos internos de outros Estados. A UNASUL reiterou o chamado ao Governo dos EUA para que avalie e ponha em prática alternativas de diálogo com o Governo da Venezuela.

Na terça-feira (17/03), o governo venezuelano publicou uma “carta ao povo dos EUA” no jornal americano New York Times negando “ser uma ameaça” ao país americano e exigindo a revogação das recentes sanções impostas pelo presidente Barack Obama. A carta é assinada pelo Ministério de Relações Exteriores da Venezuela e recebe o título de “Carta ao povo dos EUA. Venezuela não é uma ameaça”.

Também na terça (17/03), o ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou que a Venezuela tem os soldados e oficiais “mais bem equipados da América Latina”, em uma nova carta ao líder venezuelano, Nicolás Maduro. “Os países da aliança (Alba) têm o objetivo de definir sua posição para a Cúpula das Américas, que ocorrerá em abril no Panamá. “A República Bolivariana da Venezuela declarou de forma precisa que sempre esteve disposta a discutir pacífica e civilizadamente com o governo dos EUA, mas nunca aceitará ameaças e imposições desse país”, acrescentou Fidel.

CUBA:

Na segunda (16/03), em Havana, representantes do país e dos Estados Unidos retomaram as conversas para tentar restabelecer as relações diplomáticas entre os dois países, apesar do desacordo sobre a atual situação na Venezuela. Essa foi a terceira rodada de negociações entre os dois governos. Na terça (17/03), os dois países retomaram a conexão aérea direta entre Havana e Nova York.

Vale lembrar: Depois do anuncio histórico em 17 de dezembro da reaproximação entre os dois países depois de mais de 50 anos, os governos cubano e americano tentam reabrir suas embaixadas antes da Cúpula das Américas, marcada para os dias 10 e 11 de abril no Panamá e que, pela primeira vez, terá a participação de Havana.

Cuba também receberá visita de chefe da diplomacia da União Europeia pela primeira vez. Federica Mogherini afirmou que viajará para o país ainda este mês, em mais um passo significativo na rápida transformação nas relações entre o país e o Ocidente. Essa será a primeira vez que um representante do alto escalão de Relações Exteriores do grupo europeu visitará Cuba em uma missão oficial. A viagem está marcada para os dias 23 e 24 de março e ocorrerá em meio a diálogos entre a União Europeia e o presidente Raúl Castro sobre a expansão de relações em áreas como o comércio, a democracia e investimentos.

Vale lembrar: As relações diplomáticas entre a UE e Cuba nunca foram tão complicadas quanto as dos Estados Unidos com os Castro, mas o grupo chegou a rompê-las em 2003, após o regime prender 75 dissidentes. A retomada só ocorreu em 2008, após Raúl Castro assumir a Presidência e sugerir que estava aberto a mudanças. A UE é agora o segundo maior parceiro comercial do país.

Na terça (17/03), o papa Francisco nomeou como novo embaixador da Santa Sé em Cuba o monsenhor Giorgio Lingua, diplomata experiente que já atuou como núncio no Iraque e na Jordânia.

ORIENTE MÉDIO:

ISRAEL:

Notícias:

Na terça (17/03), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, venceu as eleições legislativas e foi reeleito para o cargo. Um dia antes, ele assumiu querer um Estado palestino. “Acredito que qualquer um que queira criar um Estado palestino hoje e retirar gente dessas terras está dando espaço para ataques do islã radical contra Israel”, disse. Quando o repórter lhe perguntou se isso significava que não haveria um Estado palestino enquanto ele fosse premiê, respondeu: “Correto”.

Vale lembrar: Há seis anos, quando chegou ao poder, Netanyahu disse que estava “disposto a um verdadeiro acordo de paz” caso os palestinos aceitassem o caráter judaico de Israel e a desmilitarização do futuro Estado palestino.

A Casa Branca não gostou. Na quarta (18/03), criticou a “retórica desagregadora” de Netanyahu e, na quinta (19/03), o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest disse que “as decisões tomadas pelos Estados Unidos na ONU tem como base a ideia de uma solução de dois Estados (para o conflito entre israelenses e palestinos). Agora que nosso aliado diz que não está mais comprometido com essa solução temos de rever nossa posição.”

Vale lembrar: As relações entre Israel e Estados Unidos andam estremecidas.

Também na quinta (19/03), Netanyahu voltou atrás, dizendo que continua comprometido com a solução de dois Estados. Em entrevista à rede de TV americana MSNBC ele disse: “Ainda quero uma solução sustentável e pacífica de dois Estados, mas a insistência da liderança palestina em não reconhecer Israel como Estado judaico e sua aliança com o Hamas tornam isso impossível no momento”.

A direção da Organização para Libertação da Palestina (OLP) manifestou-se, na quarta (18/03), sobre a vitória do Likud, dizendo que os israelenses escolheram o “caminho do racismo e da ocupação” em vez da negociação. “Escolheram o caminho do racismo, da ocupação e da colonização em vez de optarem pelas negociações”, afirmou Yaser Abed Rabo, secretário-geral da OLP.

No sábado (21/03), o Huffington Post publicou entrevista com Barack Obama. No vídeo, o presidente americano reforça a solução dos dois estados, manifesta sua preocupação com a democracia de Israel perante às declarações radicais de Netanyahu.

Análises:

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IRÃ:

Notícias:

Essa semana representou um avanço nas negociações do país sobre um acordo nuclear com o P5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha).

Relembrando: No sábado (14/03), o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que não estaria claro se o acordo provisório sobre o programa de energia nuclear com o Irã seria fechado dentro do prazo programado, ainda em março. Vale lembrar: O prazo oficial expira em 30 de junho.

Na segunda (16/03), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamed Jawad Zarif, e o secretário de Estado americano, John Kerry, concluíram a primeira reunião de uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, com declarações positivas.

Na sexta (20/03), o presidente norte-americano, Barack Obama, aproveitou a celebração do Ano-Novo no Irã, a festa de Nouruz, para enviar uma mensangem na qual deseja “um futuro diferente entre Teerã e Washington”.

Vale lembrar: Os laços diplomáticos dos dois países estão oficialmente rompidos desde 1980.

No sábado (21/03), Kerry, disse que um “progresso genuíno” foi feito, mas que ainda há “lacunas importantes”.

As negociações continuarão nesta semana.

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SÍRIA:

Notícias:

Na quarta (18/03), o Ministério das Relações Exteriores publicou a Nota oficial nº81 sobre o início do quinto ano de conflito na Síria.

Vale lembrar: Na nota oficial, o Itamaraty ressalta que “o Governo brasileiro tem defendido de forma consistente, e desde o início, não haver solução militar para esse conflito” e que “apenas uma solução política negociada e inclusiva, respaldada pelas Nações Unidas, poderá colocar fim ao sofrimento do povo sírio e permitir a realização de suas legítimas aspirações”.

Relembrando: No domingo (15/03) da semana passada, John Kerry, secretário de Estado dos EUA, afirmou que o país terá de negociar com o ditador Bashar al-Assad para uma transição política na Síria. A declaração foi vista como uma mudança da postura norte-americana em relação às perspectivas para solucionar o conflito.

Análises:

ESTADO ISLÂMICO:

No domingo (22/03), o Estadão publicou reportagem em que diz que o Palácio do Planalto recebeu relatórios de diferentes órgãos alertando para o problema de recrutamento de jovens pelo Estado Islâmico no Brasil, que órgãos de inteligência vêm trocando informações sobre o assunto e que a Casa Civil assumiu a coordenação das discussões internas sobre a questão no contexto dos preparativos da Olimpíada de 2016.

IÊMEN:

Notícias:

Na sexta (20/03), atentados provocados por ao menos quatro homens-bomba a mesquitas, na capital Saana, deixaram mais de cem mortos. O Estado Islâmico reivindicou a autoria dos ataques. Trata-se do primeiro ataque reivindicado por EI em território iemenita. No sábado (21/03), os EUA retiram últimas tropas do Iêmen por falta de segurança. Vale lembrar: Washington anunciou o fechamento de sua embaixada na capital Sanaa em fevereiro. O país árabe vive um conflito político que se agravou desde que o presidente Abdo Rabu Mansur Hadi se retratou no mês passado, em Áden, de sua anterior renúncia. Ele anunciou que continuaria sendo presidente legítimo do país, em oposição ao que foi determinado pelos houthis.

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ÁFRICA

TÚNISIA:

Na quarta (18/03), um ataque de terroristas ao museu do Bardo, na capital Túnis, deixou mais de vinte mortos.

Na quinta-feira (19), o Estado Islâmico reivindicou o ataque e as autoridades tunisianas identificaram os dois criminosos como Yassine Abidi e Hatem Khachnaoui.

Análise: “A jovem democracia da Tunísia busca respostas” por John Thorne, do Christian Science Monitor, que diz: “A Tunísia é considerada a única história de sucesso da chamada Primavera Árabe, graças à moderação e o comprometimento de seus líderes políticos e eleitores. Isso evitou o banho de sangue e a deterioração que atormentaram outros Estados norte-africanos como Líbia e Egito. No entanto, o atentado desta semana oferece um novo desafio.”

EUROPA

Na terça (17/03), Alemanha, França e Itália declararam que concordaram em participar de um novo banco de investimento capitaneado pela China, com previsão de início de funcionamento para final de 2015. A decisão vem poucas semanas depois de o Reino Unido enfrentar a pressão dos Estados Unidos — seu parceiro mais próximo — para se tornar membro fundador de uma empreitada vista em Washington como rival do Banco Mundial. O ministro da Fazenda alemão, Wolfgang Schäuble, disse que seu país, a maior economia europeia e grande parceiro comercial de Pequim, será um membro fundador do Banco de Investimento de Infraestrutura Asiática (AIIB, na sigla em inglês).

Vale lembrar: O AIIB foi lançado em Pequim no ano passado para incentivar o investimento em transporte, energia, telecomunicações e outros projetos de infraestrutura na Ásia, e foi encarado com concorrente do Banco Mundial, dominado por nações ocidentais, e do Banco de Desenvolvimento Asiático.

RÚSSIA:

Na quarta (18/03), durante a celebração de um ano da anexação da Crimeia, o presidente russo Vladimir Putin assinou um tratado de “aliança e integração” com a Ossétia do Sul, região separatista dentro da Geórgia. O acordo foi criticado e não foi reconhecido pelos georgianos, pela OTAN e pelos Estados Unidos. Vale lembrar: Após a guerra russo-georgiana, em 2008, as regiões da Ossétia do Sul e da Abkházia declararam independência da Geórgia, reconhecida pela Rússia, mas não pela maior parte da comunidade internacional.

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ALEMANHA:

Na quarta (18/03), 350 pessoas foram detidas durante um confronto com manifestantes que participavam de um ato antiausteridade, antes da cerimônia de inauguração da nova sede do Banco Central Europeu (BCE) em Frankfurt.

ÁSIA

ÍNDIA:

Na segunda (16/03), o país foi elogiado por Christine Lagarde, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ela disse que a economia do país “é um ponto brilhante em meio à perspectiva global obscurecida” e que o desempenho do país tem sido favorecido pela adoção de uma política fiscal sólida, inclinada ao crescimento.

Quanto à economia global, Lagarde foi mais crítica e disse que o crescimento continua “muito lento, muito frágil e muito desequilibrado” e destacou que, na zona do euro e no Japão, a expansão “permanece baixa”. Além disso, acrescentou que os países considerados emergentes, passam por uma fase de desaceleração.


Rafaela_Marinho_01*Rafaela Marinho – Jornalista formada pela Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Possui experiência em veículos da mídia, como a revista “EXAME”, da Editora Abril, e o jornal “O Globo”, bem como interesse na cobertura de assuntos econômicos, das relações internacionais e da diplomacia brasileira.

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