Berlim no pequeno século XX (1914-1990) – parte 2

Por Pedro Gryschek*

Veja também: Berlim no pequeno século XX (1914-1990) – parte 1.

Os berlinenses em geral não apoiavam Hitler, assim como boa parte da população do Norte e do Leste da Alemanha. A população judaica da cidade, bastante grande antes da ascensão nazista (150 mil pessoas, um terço dos judeus na Alemanha), praticamente sumiu, muitos deles direcionados para campos de concentração próximos, especialmente Sachsenhausen e, mais tarde, para os campos de concentração e extermínio na vizinha (pouco mais de 100 km da fronteira) Polônia, como os tristemente conhecidos Auschwitz-Birkenau e Treblinka.

Imagem: Pedro Gryschek

Imagem: Pedro Gryschek / Vala de extermínio, em Sachsenhausen

Durante a Segunda Guerra Mundial, além de continuar como o centro nevrálgico da Alemanha, Berlim foi duramente atacada. Primeiro, entre 1943 e 1945, sofreu bombardeios britânicos e norte-americanos. Por volta de abril de 1945, foi a vez dos soviéticos invadirem a cidade por terra. Na Batalha de Berlim, uma das últimas da Guerra na Europa, morreram 125 mil habitantes civis, além de militares e dirigentes, como o próprio Hitler, que se suicidou em 28 de abril em um bunker construído sob a Chancelaria. Poucos dias depois, Berlim seria oficialmente tomada e, em 8 de maio, a paz foi assinada, terminando o conflito no velho continente.

A foto marcante abaixo mostra um soldado soviético colocando a bandeira vermelha no Reichstag, o Parlamento Alemão.

Imagem: Yevegeny Khaldei

Imagem: Yevegeny Khaldei

 Ainda em 1945, a vizinha Potsdam (capital do Estado de Brandemburgo, dentro do qual está a cidade-estado de Berlim), sediou uma importante conferência entre os aliados. Após a Guerra, Berlim, assim como a Alemanha como um todo, seria dividida em 4 zonas de ocupação: norte-americana, britânica, francesa e soviética. As três primeiras, assim como a Alemanha Ocidental, eram na prática uma só. A zona soviética de Berlim, também chamada Berlim Oriental, seria capital da RDA.

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Imagem: Wikipedia

Além de, por motivos óbvios, tornar-se uma das cidades mais importantes do mundo para diplomatas e espiões, Berlim Ocidental (que não era capital da República Federal Alemã) viu alguns lances espetaculares durante a Guerra Fria (1947-1989), a começar pelo bloqueio, de 1948, quando os aliados ocidentais precisaram abastecer a cidade com aviões e paraquedas, uma vez que os soviéticos não permitiram por algum tempo (um ano, aproximadamente) o acesso a Berlim Ocidental por terra, passando por território da Alemanha Oriental. Foi uma derrota moral para Stalin. Uma curiosidade é que as linhas aéreas para Berlim Ocidental eram operadas apenas por companhias aéreas dos países que administravam a cidade (isso explica Franfurt Am Main ser o maior hub aéreo do país).

Na década seguinte, enquanto Berlim Oriental permanecia em grande parte destruída, a parte Ocidental foi adotada como vitrine capitalista. Muitos prédios foram reconstruídos e a cidade pulsava cultural e economicamente. Uma igreja, perto do Centro da Cidade, apelidada Lippenstift und Puderdose (batom e caixa de pó), devido a forma de sua torre, permaneceu destruída, como um lembrete da Segunda Guerra. Saiba mais sobre a Gedächtniskirche.

Imagem: Wikipedia / Gedächtniskirche

Imagem: Wikipedia / Gedächtniskirche

A prosperidade ocidental trouxe, entretanto, um problema sério, especialmente para as autoridades orientais. Mesmo com a operação da temida Stasi (a polícia secreta do setor oriental, muitos moradores de Berlim Oriental iam para a parte ocidental e não mais voltavam. Outros tantos trabalhavam na parte ocidental e moravam na oriental, recebendo assim melhores salários e gozando da boa rede de bem-estar social da RDA.

Para conter o fluxo de emigrantes, os soviéticos construíram um muro, em 1961, separando Berlim Ocidental do território da Alemanha Oriental, fisicamente. Um dos pontos de passagem oficial (usado por estrangeiros, diplomatas e dirigentes, já que a população civil oriental não podia atravessar o muro legalmente) foi o Checkpoint Charlie, em uma área bastante central.

Imagem: Wikipedia

Imagem: Wikipedia / Checkpoint Charlie

Muitos orientais, claro, fugiriam mesmo com o Muro, pulando e, principalmente, através de túneis que passavam por baixo dele. Muitos, entretanto, morreram na tentativa, assim como outros tantos foram separados de amigos e família que moravam na parte oriental da cidade. O Muro era um grande símbolo da Guerra Fria.

Apenas em 1971, Berlim Ocidental passou a ter acesso ao resto da RFA via trem ou carros, por três vias que cruzavam território da RDA. A situação permaneceria a mesma até 1989, novembro, para ser mais específico, quando algo surpreendente aconteceu na fechada e opressora Alemanha Oriental. No próximo post¸ trataremos este episódio dramático e o que aconteceu posteriormente.

Veja também: 

1. Berlim no pequeno século XX (1914-1990) – parte 1.
2. Historic Berlin: Ich bin ein Berliener, por Patricia Galves Derolle.


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* Pedro Gryschek é graduado e mestrando em Direito e apaixonado por História, viagens, culinária esportes e música. Nasceu e vive em São Paulo. Contato: phgryschek@gmail.com

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