9 perguntas (e respostas) de Macroeconomia

Imagem: Keep Calm O'matic

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Por Patricia Galves Derolle*

Os temas abordados neste post são:

  • Curvas IS-LM;
  • Marshall-Lerner
  • Efeito Crowding Out
  • Taxa de juros
  • Taxa de câmbio (fixo e flexível).

1. O que muda na curva IS quando se abre a economia? Explique apresentando os novos termos incluídos na equação e seus significados.

Abrir a economia significa que determinado país está exportando seus produtos para o exterior, bem como importando produtos do exterior para dentro de suas fronteiras. A curva IS, que é a curva da demanda doméstica, ao incorporar os termos (X –M), ou exportação menos importação, em C + I + G, passa a ter uma curva que apresenta a demanda doméstica por bens domésticos. Ao comercializar com o exterior, a taxa de câmbio pode alterar o consumo e o investimento, mas não o nível geral desses agregados. Os determinantes da importação são a renda e a taxa de câmbio (M = M (Y, Ɛ)), sendo que um aumento na renda doméstica leva a um aumento nas importações e um aumento na taxa de câmbio real também aumenta as importações. Os determinantes das exportações são a renda externa e a taxa de câmbio (X = X (Y*, Ɛ)), sendo que um aumento da renda externa aumenta as exportações e um aumento da taxa de câmbio real diminui as exportações – uma função inversamente proporcional. Esta nova curva, a qual agrega os novos componentes, é menos inclinada ao se comparar com a anterior, devido ao multiplicador, que é menor e possui inclinação positiva.

 2. A partir da curva IS em economia aberta, explique quais são os impactos para o produto e para a balança comercial de um aumento na demanda interna. Faça o mesmo para um aumento da demanda externa.

O equilíbrio do mercado (Y = Z) é marcado pela igualdade entre as demandas doméstica e externa por bens domésticos. Se há um aumento da demanda interna, como, por exemplo, aumento nos gastos do governo, há um aumento no produto e um déficit comercial (↑Y = C + I + ↑G + ↓(X – M)). O produto aumenta em menor quantidade devido ao multiplicador, que é menor do que na economia fechada. Se há um aumento da demanda externa, há um aumento no produto (ceteris paribus) e uma melhora na Balança Comercial (↑Y = C + I + G + ↑(X (Y*, Ɛ) – M (Y, Ɛ))). Em outras palavras, há um aumento do produto em ambos os casos, entretanto, os efeitos na Balança Comercial são inversos.

3. Qual é a equação do multiplicador de renda keynesiano em uma economia aberta? Explique o significado de seus termos. Por que o multiplicador é menor do que em uma economia fechada?

A fórmula do multiplicador de renda keynesiano em uma economia aberta 𝑌=,1-1−𝑐 ,1−𝑡.+𝑚. difere da fórmula do multiplicador keynesiano de uma economia fechada 𝑌=,1-(1−𝑐).𝐶𝑜. Aquela agrega novos componentes, como os impostos de importação (t) e a propensão marginal a importar (m), além da propensão marginal a consumir (c). O multiplicador na economia aberta é menor por conta dos vários vazamentos de renda para o exterior (efeito na Balança Comercial).

4. O que diz a condição de Marshall-Lerner (curva J)?

A depreciação real da taxa de câmbio afeta a Balança Comercial em 3 maneiras: i. com o aumento das exportações (aumento da demanda estrangeira por bens nacionais), ii. com a diminuição das importações (bens estrangeiros ficam mais caros) e iii. com o aumento relativo em termos de bens domésticos. A condição de Marshall-Lerner, portanto, é a condição sob a qual uma depreciação real leva a um aumento das exportações líquidas. É um problema temporal, pois no início há uma queda brusca na curva J, mas, com o tempo, percebem-se melhorias, por isso diz-se curva J, pela forma que ela se apresenta no gráfico. A depreciação cambial não impacta nas importações e no aumento das exportações repentinamente, mas, após algum tempo, nota-se a mudança nos preços, o que incorre em uma deterioração na Balança Comercial. Com o tempo, segundo o conceito de Marshall-Lerner, as importações e as exportações respondem ao choque e melhoram a Balança Comercial.

5. Apresente o modelo IS-LM para uma economia aberta. Explique por que o equilíbrio entre a IS e a LM sempre irá ter como correspondente um ponto na curva de paridade de juros.

A curva LM, no caso de economia aberta, não muda sua inclinação, tampouco se locomove. A sua principal diferença será a influência da taxa de câmbio na taxa de juros. Há apenas mudanças na curva IS, por meio de alterações no mercado de bens, pois nela englobam-se as exportações e as importações. Tais mudanças são transpostas para as outras variáveis (taxa de juros e taxa de câmbio) para verificar a valorização e a desvalorização do câmbio e, consequentemente, o impacto delas na taxa de juros.

6. Explique o que ocorre com as taxas de juros, câmbio e o produto no caso de um aumento dos gastos do governo em economia aberta. No que esse resultado difere do caso de aumento de gastos do governo em economia fechada?

Na economia fechada, ao aumentar os gastos do governo, a curva IS se desloca para a direita. Para retomar o equilíbrio, a taxa de juros deve subir, a fim de reter os investimentos. Na economia aberta, o aumento dos gastos do governo aumenta, também, o produto, o que aumenta a demanda por moeda. A demanda por moeda faz aumentar a taxa de juros e, consequentemente, haver uma apreciação cambial.

7. O que faz o efeito Crowding Out no caso de um aumento de gastos de governo? Por que esse efeito é utilizado como justificativa para questionar políticas de aumento do tamanho do Estado no Brasil?

O efeito Crowding Out é quando um componente da demanda, no caso os gastos do governo, diminui outro componente, o qual é sensível às taxas de juros. Por exemplo, um aumento dos gastos do governo faz diminuir outro componente, no caso o investimento, que é dependente da taxa de juros. O aumento do produto pode fazer o investimento aumentar, mas a taxa de juros faz o contrário.

Este efeito faz questionar as políticas de aumento do tamanho do Estado no Brasil porque demonstra uma priorização estatal em detrimento do setor privado. É o governo interferindo na economia e diminuindo os possíveis investimentos privados com as altas taxas de juros.

8. Explique o que ocorre com as taxas de juros, câmbio e o produto no caso de uma política monetária contracionista em economia aberta. No que esse resultado difere no caso de aumento de gastos do governo em economia fechada?

Em uma política monetária contracionista é a curva LM que se desloca. Tal política, em uma economia aberta, é feita por meio de aumento da taxa de juros, o que leva a uma apreciação na taxa de câmbio. A combinação dos elementos anteriores diminui a demanda e o produto. Em uma economia fechada, o efeito sobre a Balança Comercial é menor, pois a queda do produto faz a demanda por moeda diminuir, o que leva a uma queda na taxa de juros e compensa parte do aumento inicial dos juros.

Política monetária contracionista:

LM: ↓Ms ↑LM↑i

IS: ↑i ↓I, D, Y

E: ↑I –> entrada de capitais: ↓E (apreciação)

IS: ↓E ↓MX ↓Y (contração monetária é potencializada; efeito fica mais negativo).

9. Explique as principais características dos dois principais regimes de câmbio: fixo e flexível. Como os países fazem para sustentar o câmbio fixo?

A taxa de câmbio fixa nominal é determinada pelo Banco Central, que assume o compromisso de manter a paridade cambial fixa (o Banco Central entra no mercado vendendo ou comprando divisas e para tanto é necessário que tenha reservas de divisas). Vantagens do câmbio fixo são: maior controle da inflação, uma vez que pode controlar o nível da importação. Desvantagens do câmbio fixo: alteração das reservas cambiais devido à entrada e saída de capital especulativo e a dependência da taxa de juros ao volume de reservas cambiais.

Há duas maneiras de os países sustentarem o câmbio fixo: i. currency board: paridade entre moeda nacional e moeda estrangeira, atualmente, o dólar é esta moeda; constituição do lastro em divisas para o estoque e determinação da base monetária e a exclusividade do Banco Central em emitir moeda para a aquisição de reservas; ii. padrão ouro: atrela o preço de suas moedas ao ouro.

A taxa de câmbio flexível comporta-se como qualquer mercado em que não haja intervenção governamental (o Banco Central não intervém no mercado). Assim, um aumento da demanda pela moeda estrangeira, dada uma oferta constante, eleva seu preço. Vantagens do câmbio flexível: controle sobre as reservas cambiais tornam-se irrelevantes, assim, ocorre a liberação da política monetária para outras finalidades que não seja o controle de câmbio. Desvantagens: dependência e vulnerabilidade do mercado financeiro nacional e internacional, menor controle da inflação, aumento da incerteza e desestímulo ao comércio internacional.


V1* Patricia Galves Derolle é graduada e pós-graduada em Relações Internacionais. Já estagiou na Missão do Brasil junto à União Europeia, em Bruxelas, na Missão do Brasil junto à ONU, em Genebra; trabalhou no Escritório de Representação do Itamaraty em São Paulo e na Organização Internacional para Transportes Terrestres (IRU) em Genebra. Atualmente, é Advisory Board Member e Senior Editor da revista digital Modern Diplomacy e  fundadora do site e-Internacionalista. Contato: e.internacionalista@gmail.com

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