Seleção de Notícias #7: Semana 13/04 a 19/04

Por Rafaela Marinho*

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Esta seleção de notícias é realizada pela ferramenta de fichamentos do Clipping CACD e pelo Clipping de Notícias diário da plataforma. Esta seleção não pretende abranger ou esgotar a totalidade de assuntos e de fontes relevantes na atualidade para os estudos ao CACD. É importante manter uma leitura própria dos assuntos pertinentes.

Imagem: Instituto Rio Branco / Fonte: IRBr

Imagem: Instituto Rio Branco / Fonte: IRBr

BRASIL

DIPLOMACIA

No sábado (18/04), o Instituto Rio Branco completou 70 anos. No domingo (19/04), o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, publicou artigo, na Folha, sobre a instituição e a data comemorativa.

Sobre o aniversário do Instituto, o Ministério das Relações Exteriores publicou a Nota 132.

RELAÇÕES BILATERAIS

BRASIL-CHILE

Na sexta (17/04), o Ministro de Relações Exteriores, Embaixador Mauro Vieira, realizou visita oficial ao Chile. Na visita, o Chanceler brasileiro examinou com seu homólogo chileno temas como a cooperação bilateral nas áreas científica e tecnológica, de defesa, de energia e de investimentos, bem como a necessidade de ampliação das opções de conexões rodoviárias e ferroviárias entre os dois países. O processo de diálogo entre o MERCOSUL e a Aliança do Pacífico e o conjunto dos temas da agenda de integração sul-americana, em particular os relacionados à UNASUL também foram assuntos do encontro.

Vale lembrar: Além de significativa convergência política entre os dois países, a parceria entre o Brasil e o Chile é ancorada por fortes vínculos econômico-comerciais. O Brasil é hoje o principal parceiro comercial do Chile na América Latina. A corrente bilateral de comércio em 2014 superou a marca dos US$ 9 bilhões. O Chile é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil na América Latina. Entre 2009 e 2014, o comércio entre os dois países cresceu 69%. O Brasil é o principal destino de investimentos chilenos no mundo, com estoque superior a US$ 25 bilhões.

BRASIL-EUA

No domingo (19/04), a Folha publicou entrevista com Ricardo Zúñiga, diretor sênior do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. Na conversa com Patrícia Campos Mello, Zúñiga fala sobre as expectativas para a visita da presidente Dilma Roussefff aos Estados Unidos, que, segundo o assessor, retomará as “relações bilaterais produtivas e frequentes de antes de 2013”. Vale lembrar: Há uma semana, Dilma anunciou que visitará o presidente norte-americano, Barack Obama, em 30 de junho. A visita marca a reaproximação dos dois países após a revelação da espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos sobre Dilma.

AMÉRICAS

CUBA

Na terça (14/04), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou a decisão de retirar Cuba da lista dos países que patrocinam o terrorismo. O Congresso norte-americano terá 45 dias para analisar o assunto. Se os parlamentares rejeitarem a exclusão, Obama poderá exercer seu poder de veto, que só é derrubado com dois terços dos votos do Parlamento. A medida enfrenta rejeição de republicanos, que atualmente são maioria no legislativo do país.

O que muda para Cuba?

  • São removidos obstáculos para a ilha ter acesso a empréstimos de organismos multilaterais, como o Banco Mundial, e a programas de ajuda internacional dos Estados Unidos;
  • São derrubadas as restrições para exportações americanas de armas e de tecnologia com uso civil e militar
  • São facilitadas negociações para abertura de embaixadas de ambos os países

O que não muda para Cuba?

Sair da lista dos países que patrocinam o terrorismo não significa o fim de todas as sanções dos EUA contra o país nem o cancelamento do embargo econômico, em vigor desde 1962.

Vale lembrar:

  • No sábado passado (11/04), Obama e o presidente cubano, Raúl Castro, tiveram o primeiro encontro entre as duas nações desde antes da Revolução de 1959, no âmbito da VII Cúpula das Américas, no Panamá, a primeira com a participação da ilha.
  • Outros três países permanecem na lista dos financiadores do terrorismo: Irã, Sudão e Síria, incluídos, respectivamente, em 1984, 1993 e 1979.
  • A Coreia do Norte foi retirada dessa lista, em 2008, pelo presidente republicano George W. Bush e sob o compromisso da permissão para inspeções do regime nuclear do país.
  • Desde 1977, Cuba e EUA mantêm “seções de interesses” em suas capitais, que agem como embaixadas, mas têm status menor.

O que Cuba disse?

Em uma nota divulgada pela chancelaria, o governo cubano qualificou de “justa” a decisão de Obama de excluir Cuba da lista dos países promotores do terrorismo, “de uma lista na qual nunca deveria ter sido incluída”. “Cuba rejeita e condena todos os atos de terrorismo em todas as suas formas, assim como qualquer ação que tenha como objetivo alentar ou apoiar atos terroristas”, acrescentou.

O que John Kerry, secretário de Estado dos EUA, disse?

“As circunstâncias mudaram desde 1982, quando Cuba foi originalmente designada como um Estado Patrocinador do Terrorismo, em razão de seus esforços para promover a revolução armada por grupos na América Latina”, disse em nota. Na semanada passada, ele recomendou ao presidente a exclusão de Cuba da lista.

O que o republicano John Boehner, presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, disse?

“Estou desapontado com o fato de a Casa Branca parecer determinada a recompensar o regime de Raúl Castro, que possui um claro histórico de repressão dentro de casa e de exportação de violência para a região”, declarou em nota.

HAITI

Na segunda (13/04), um militar chileno morreu durante uma manifestação na fronteira do Haiti com a República Dominicana. Ele fazia parte da MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) e foi atingido por um disparo de arma de fogo quando patrulhava a região em veículo militar. O Chile integra a missão de paz da ONU no Haiti desde 2004. O Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores, manifestou seu pesar pela morte do sargento.

Na sexta (17/04), o Estadão publicou reportagem sobre relatório da ONU que aponta falhas na utilização financeira do orçamento da MINUSTAH. Segundo a organização, a missão gastou milhões de dólares de forma desnecessária para seus funcionários atuarem no país mais pobre da região. Foram comprados centenas de carros que não eram necessários, pois outros se acumulavam nos estoques. Perdas com peças e alugueis para fins de semana e feriados foram milionárias. A atual chefe geral da missão é Sandra Honoré, de Trinidad e Tobago. Ela comanda a Seção de Transporte da Minustah, responsável pela autorização de compra e gastos.

No domingo (19/04), a Folha publicou reportagem sobre os planos da ONU de continuar a diminuição de contingente das forças de paz no país e como isso gera preocupação aos representantes brasileiros, já que o Haiti viverá período eleitoral importante no próximo semestre. Segundo a matéria, o receio é de que a violência volte a tomar as ruas do país.

A partir de junho, o total de militares passará dos 5.021 registrados em outubro para 2.370, com tropas de quatro países. A estratégia é parte do plano da ONU de encerrar sua participação militar no país. (Infográfico: Folha)

Vale lembrar: O Brasil lidera militarmente a MINUSTAH e tem o maior contingente de soldados no país desde seu início, em 2004.

COLÔMBIA

Na terça (14/04), uma emboscada das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) terminou com a morte de 11 soldados.

Na quarta (15/04), o presidente colombiano Juan Manuel Santos, que definiu o incidente como “um ataque deliberado” que “viola promessa da trégua unilateral”, levantou a suspensão dos bombardeios à guerrilha e ordenou a retomada dos ataques aos acampamentos rebeldes.

As Farc, por sua vez, disseram que lamentam as mortes dos soldados e alegaram que o incidente foi uma “ação defensiva” e, por isso, não implica o rompimento da trégua.

Na quinta (16/04), mesmo em meio a uma atmosfera de tensão após o ataque, enviados do governo colombiano e da guerrilha voltaram às negociações do processo de paz, que tiveram início em 2012 em Havana.

Vale lembrar: Em dezembro do ano passado, as Farc anunciaram um cessar-fogo unilateral, mas continuou a defender que os conflitos em meio à negociação de paz com o governo colombiano acontecem por falta de um reconhecimento bilateral do mesmo. Santos não aceitou a trégua unilateral proposta pelos guerrilheiros – mas, como gesto de paz, ordenou em 10 de março que os bombardeios às posições dos rebeldes fossem suspensos por um mês. No dia 10 de abril, o presidente prorrogou a medida, anulada na quarta (15/04). Nesses quase três anos de diálogos em Cuba, representantes obtiveram acordos parciais para dar acesso a terras aos camponeses pobres, facilitar a conversão da guerrilha em um partido político e combater o narcotráfico e as minas terrestres. A guerra entre o governo colombiano e a guerrilha já dura 50 anos e deixou cerca de 220 mil mortos, além de 5 milhões de pessoas desalojadas.

CHILE

Na segunda (13/04), a presidente chilena, Michele Bachelet, sancionou lei que reconhece a união civil entre casais do mesmo sexo. A legislação entrará em vigor em seis meses. Dessa forma, o país torna-se o 3º sul-americano a liberar o casamento gay.

Vale lembrar: Na América do Sul, Uruguai e Argentina já regulamentaram o casamento homoafetivo. No Chile, manter relações homossexuais era crime até 1999.

Na quinta (16/04), milhares de estudantes saíram às ruas da capital chilena, Santiago, para protestar contras reformas educacionais de Bachelet e contra a corrupção, em referência tanto às investigações de doações ilegais à campanha de reeleição de Bachelet ao Palácio de La Moneda, em 2013, como ao escândalo envolvendo o filho da presidente, Sebastián Dávalos, e a nora, Natalia Compagnon. O casal é investigado sobre possível obtenção de informação privilegiada e utilização de tráfico de influência para conseguir um empréstimo de cerca de US$ 10 milhões do Banco de Chile.

Vale lembrar: Bachelet iniciou seu segundo mandato como presidente do Chile em março de 2014 e com uma avaliação positiva de 52%. Atualmente, de acordo com pesquisas recentes, a imagem positiva de Bachelet despencou para menos de 30%. Na semana passada, a mandatária não compareceu à histórica Cúpula das Américas no Panamá, primeira com participação de Cuba, e desmentiu rumores de uma possível renúncia.

ÁFRICA

ÁFRICA DO SUL

O país viveu uma segunda semana de violência xenófoba, estimulada pelo alto desemprego, com taxa de 25%, e pela crença de que os imigrantes – principalmente de outros países africanos, como Moçambique e Zimbábue – “roubam” postos de trabalho.

Na quinta (16), uma marcha pela paz reuniu centenas de pessoas na cidade de Durban, onde os distúrbios começaram e ao menos seis pessoas morreram.

Na sexta (17), em Johannesburgo, a maior cidade do país, houve ataques a lojas e veículos de estrangeiros, e a polícia dispersou com gás um protesto anti-imigração.

ORIENTE MÉDIO

IRAQUE

Na terça (14/04), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou um montante de US$200 milhões adicionais de ajuda humanitária aos civis desabrigados ou feridos na ofensiva contra o Estado Islâmico no Iraque. O anúncio foi feito durante a primeira visita oficial do primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, à Casa Branca. O presidente norte-americano saudou al-Abadi pelo progresso alcançando pela forças iraquianas, com apoio dos EUA, no combate ao grupo extremista. Obama assegurou que os aliados conseguiram fazer com que os jihadistas retrocedessem e recuperaram um quarto do território que havia sido perdido.

Na sexta (17/04), o Estado Islâmico reivindicou a autoria de um ataque, realizado no mesmo dia, contra o consulado dos EUA em Erbil, no Curdistão iraquiano. Três pessoas morreram. Nenhum funcionário norte-americano foi morto.

IÊMEN

Na terça (14/04), o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas adotou a resolução da Resolução 2216 (2015) que ordena aos milicianos xiitas houthis que se retirem das zonas conquistadas no Iêmen e estabelece um embargo sobre a venda de armas ao grupo. A resolução da ONU foi aprovada por 14 dos 15 membros do conselho. A Rússia se absteve da votação.

Também na terça (14/04), a Al Qaeda na Península Arábica (AQPA) anunciou que um de seus maiores ideólogos, o clérigo Ibrahim al-Rubaish, foi morto na segunda (13/04) em um ataque de drone lançado, supostamente, pelos Estados Unidos. O comunicado se referia aparentemente ao ataque de um drone que matou seis pessoas no sudeste do Iêmen.

Vale lembrar: Os Estados Unidos, que consideram a AQPA como o braço mais perigoso da rede extremista sunita, são o único país que usa drones no Iêmen.

Na sexta (17/04), O Ministério das Relações Exteriores do Brasil publicou nota em que informa que tomará as providências necessárias para a incorporação, no ordenamento interno, das sanções determinadas pela referida resolução. O Brasil defende que as partes devem renunciar à violência e a retomar o processo político mediado pelas Nações Unidas, com vistas a darem prosseguimento ao processo de reconciliação nacional, conforme determinado pelas decisões do Conselho de Segurança, que reafirmam o apoio da comunidade internacional à legitimidade do Presidente do Iêmen, Abdo Rabbo Mansour Hadi.

O governo brasileiro também informou sobre a bem-sucedida evacuação, na quarta (15/04), da única família brasileira que se encontrava no Iêmen.

No sábado (18/04), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif, escreveu ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para pedir à organização que impulsione seu plano de paz para o Iêmen. O primeiro dos quatro pontos do plano iraniano é a aplicação de um cessar-fogo e o fim imediato dos ataques da coalizão árabe.

Vale lembrar: O Iêmen, país mais pobre do Oriente Médio, tem sofrido há 20 dias com ataques aéreos de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita visando os rebeldes houthis e seus aliados, militares fiéis ao ex-presidente Ali Abdallah Saleh. O país saudita lidera uma coalizão árabe que lançou no dia 26 de março uma campanha de bombardeios para deter o avanço dos houthis, que conquistaram extensas zonas do Iêmen, incluindo a capital, Sanaa.

SÍRIA

Na quarta (15/04), o Estadão publicou reportagem sobre o início de retomada do diálogo de paz da Síria, pela ONU.

Vale lembrar:

  • A iniciativa ocorre no momento em que o Estado Islâmico avança para Damasco, capital Síria, na intenção de tomar Yarmuk, campo de refugiados palestinos, de um grupo de insurgentes rival.
  • Em quatro anos, propostas similares feitas pelos mediadores Kofi Annan e Lakhdar Brahimi fracassaram.
  • O único documento até hoje produzido foi o “Comunicado de Genebra” de junho de 2012.
  • A guerra que entrou em seu quinto ano e já matou 220 mil pessoas.

EUROPA

UNIÃO EUROPEIA

Na quarta (15/04), a ONU criticou a União Europeia após um naufrágio de um barco, que seguia para a Itália com mais 550 imigrantes da Líbia, e pediu ao bloco que restabeleça as operações de resgate. O incidente, um dos piores já registrados na região, deixou cerca de 400 mortos e levou a ONU e entidades de direitos humanos a duramente criticarem os governos europeus, alertando que o bloco abandonou as operações de resgate nos últimos meses. O programa, conhecido como Mare Nostrum, chegou a resgatar 100 mil imigrantes em 2014.

Segundo a organização, em apenas quatro dias, 8,5 mil imigrantes desembaraçaram no sul da Itália e a guarda costeira resgatou 42 embarcações. A previsão das autoridades europeias é a de que 2015 alcance todos os recordes em termos de imigração irregular. Em 2014, foram cerca de 300 mil imigrantes, segundo a Frontex (agência de fronteiras do bloco europeu).

ARMÊNIA E TURQUIA

Na próxima sexta (24/04), a Armênia celebrará o centenário do massacre de 1,5 milhão de armênios sob o domínio do Império Otomano, durante a 1ª Guerra Mundial. À época, o 24 de abril foi marcante porque centenas de figuras públicas armênias, como políticos, clérigos, educadores e artistas, foram presos e executados na capital do Império Otomano, Constantinopla, hoje Istambul.

No domingo (12/04), o Papa Francisco, em seu discurso dominical na Basílica de São Pedro, em Roma, durante cerimônia em memória aos armênios mortos naquele período, acompanhada pelo presidente da Armênia, Serj Sargsyan, designou o massacre do povo armênio como “o primeiro genocídio do século XX”. Francisco utilizou o termo quando se referia a três grandes massacres do século. No discurso, ele referendou o que o Papa João Paulo II e o patriarca da Igreja Apostólica Armênia, Karekin II, já haviam definido em um documento assinado por eles em 2001. A definição do líder católico causou indignação no governo da Turquia, que, além de chamar seu embaixador na Santa Sé, convocou o representante do Vaticano no país para dar explicações.

Na quarta (15/04), deputados do Parlamento Europeu saudaram as declarações de Francisco e aprovaram uma resolução confirmando o 24 de abril como data comemorativa do genocídio armênio de 1915, já reconhecido pelo Parlamento em 1987.

Vale lembrar:

  • Há um ano, o então primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, atual presidente da Turquia, pela primeira vez apresentou “condolências” aos netos das vítimas dos massacres de 1915, evocando “nossa dor comum”. Na quinta (15/04), porém, ele reforçou que a Turquia não pode aceitar a definição de genocídio.
  • A palavra “genocídio” foi cunhada, pela primeira vez, em 1943, pelo jurista polonês, de origem judaica, Raphael Lamkin, que estudou o massacre dos armênios, na 1ª Guerra Mundial, e dos judeus, na 2ª Guerra Mundial.

O que pensa o governo de Ancara?

Não foi um genocídio. Ancara reconhece as mortes de até 500 mil armênios em uma “guerra civil” entre 1915 e 1917, na região de Anatólia, e justifica que elas aconteceram no contexto da 1ª Guerra Mundial, quando os armênios se rebelaram contra os governantes otomanos e apoiaram tropas russas invasoras. O termo “genocídio” permanece como tabu para o governo e a maioria da população. Especialistas no assunto sugerem que um “negacionismo nacionalista”, aliado ao receio de ter de pagar indenizações, pode ser a explicação para o atual posicionamento turco.

O que pensa o governo de Erevan?

Erevan reivindica o reconhecimento de um amplo extermínio planificado e implementado pelas autoridades da época, sob forma de execuções e criminosas deportações.

Quem reconhece o genocídio?

O Uruguai, em 1965, foi o primeiro país do mundo a reconhecer como genocídio o massacre praticado contra o povo armênio. Além dele, mais de 20 países, entre eles Argentina, França, Itália, Rússia, também admitem o genocídio.

Quem não reconhece o genocídio?

O Brasil não reconhece o genocídio, apesar de estar apenas atrás da Argentina entre os países da América Latina que mais receberam partes da diáspora armênia. O estado e a cidade de São Paulo, diferentemente do governo brasileiro, reconhecem o genocídio. No dia 8, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou Projeto de Lei que institui 24 de abril como o Dia do Reconhecimento e Lembrança às Vítimas do Genocídio do Povo Armênio. Pelo mundo, a maioria dos países, entre eles, Estados Unidos, Israel, Reino Unido, também não reconhecem.

Imagem: O globo

Imagem: O globo

FRANÇA

Na sexta (17/04), o governo francês anunciou um programa para conter o racismo, o antissemitismo e a islamofobia no país. Até 2017, €100 milhões serão destinados a um plano de luta, com novas ações punitivas e de vigilância, e a uma campanha nacional de conscientização.

Vale lembrar: O forte aumento de atos contra judeus e muçulmanos na França tem levado o Palácio do Eliseu a fazer desse combate uma causa nacional. Segundo os dados do Ministério do Interior, os atos de caráter racista, antissemita e antimulçumano aumentaram 30% em 2014, passando de 1.274, em 2013, para 1.662. A violência antissemita cresceu 101%, alcançando 851 casos no ano passado, uma tendência de alta acentuada após os atentados terroristas de janeiro deste ano.

RÚSSIA

Na segunda (13/04), o presidente russo Vladimir Putin suspendeu a proibição e autorizou a entrega de uma remessa de sistemas de mísseis vendidos ao Irã. O sistema russo de mísseis, o S-300, foi projetado para proteção contra ataques de aeronaves e de mísseis de cruzeiro. O custo estimado para o Irã foi de US$800 milhões.

A Rússia também iniciou um programa de troca de petróleo por mercadorias com Teerã, mostrando a determinação do Kremlin em fortalecer laços econômicos com os iranianos. Os Estados Unidos e Israel criticaram a decisão russa.

Vale lembrar:

  • Em 2010, o então presidente russo, Dmitri Medvedev, cancelou o contrato, assinado em 2007, devido a uma resolução da ONU que restringia a entrega de armas ao Irã.
  • As medidas acontecem logo após as potências mundiais, entre elas Rússia e EUA, chegarem a um acordo provisório com o Irã para o congelamento do programa nuclear persa.

Análise:

ÁSIA

CHINA

Na quarta (15/04), a agência de estatísticas do país informou um crescimento econômico de 7% no primeiro trimestre deste ano. O valor é o menor desde 2009, o que indica que a China cresceu em ritmo mais lento nestes seis anos no início de 2015.

ECONOMIA

BALANÇA COMERCIAL

Na segunda (13/04), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) informou que as exportações superaram as importações, resultando em superávit da balança comercial brasileira, em US$ 132 milhões no começo de abril.

BRICS

Na quinta (16/04), ministros dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), reunidos em reunião à margem de um encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Washington, decidiram criar uma entidade jurídica provisória para acelerar a fundação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que terá sede em Xangai, na China. Foi definido que o Arranjo Contingente de Reservas (CRA, da sigla em inglês) dos Brics terá um comitê diretor, um conselho de governadores e foi aprovado um acordo entre os bancos centrais dos países com 46 artigos com regras de funcionamento do fundo. O conselho de governadores será composto pelos ministros da Fazenda dos países.

Vale lembrar: O banco dos Brics terá fundos de US$ 100 bilhões e financiará obras de infraestrutura em países pobres e emergentes. A aprovação do sistema de funcionamento do CRA foi considerada um passo importantíssimo para o funcionamento do fundo, que terá US$ 41 bilhões em aportes da China, US$ 18 bilhões em cotas iguais de três países (Brasil, Índia e Rùssia) e US$ 5 bilhões da África do Sul. Pelas regras do CRA, os países que enfrentarem dificuldades de liquidez vão poder sacar até um terço do valor sem o aval do FMI. Quantias maiores terão que ser aprovadas de acordo com as regras do Fundo Monetário.

FMI

Na terça (14/04), o Fundo Monetário Internacional (FMI), em sua Primavera, divulgou o relatório Panorama Econômico Global, em que informa que, enquanto a Europa se recupera da crise, a América Latina e o Caribe devem registrar, em 2015, o quinto ano seguido de desaceleração econômica. De acordo com o relatório, parte considerável do resultado fraco da região é responsabilidade do Brasil.

Segundo o relatório, o FMI estima que a economia global cresceu 3,4% em 2014 e deve ter uma expansão de 3,5% neste ano e 3,8% em 2016, embora haja muita diferença entre as perspectivas de crescimento de cada país, com os produtores de petróleo e outras commodities sendo especialmente prejudicados. De acordo com o fundo, embora em 2014 os países emergentes tenham contribuído com três quartos do crescimento global, em 2015, esses mercados devem continuar a desacelerar, enquanto os países desenvolvidos continuariam a se recuperar.

O ministro da Fazenda do Brasil, Joaquim Levy, reuniu-se com a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. Em entrevista, ela citou o Brasil como um dos países emergentes que estão enfrentando mais dificuldades na economia, mas elogiou o ajuste fiscal em curso no país e disse que o Brasil pode voltar a crescer no ano que vem caso “políticas confiáveis” sejam adotadas adequadamente. O FMI prevê que a economia brasileira encolherá 1% neste ano.

OMC

Na terça (14/04), a Organização Mundial do Comércio (OMC) informou as previsões de que o comércio global de bens crescerá 3,3% neste ano e 4,0% em 2016, menos do que projetado anteriormente, devido principalmente ao fraco crescimento econômico.

Vale lembrar: O comércio cresceu 2,8% em 2014, muito abaixo da projeção original de 4,7% e também menos que a projeção revisada de 3,1% que a OMC divulgou em setembro.


Rafaela_Marinho_01*Rafaela Marinho – Jornalista formada pela Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Possui experiência em veículos da mídia, como a revista “EXAME”, da Editora Abril, e o jornal “O Globo”, bem como interesse na cobertura de assuntos econômicos, das relações internacionais e da diplomacia brasileira.

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2 Respostas para “Seleção de Notícias #7: Semana 13/04 a 19/04

  1. Rafaela, o site é muito bom, mas a seleção de notícias está fenomenal. Agradeço muito pelo serviço compartilhado!!! Muito bom mesmo!!

  2. Sem palavras suficientes para agradecer o mais que generoso trabalho de compilação das notícias. E ainda sobra tempo para contextualização e pequenas notas. Vocês não dormem?! rs Obrigado!

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