A República Comunista Neoliberal

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Por Gabriel Sandino de Castro*

Nestes últimos tempos, temos visto uma série de rotulações sobre o governo federal como por exemplo as denominações “aparelhamento do Estado” , “ditadura comunista do PT” ou “doutrina bolivariana do Foro de São Paulo”. Se fosse apenas uma ou outra pessoa com este tipo de pensamento paranoico, nós estaríamos, no mínimo, tranquilos.

No entanto, a realidade é completamente diferente. Na manifestação da Avenida Paulista no dia 15 de março, a Polícia Militar contabilizou 1 milhão de pessoas. No dia 12 de abril a PM contabilizou 275 mil (1). Presumo que uma parcela considerável daqueles manifestantes acredita que o comunismo, socialismo, (ou qualquer outra coisa que eles entendem ser um tipo de regime soviético ou cubano) já é um fato presente no país, ou que pelos menos estão caminhando para ele.

Recentemente o Banco Central bloqueou a participação do Brasil no Banco dos BRICS. Para quem não sabe, o Banco Central do Brasil tem um caráter econômico ortodoxo, orientado pela hegemonia do capital financeiro estadunidense e pela atual arquitetura econômica global. O argumento do Banco Central para o bloqueio é que a participação do país no Banco dos BRICS irá resultar em um derretimento das reservas internacionais. Para o economista José Carlos de Assis, este argumento não é válido, pois as “transferências de recursos não altera a posição fiscal do Brasil” (2). O professor da UFRJ ainda argumenta sobre a necessidade de nacionalizar o Banco Central por entender que a participação dos BRICS é fundamental para uma nova reconfiguração da arquitetura financeira mundial e a democratização da ordem econômica global.

Ironicamente, algumas semanas antes, o Ministro da Fazenda Joaquim Levy, considerado um economista ortodoxo, afirmou estar contente sobre o progresso nos projetos desenvolvidos para o Banco dos BRICS (3). Assim, é de se perguntar como uma parcela da sociedade pode chamar o atual governo de comunista ou que possa estar planejando um golpe comunista. Um governo em que o Banco Central apresenta viés neoliberal, um Ministro da Fazenda que saiu da Universidade de Chicago e que, ao mesmo tempo, se apresenta como um governo de esquerda. Me parece que a ortodoxia no Brasil é um pouco heterodoxa.

Referências

  1. http://www.ebc.com.br/noticias/2015/04/pm-manifestacao-reuniu-275-mil-pessoas-na-avenida-paulista
  2. http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Banco-Central-bloqueia-participacao-do-Brasil-no-Banco-dos-BRICS/7/33393
  3. http://www.valor.com.br/financas/4013256/brasil-esta-satisfeito-com-avancos-no-banco-dos-brics-diz-ministro

Gabriel* Gabriel Sandino de Castro é mestrando em Relações Internacionais pelo Programa de Pós- Graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia. Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Grande Dourados. Tem experiência nas seguintes áreas: economia política internacional, política externa brasileira, teoria política e marxismo.

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4 Respostas para “A República Comunista Neoliberal

  1. Informação estranha essa de que “o BACEN bloqueio a participação brasileira no Banco dos BRICS”. Parece falsa, e ao que tudo indica é mesmo.
    Saiu na Carta Maior e foi replicada apelas pelo blog do José Dirceu e pelo Brasil 247. Não cita fonte e usa o gancho para fazer propaganda pela ‘estatização’ do Banco Central (que sequer é órgão autônomo).
    Não dá para sair acreditando e reproduzindo as informações que saem nesse blogs do MAV, especialmente quando tratam de economia.

  2. No caso do bloqueio do Banco Central à participação do Brasil no Banco dos BRICS, é uma denuncia do professor José de Assis. Se você conhecesse o trabalho deste grande economista, iria entender o sentido de seu texto publicado no site Carta Maior. O professor Assis desenvolve pesquisas a respeito dos bastidores das instituições financeiras internacionais. Publicou livros como” A Chave do Tesouro: Anatomia dos escândalos financeiros: Brasil, 1974-1983″;
    “Os Mandarins da República: Anatomia dos escândalos na administração pública, 1968-1984”;
    “A Dupla Face da Corrupção”.

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