Seleção de Notícias #11: Semana 10/05 a 17/05

Por Rafaela Marinho*

BRASIL

AGRICULTURA

Na quarta (13), o Estadão publicou uma entrevista com o brasileiro José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nação Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Ele está em campanha como candidato único à reeleição ao cargo. Na conversa, Graziano defendeu pontos principais para uma agenda de segundo mandato. São eles: a continuidade da erradicação da fome como prioridade da Organização e a defesa de reformas ambientais dos sistemas agrícolas.

COMÉRCIO EXTERIOR

Na quarta (13), o governo fechou os principais pontos do Plano Nacional de Exportações, que agora depende apenas da agenda da presidente Dilma Rousseff para ser anunciado, de acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto. Esperava-se que o plano fosse anunciado em fevereiro, mas, em ano de ajuste fiscal, o impasse orçamentário impediu a divulgação. Sem acordo entre a equipe econômica e o Ministério do Desenvolvimento, a decisão sobre o PNE ficou para a presidente, que prometeu a empresários entregar o plano até o fim de maio. Participaram da reunião representantes do Itamaraty, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e dos ministérios do Planejamento e da Fazenda.

Vale lembrar: Monteiro vem defendendo, para melhorar o comércio exterior brasileiro, além do plano de exportações, a necessidade de negociações de acordos bilaterais. Ele já declarou que o fato de o Brasil integrar o Mercosul não pode excluir o País de acordos com outras partes do mundo. O ministro também argumenta pela urgência na aprovação de um acordo entre o bloco sul-americano e a União Europeia, que vem sendo negociado há anos. Para ele, o Brasil tem mais pressa no acordo do que outros países do Mercosul, e podem ser criadas alternativas para permitir que cada país do bloco possa aderir em prazo diferente.

RELAÇÕES BILATERAIS

BRASIL-CHINA

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O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, que virá ao Brasil nesta semana. Crédito: Reprodução.

A imprensa vem adiantando os assuntos da visita de Estado do primeiro-ministro chinês ao Brasil. Li Keqiang desembarcará no país nesta segunda (18), menos de um ano após a visita do líder do país Xi Jinping.

A Folha e o Globo informaram que o chinês trará consigo um pacote de projeto de cooperação, no valor total de US$ 53 bilhões (R$ 160 bilhões). Segundo o jornal, será assinado, em Brasília, um conjunto de mais de 30 atos envolvendo principalmente investimentos em infraestrutura e no aumento da capacidade produtiva do Brasil. Entres os projetos, o principal seria a Ferrovia Transoceânica, que ligará a brasileira Ferrovia Norte-Sul à costa do Pacífico, no Peru. Dessa forma, o Brasil poderá exportar, pelo Pacífico, soja e minério de ferro, dois dos seus principais produtos no comércio com a China, barateando o custo.

A venda de 22 de um total de 60 aeronaves da Embraer para a companhia chinesa Tianjin também está na pauta do encontro entre os líderes da China e do Brasil. Além disso, deverá ser assinado um acordo sanitário para que o mercado chinês passe a importar carne bovina brasileira.

O primeiro-ministro da China iniciará pelo Brasil um giro pela América do Sul. Na quarta-feira, ele viajará para Colômbia. Também estão previstos Peru e Chile no roteiro de Li Keqiang.

Vale lembrar: Em julho de 2014, Dilma e o líder chinês, Xi Jinping, ratificaram cooperação permitindo investimentos chineses em ferrovias brasileiras.

No dia 2 de abril, em entrevista à TV China Business News, porém divulgada apenas na última semana pela assessoria da Presidência, a presidente Dilma Rousseff resaltou pontos importantes da relação estratégica entre Brasil e China, defendeu, mais uma vez, a ampliação da pauta de exportação de produtos manufaturados brasileiros e negou que haja impedimentos do MERCOSUL para os acordos com o país asiático.

O que a presidente Dilma Rousseff disse?

“Nós hoje temos grandes oportunidades, apresentadas pelo perfil dos nossos países. Cooperação, por exemplo, na área de alimentos processados. A cooperação na área de transporte aéreo, na área de tecnologia da informação, em que a China teve grandes resultados. Tudo isso cria um caminho para nossa cooperação. Além disso, o Brasil passa por um momento em que todo o conhecimento e a expertise da China na área de investimento em infraestrutura nós podemos aproveitar, tanto na área de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.”

Análises: “Parceria estratégica com a China” por Marcos Sawaya Jank

BRASIL-VIETNÃ

Na sexta (15), a presidente Dilma Rousseff recebeu a visita da vice-presidenta do Vietnã, Nguyen Thi Doan. O encontro marcou o fortalecimento das relações entre Brasil e Vietnã, restabelecidas em 1989.

Vale lembrar: Só no período de 2003 a 2012 o comércio entre os dois países saltou de US$ 47,1 milhões para US$ 1,6 bilhão.

AMÉRICAS

ESTADOS UNIDOS

Na segunda (11), o governo Barack Obama concedeu licença condicional à Shell para perfurar poços de petróleo e gás natural no oceano Ártico a partir de julho.

Leia mais: Com ressalvas, EUA liberam exploração de petróleo no Ártico

CUBA

Na terça (12), a ilha recebeu a primeira visita de um presidente francês desde sua independência da Espanha, em 1898, e o primeiro líder europeu desde a década de 1980. O presidente francês, François Hollande, encontrou-se com o presidente cubano Raúl Castro e com o irmão, Fidel Castro. Em discurso, Hollande defendeu o fim do embargo econômico dos Estados Unidos sobre Cuba, disse que o governo francês fará o máximo possível para que as sanções sejam logo revertidas e que expandirá as bolsas universitárias para alunos cubanos que desejem terminar suas formações acadêmicas na França.

Na quinta (14), o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que o país e Cuba terão uma quarta rodada de negociações no próximo dia 21, na qual será discutido o restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países e a reabertura de embaixadas em Washington e Havana.

Vale lembrar: A última rodada de negociações aconteceu em março, em Havana, quase um mês antes da Cúpula das Américas no Panamá, onde Obama e Castro se encontraram pessoalmente.

VENEZUELA

No domingo (10), a principal liderança do órgão eleitoral venezuelano, Tibisay Lucena, informou que as eleições para a Assembleia Nacional serão realizadas no último trimestre deste ano. Uma data ainda deverá ser anunciada.

Na segunda (11), segundo o jornal venezuelano El Universal, a chancelaria venezuelana e o governo dos Estados Unidos retomaram as conversações para solucionar o impasse sobre a representação diplomática dos americanos em Caracas. Em março, o governo de Madurou deu um prazo de duas semanas para a representação diplomática diminuir o tamanho de sua equipe formada por cidadãos americanos no país de cerca de 100 para 17 funcionários, além de exigir que cada reunião realizada pela embaixada fosse notificada ao país. Até o momento, porém, tanto a embaixada americana quanto o escritório de assuntos consulares em Caracas continuam operando com a mesma quantidade de funcionários, afirmaram fontes.

CHILE-BOLÍVIA

Análise sobre a disputa diplomática territorial entre os dois países:

“Condor de Haia” em editorial da Folha

CHILE

Na segunda (11), a presidente chilena, Michelle Bachelet, anunciou seu novo gabinete. Na semana anterior, Bechelet havia pedido a renúncia de seus ministros. Atualmente, ela enfrenta as mais baixas taxas de aprovação desde sua reeleição.

ORIENTE MÉDIO

PALESTINA

Na quarta (13), o Vaticano concluiu um tratado que reconhece formalmente o Estado da Palestina. Em nota, a representação católica informou que com o ato espera estimular a comunidade internacional a tomar atitudes mais decisivas para contribuir com uma paz duradoura e com a esperada solução de dois Estados. No domingo (17), o Vaticano beatificou duas freiras palestinas.

Vale lembrar:

O reconhecimento da Palestina como Estado já foi endossado por 135 países na ONU em 2012, embora apenas com nível de “observador”. Diversos países, como Grã-Bretanha, França e Espanha, já aprovaram moções pedindo o reconhecimento da Palestina. Em outubro passado, a Suécia tornou-se o primeiro país ocidental da União Europeia a formalizar essa decisão, admitindo que “estão reunidos os critérios do direito internacional” para a existência formal da Palestina.

Análises:

“O reconhecimento da Palestina” em editorial do Estadão

“O papa conseguirá o milagre?” por Clóvis Rossi

ESTADO ISLÂMICO

No domingo (17), combatentes do Estado Islâmico tomaram uma importante base militar no oeste do Iraque. O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, imediatamente autorizou o emprego de forças paramilitares xiitas para retomar o controle de uma província de maioria sunita. Na sexta (15), a tomada da cidade de Ramadi pelos extremistas também foi noticiada.

No sábado (16), os Estados Unidos anunciaram que um grupo de operações especiais fez uma incursão na região de Deir ez-Zor, no leste da Síria, e matou um dos líderes do Estado Islâmico no país, identificado como Abu Sayyaf.

EUROPA

UNIÃO EUROPEIA

ECONOMIA

Na quarta (13), foram divulgados resultados econômicos do bloco europeu, que surpreendeu com um crescimento de 0,4% em relação primeiro trimestre de 2014. Pela primeira vez, em 4 anos, a zona do euro superou o crescimento dos EUA e do Reino Unido. Os países da zona do euro parecem estar sendo beneficiados neste ano pelos preços baixos de energia e alimentos, pelo euro mais fraco e pelos estímulos econômicos do BCE (Banco Central Europeu), que vem injetando recursos na economia.

Análise: “Recuperação da zona do euro é alento para o Brasil” em editorial do Globo

CRISE IMIGRATÓRIA NO MEDITERRÂNEO

Na quarta (13), a União Europeia apresentou um plano de cotas dos imigrantes que chegam ao continente pelo Mediterrâneo. A ideia é que eles sejam distribuídos entre os países do bloco, de acordo com critérios como desemprego e quantidade refugiados nos países, e que pedidos de asilo possam ser transferidos entre países. A proposta de quotas foi recebia com críticas por alguns países, como França.

Vale lembrar: Além do sistema de cotas, a União Europeia (UE) planeja ataques militares contra traficantes de imigrantes na Líbia, o que foi rejeitado pelo embaixador líbio na ONU.

ÁSIA

CRISE IMIGRATÓRIA NO SUDESTE ASIÁTICO

Na sexta (15), a ONU informou que cerca de 6.000 imigrantes continuam à deriva em condições muito precárias no mar do sudeste asiático. A organização criticou a iniciativa de Malásia, Indonésia e Tailândia de adotarem “uma política de devolução ao mar” de embarcações ilegais.

Leia mais: Imigrantes navagem à deriva pela Ásia


Rafaela_Marinho_01*Rafaela Marinho – Jornalista formada pela Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Possui experiência em veículos da mídia, como a revista “EXAME”, da Editora Abril, e o jornal “O Globo”, bem como interesse na cobertura de assuntos econômicos, das relações internacionais e da diplomacia brasileira.


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Esta seleção de notícias é realizada pela ferramenta de fichamentos do Clipping CACD e pelo Clipping de Notícias diário da plataforma. Esta seleção não pretende abranger ou esgotar a totalidade de assuntos e de fontes relevantes na atualidade para os estudos ao CACD. É importante manter uma leitura própria dos assuntos pertinentes.
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