Seleção de Notícias #13 (Américas): Semana 25/05 a 01/06

Por Rafaela Marinho*

BRASIL

CLIMA

Na quarta (27), a ONG SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) lançaram o documento “Atlas de Remanescentes Florestais”, em que está registrada uma queda no desmatamento da Mata Atlântica, no ano de 2014. A taxa, no ano passado, recuou 24%. Foram derrubados 183 km2, sendo que, em 2013, haviam sido registrados 240 km2 desmatados.

Análise:

“Mata em recuperação” em editorial da Folha

ITAMARATY

Na quinta (28), o Ministro das Relações Exteriores afirmou, em audiência pública no Senado Federal, que o corte de R$ 40,7 milhões no orçamento do Itamaraty não irá comprometer a atuação da pasta. Ele ponderou, no entanto, que a pasta terá que se “adaptar e fazer os esforços necessários” para desempenhar suas funções.

Leia mais: Chanceler diz que corte no Orçamento não afetará atuação do Itamaraty

RELAÇÕES BILATERAIS

BRASIL-MÉXICO

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Presidente brasileira, Dilma Rousseff, e presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, cumprimentam-se na capital mexicana. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

 Na terça (26) e na quarta (27), a presidente brasileira Dilma Rousseff realizou sua primeira visita de Estado ao México, onde foi recebida pelo presidente Enrique Peña Nieto. Os dois mandatários participaram de assinaturas de acordos comerciais, de serviços aéreos, meio ambiente, pesca e aquicultura, agricultura tropical, turismo, desenvolvimento sustentável e cooperação científica e tecnológica

“Eu vou ao México com uma consciência muito forte da importância que o país tem na formação de uma relação e de uma unidade latino-americana, mas que respeita diferenças. Nós temos um compromisso com a América Latina e com a África. Esse é o compromisso que temos pela nossa identidade cultural”, disse a presidente.

Dilma definiu a visita como marco de “um novo capítulo” nas relações entre os dois países. A visão foi compartilhada por Peña Nieto, que declarou que, a partir desse encontro, as duas nações deram “um salto qualitativo na relação bilateral”.

“Esperamos que, em menos de dez anos, possamos dobrar o nosso comércio bilateral, que hoje já é de US$ 9 bilhões”, disse Peña Nieto.

Dilma também participou de reunião com 23 empresários brasileiros e do encerramento do Encontro Empresarial Brasil-México, em que estiveram 420 empresários brasileiros e mexicanos, interessados no maior dinamismo comercial entre México e Brasil.

Para a imprensa, Dilma disse que “o fim do superciclo das commodities faz com que nós tenhamos de ter um esforço maior na área internacional no sentido de buscar acordos fora dos tradicionais acordos de compra de commodities – o que não significa que a gente vai deixar de olhar para as commodities”, em um sinal de mudança na estratégia comercial.

Os principais destaques do encontro foram:

  • A assinatura do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI). Esse é o primeiro acordo de facilitação e cooperação, na área de investimentos, que o Brasil assina neste continente. O acordo fixa as regras de cada nação para fechar negócios dentro de seus respectivos marcos regulatórios e define os mecanismos para redução de riscos e prevenção de controvérsias. O ACFI representa uma inovação para as economias brasileiras e mexicanas, já que, com esse marco jurídico, protegerá e atrairá investimentos nos dois países. Dessa forma, o acordo contribuirá para melhorar as condições das empresas mexicanas que buscam investir no Brasil, e das empresas brasileiras que buscam investir no México.
  • A ampliação e o aprofundamento do Acordo de Complementação Econômica nº 53 (ACE-53). Esse acordo, que atualmente regula o comércio bilateral entre os dois países, já existia para 800 produtos, mas agora ele está sendo ampliado para mais de seis mil itens.
  • A assinatura de Acordo de Reconhecimento da Cachaça e da Tequila. Os dois presidentes assinaram esse acordo para reconhecer os produtos como genuinamente nacionais, com denominações de origem assegurada. O objetivo é combater a venda de produtos piratas, uma vez que, desta forma, somente a verdadeira cachaça brasileira poderá ser vendida com este nome no México, da mesma forma que a tequila no Brasil.
  • A atualização do marco de cooperação turística com a assinatura de um Memorando de Entendimento entre as instituições turísticas de ambos os países. De igual maneira, foram atualizados os mecanismos de cooperação na área de serviços aéreos, o que contribuirá para uma maior e mais eficiente mobilidade de turistas, empresários e estudantes. Com a eliminação de vistos entre os dois países em maio de 2013, o turismo tem aumentado exponencialmente. Enquanto aproximadamente 78 mil turistas brasileiros viajaram ao México em 2005, o ano de 2014 registrou quase 310 mil brasileiros em terras mexicanas. Atualmente, o México absorve em torno de 15% do turismo internacional. “O México está entre os dez maiores receptores do turismo internacional e nós temos muito a colaborar na questão do turismo. Para o México, [o turismo] é a terceira maior fonte de divisas e nós certamente teremos muito o que aprender com as boas práticas deles”, comentou o embaixador do Brasil no México, Marcos Leal Raposo Lopes.
  • O convênio de cooperação entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex), que prevê a realização de atividades conjuntas em promoção comercial e de investimentos.

Em suas declarações, ambos os presidentes pontuaram posicionamentos e características em comum entre México e Brasil:

  • Brasil e México são países latino-americanos, democráticos, em desenvolvimento, de grande território, de grande população, economias emergentes, que promovem a integração e o multilaterismo como meios para atingir uma ordem internacional próspera, justa e democrática;
  • Os dois países são as maiores economias da América Latina e representam 62% do PIB latino-americano;
  • Ambos participaram da criação do G20 Comercial na Cúpula da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancún, em 2003;
  • Brasil e México opuseram-se à invasão norte-americana ao Iraque, também em 2003;
  • Os dois países atuaram como parceiros na criação da CELAC;
  • Brasil e México estão comprometidos no trabalho conjunto para a adoção da nova Agenda de desenvolvimento pós-2015 das Nações Unidas;
  • Os dois países estão comprometidos com negociações para o êxito da próxima Conferência das Partes, no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

Vale lembrar:

  • A visita de Dilma ao México não foi uma simples visita bilateral de trabalho. Tratou-se de uma visita de Estado, com os simbolismos que isso inclui: homenagens, visita a locais históricos e ao Poder Legislativo do país, revista às tropas, etc.
  • O comércio entre Brasil e México passou de US$ 5,7 bilhões, em 2006, para US$ 9 bilhões, em 2014, sendo que mais de 90% das exportações brasileiras ao México são produtos industrializados.
  • O México é o segundo maior mercado consumidor interno, depois do Brasil, na América Latina;
  • O acordo automotivo Brasil-México foi renovado por mais quatro anos em março passado;
  • Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), foi recebido por Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, em setembro de 2012, logo após ser eleito como presidente do México, mas ainda não empossado.

Leia mais:

Entrevista da presidente Dilma Rousseff ao jornal mexicano “La Jornada”

Análises:

Fontes: Blog do Planalto, BBC Brasil, Carta Capital, Ministério do Desenvolvimento e Ministério das Relações Exteriores.

CUBA

Na sexta (29), os Estados Unidos retiraram oficialmente o nome de Cuba da lista do Departamento de Estado dos países que promovem o terrorismo, em um passo fundamental para a retomada das relações diplomáticas entre os dois países.

“Cuba não proporcionou nenhum apoio ao terrorismo internacional nos últimos seis meses e, além disso, proporcionou garantias de que não apoiará atos de terrorismo no futuro”, justifica a nota do Departamento de Estado sobre a retirada da ilha da lista – na qual estão Irã, Síria e Sudão.

Vale lembrar: No dia 14 de abril, após sua histórica reunião com o presidente cubano, Raúl Castro, realizada no Panamá, durante a Cúpula das Américas, Obama anunciou sua decisão de eliminar Cuba dessa lista, na qual a ilha está desde 1982. A revisão da lista foi encomendada por Obama em dezembro do ano passado a seu secretário de Estado, John Kerry, o que levou o governo americano a determinar que já não há motivos para que a ilha continue nela.

Leia mais: Banco da Flórida faz acordo com Cuba, facilitando reabertura de embaixadas

VENEZUELA

No sábado (30), milhares de pessoas foram às ruas de Caracas para protestar contra o governo do presidente Nicolás Maduro e para exigir a libertação dos dirigentes opositores presos, entre eles Leopoldo López e Daniel Ceballos, que se mantêm em greve de fome. Em uma manifestação pacífica, os participantes também cobraram a definição de uma data para as eleições parlamentares no país este ano.

Leia mais:

Venezuelanos vão às ruas em apoio a opositores presos

Mulher de opositor venezuelano preso cobra apoio de Dilma contra Maduro


Rafaela_Marinho_01*Rafaela Marinho – Jornalista formada pela Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Possui experiência em veículos da mídia, como a revista “EXAME”, da Editora Abril, e o jornal “O Globo”, bem como interesse na cobertura de assuntos econômicos, das relações internacionais e da diplomacia brasileira.


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Esta seleção de notícias é realizada pela ferramenta de fichamentos do Clipping CACD e pelo Clipping de Notícias diário da plataforma. Esta seleção não pretende abranger ou esgotar a totalidade de assuntos e de fontes relevantes na atualidade para os estudos ao CACD. É importante manter uma leitura própria dos assuntos pertinentes.
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