PEB: Um olhar tardio aos seus semelhantes?

Imagem: Google Images / O Globo

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Por Lucas Macedo Lopes*

Pensar em política externa brasileira (PEB) é analisar, sob dois prismas, o comportamento do Estado nas Relações Exteriores. O primeiro deles podemos destacar é o caráter pacifista e que é perpetuado pelo do Brasil desde os seus primórdios, sem muitos descompassos em seu trajeto. O segundo, o qual quero me ater melhor, são as relações entre o nosso País e seus semelhantes, sejam nossos irmão de origem ibérica sejam os povos do além Atlântico Sul.

É bem verdade que muitos de nossos concidadãos, mesmo na atualidade, não se enxergam como latino-americanos. Talvez dada a nossa própria origem, a qual fomos o centro de poder de uma metrópole europeia, voltamos os nossos olhos ao continente europeu e demos as costas aos nossos vizinhos. Apesar das metrópoles Portuguesa e Espanhola sejam vizinhas na Península Ibérica, as suas colônias nas Américas tiveram destinos distintos.

Ao tempo que Napoleão conquistava a Europa, a família real portuguesa veio e se instalou em terras brasilianas. Com eles, todo o grande aparato burocrático que mantinha a metrópole também foi transportado (uma situação bem inusitada para uma colônia). Esse status diferenciado deu as bases para a manutenção do território unido (mesmo com as tentativas posteriores de movimentos separatistas) e o surgimento do Império Brasileiro.

Talvez o ego pelo nossa então situação de monarquia e império tenha sido um dos grandes motivos pela empatia aos europeus em detrimento dos nossos vizinhos. As colônias não se uniram para formar um impérios: Surgiram vários Estados com as peculiaridades inerentes a cada um pelos mais diversos conflitos que fragmentaram as ex-colônias espanholas.

Aos nossos irmãos do continente africano, fizemos o mesmo. Sem abaixar os olhos da Europa para o grande continente do Atlântico Sul, os movimentos de relações internacionais só puderam começar, mesmo que em pequenas ondas, após os movimentos de descolonização que ocorreram em sua maioria entre as décadas de 1950 à 1970. A Conferência de Bandung, de 1955, onde seis Estados africanos e 23 asiáticos se reuniam discutiram sobre meios de fazer frente aos movimentos (neo)colonialistas, dando ensejo ao impulso dos movimentos de independência. O Brasil se fez representar pelo então diplomata Bezerra de Menezes como observador, mas, além da aproximação da África no período militar brasileiro, a verdadeira ponte só começou a ser construída com o início do mandato do então presidente Lula. As diversas incursões a partir da década 2000 contribuíram para uma grande presença brasileira nos países da africanos.

Desta feita, podemos vislumbrar que – pelo menos a priori – o Brasil não teve olhos ou interesses concretos em construir relações com seus vizinhos (ou ao continente que lhe deu uma de suas matrizes étnicas). O foco inicial foi (e continuou sendo) se voltar à Europa ou aos Estados Unidos. Ocorre que, mesmo com pontuais relações formais tanto à América Latina como à África no início, o Brasil enxergou o potencial da PEB mais tardiamente com o segundo do que em relação ao primeiro. Hoje vemos um enraizamento das interações entre esses atores. O que antes pode ter sido um equívoco por certa falta de visão, as décadas de aprendizado e estabilidade da PEB fizeram com que a atuação brasileira tornasse plural e correspondessem mais à expectativa da atuação do Brasil à altura correspondente.


Foto - Lucas Macedo* Advogado. Bacharel em Direito pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR (2014). Especializando Lato Sensu em Direito Processual Civil (UNIFOR). Especializando Lato Sensu em Direito e Relações Internacionais (UNIFOR). Especializando Lato Sensu em Relações Internacionais (DAMÁSIO). Especializando Lato Sensu em Estudos Diplomáticos (CEDIN). Membro da Comissão de Direito Internacional da OAB-CE e Membro da Comissão de Direito Marítimo, Portuário, Aeroportuário e Aduaneiro da OAB-CE.

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