Antissemitismo: da Idade Média ao Holocausto

 

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Por Marcelo Gomes*

O antissemitismo existe desde a Idade Média, muito antes do nascimento de Hitler, quando os cristãos associavam os judeus à figura do mal e os culpavam pela morte de Jesus Cristo, crença que permaneceu na mentalidade europeia do ocidente. O século XIX assistiu ao surgimento de teorias raciais que buscavam explicar as origens e características das “raças humanas” e acabaram fazendo distinções entre as etnias. A “raça ariana”, dos germânicos, durante o referido período foi muito enaltecida ao passo que a dos semitas, judeus, foi muito desvalorizada e subjugada. Desde 1807, estudos sobre as origens do povo alemão germinavam o sentimento nacionalista e de ódio aos judeus, que eram vistos como os causadores da desgraça na Alemanha. Quando os semitas conseguiram emancipação civil e social, em 1869, um forte sentimento de ódio e inveja pairou sobre os alemães, que passaram a enxergar os judeus como inimigos da prosperidade e do desenvolvimento alemão. Entre os anos de 1861 e 1895, Klemens Folden apontou que de 51 escritores alemães antissemitas, 19 defendiam o extermínio físico dos judeus. Entre 1887 e 1893, o número de cadeiras do Partido antissemita do Povo no Reichstag (parlamento alemão) saltou de uma para 16, o que mostra como a histórica mentalidade antissemita foi ganhando força com o passar do tempo.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o sentimento de intolerância aos judeus se agravou pelo fato de que não se juntaram às Forças Armadas, não se associando à defesa da nação alemã e, portanto, eram acusados pela população de estarem interessados apenas em garantir benefícios pessoais.

Com a escolha de Hitler como Chanceler, o antissemitismo se tornou um instrumento político reforçando-se na mentalidade do povo, que passou a aceitar a crença de que a maldade dos judeus era dirigida contra a prosperidade, unidade e prestígio na nação alemã e por isso deveriam limpar o país. De acordo com Hannah Arendt, é nos momentos de crise, como aquele que vivia a Alemanha que o antissemitismo se presta a justificar as derrotas militares, a miséria, a fome e o desemprego. Segundo Maria Carneiro, a propaganda nazista na época afirmava que se o Estado não tomasse as devidas medidas, os judeus dominariam o mundo. Além disso, Hitler acreditava que apenas uma raça pura poderia se impor, garantindo supremacia sobre as demais.

Além da crise, o complexo de inferioridade e a histórica mentalidade antissemita propiciaram o sucesso da ideologia nazista, que dava aos alemães comuns a oportunidade de fazer parte de uma elite, por isso o conceito de “raça escolhida”. Hitler sabia que não poderia convencer o povo através da razão, precisava conquistá-los pela emoção, que o levou a usar os judeus como bode expiatório para sua ascensão e continuidade no poder.

A ascensão de Adolf Hitler e a conquista de maioria no parlamento pelo partido nazista deu início à perseguição concreta dos judeus, que pode ser apresentada três diferentes momentos: o primeiro que foi de 1933 até 1938 foi caracterizado pela segregação dos judeus, banindo-os da vida econômica, social e política por meio de legislações, prisões, boicotes e até espancamentos públicos. Nessa fase, o principal objetivo nazista era reduzir o número de judeus na Alemanha e retirar-lhes todas as condições possíveis para que fossem expulsos como uma minoria não reconhecida e apátrida. O segundo momento teve início no ano de 1938 e durou até 1941, se caracterizando pela intensificação do sentimento antissemita e violência, o que incluiu o extermínio de indivíduos pelo trabalho forçado, massacres sistemáticos e campos de concentração. Nesse período o objetivo já era de impedir a fuga dos judeus para que pudessem, posteriormente, aplicar a Solução Final. Esta representa o terceiro e último momento, tendo início em 1941 e sendo interrompida em 1945, quando a guerra chega ao fim. O período foi marcado pela instalação dos campos extermínio, até então não conhecidos, que tinham por objetivo reunir os judeus em locais afastados e, longe do público, exterminá-los.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARNEIRO, Maria Luiz Tucci. Holocaustro: crime contra a humanidade. História em Movimento. 1ª ed. São Paulo: Ática, 2000.

FRATTINI, Eric. A Santa Aliança – Cinco Séculos de Espionagem do Vaticano. Campo da Atualidade. 1ª ed. Porto, 2005

NYE, Joseph S.. Cooperação e Conflito nas Relações Internacionais. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009.

GIBELLI, Nicolás J.. A Segunda Guerra Mundial. Vol.12. Rio de Janeiro, Codex, 1966.

ARNOLD-FOSTER, Mark. Mundo em Guerra. 1ª ed. Rio de Janeiro, Record, 1973.

ZAGO, Tatiana sigal. Tribunal de Nuremberg. Disponível em: < http://dspace.c3sl.ufpr.br:8080/dspace/handle/1884/35576 > Acesso: 20/04/15.

SHIRER, William L. Ascensão e Queda do III Reich. Vol. I. 1ª ed. São Paulo, Agir, 2008.


11273713_10210126375778731_1391050308_n* Marcelo Gomes estuda Relações Internacionais na PUC-Goiás, é diretor do Centro Acadêmico Sérgio Vieira de Mello e foi diretor da AIESEC em Goiânia. Já trabalhou com refugiados políticos, é apaixonado pela causa e também por Direito Internacional. E-mail: marcelo.gomesri@gmail.com

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