Os 3 eventos marcantes para as Relações Internacionais

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Por Gabriela Cruz*

A atual configuração da ordem internacional é resultado histórico da interação entre os Estados. Para entender nossa contemporaneidade é essencial o estudo dos acontecimentos mais marcantes. Não pretendo aqui descrever todos eles, nem mesmo classificá-los em uma hierarquia de importância, mas sim chamar a atenção para três momentos.

O primeiro grande importante foi a Paz de Vestefália, e surgimento do Estado Soberano, reconhecedor e respeitador da soberania alheia. Em segundo lugar, o movimento conhecido como “Febre Nacional”, que teve início na Europa a partir de 1820, e criou as bases necessárias para o reconhecimento do Estado Nacional. Finalmente, a realização das duas Guerras Mundiais durante o século XX representaram a transição do centro do poder mundial para fora da Europa, em direção à América.

Um elemento essencial no estudo das Relações Internacionais é o princípio da soberania, que teve reconhecimento formal na Paz de Vestefália. Durante a Idade Média, o Sacro Império Romano-Germânico constituía-se de vários Estados, que apesar de possuírem alguma autonomia, eram subordinados ao Imperador e à Igreja. Com o tempo, os poderes do Imperador e do Papa começaram a deteriorar-se, dando lugar às reivindicações de maior autonomia dos diversos Monarcas do Império. Entretanto, o poder de cada monarquia não era reconhecido pelas outras. Essa situação somente foi resolvida após a conclusão da Guerra dos Trinta anos (1618 – 1648), da qual resultou a formalização da soberania do Estado.

Mais adiante na história, após o final das Guerras Napoleônicas e a derrota de Napoleão, ondas de revoluções liberais e nacionalistas surgiram na Europa, ganhando força a partir de 1820. Elas faziam contraposição às tentativas de manutenção do Concerto Europeu (resultante do Congresso de Viena de 1814 – 1815 e defesa do Antigo Regime). Nessa época a burguesia já se tornara classe dominante economicamente, e tinha interesse em maior poderes políticos. Um importante exemplo desse movimento, que se espalhou por todo o continente, foi a Guerra de Independência Grega (1821 – 1829) em relação ao domínio do Império Otomano. Este contexto criou condições para o surgimento do Estado Nacional, que além de soberano, passa a possuir um povo com identidade própria. Por sua vez, a identidade nacional surge como elemento de coesão, composto por característica comum entre os indivíduos de um mesmo país, como a cultura, etnia, língua…

Desde a Paz de Vestefália, o centro do poder mundial era concentrado na Europa. O resto do mundo não tinha relevância significativa nas Relações Internacionais até o início da emancipação das colônias, no século XVIII. Entretanto, esta realidade foi alterada, e os Estados Unidos passaram a ocupar o lugar de potência mundial hegemônica após o término da Guerra Fria. A referida transição foi alcançada após um longo período de desequilíbrio do balanço de poder europeu – consequência de interesses imperialistas – adicionados ao desenvolvimento de Estados não Europeus (EUA, Japão e URSS, por exemplo). Como resultado da fragmentação europeia, eclodiram duas Guerras Mundiais, deixando o continente enfraquecido política e economicamente, e abrindo espaço para disputa de outras potências pela hegemonia (Guerra Fria).

Atualmente, vivemos em um mundo cada vez mais multipolarizado. A configuração de poder atual não é estática, assim como passamos de um mundo centralizado na Europa, para um centralizado na América do Norte, continuamos em constante transformação. Os processos históricos explicam o dinamismo da estrutura e configuração da ordem internacional, entendê-los, portanto, é essencial.


GabrielaGabriela Cruz, Bacharel em Relações Internacionais pelo UniCEUB, e pós-graduanda em Relações Internacionais pelo Clio Internacional. Atualmente trabalha como assessora no Tribunal de Contas do Distrito Federal. Já trabalhou como assistente de negócios internacionais na Apex-Brasil, além de diversos estágios, inclusive no Ministério das Relações Exteriores.

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