Desmatamento: realidade x expectativa

 

MeioAmbiente

Por Arantxa Santos[1]

O processo de redução ou desaparecimento de florestas pode ser definido como deflorestação, desflorestamento ou, como usualmente é conhecimento, desmatamento. Entretanto, o termo também é utilizado para designar áreas que perderam a cobertura vegetal natural, não apenas de florestas.

O desmatamento não é um fenômeno novo, e geralmente é causado pela ação humana pois existem evidências do período pré-histórico que tal fato acontecia em diversas localidades ao redor do mundo, apesar da dificuldade em contabilizar a amplitude da área afetada na época.

Nesse contexto, é importante ressaltar o valor das florestas para o ecossistema do planeta, em especial como fonte dos produtos para a sobrevivência da humanidade como madeira, frutas e conteúdos medicinais, considerando ainda a biodiversidade encontrada. Além do ponto de vista socioeconômico, pelas as pessoas que vivem de atividades ligadas à florestas e dos indígenas em todo o mundo que dependem das florestas para sua subsistência.

Do ponto de vista ambiental, as florestas atuam na preservação e purificação das águas doces, impedindo a erosão do solo, além de produzir grande parte do oxigênio da atmosfera, reciclar o gás carbônico, contribuir para a manutenção do clima e assim colaborando para o equilíbrio ecológico da Terra garantindo o bem-estar do homem.

Dito isso, tornam-se claros os efeitos negativos do desmatamento para o meio ambiente, afetando diretamente e indiretamente a sociedade internacional em diversos setores, desde o biológico até o socioeconômico e o cultural.

O desmatamento é um dos maiores problemas ambientais atuais, sendo tema de debate em reuniões de nível local e internacional, causando preocupação inclusive da Organização das Nações Unidas através das suas agências especializadas, incentivando a pesquisa na área para computar as áreas afetadas e elaborar medidas para controlar ou reverter a situação.

De acordo com relatório da WWF, até 2030 mais de 80% da perda mundial de florestas irá se concentrar em 11 regiões, três delas no Brasil, que são parecidas pela riqueza de biodiversidade. No relatório a expansão agrícola é apontada a principal causa de desmatamento dessas regiões, além da extração não sustentável de madeira.

Por isso, muitos países têm criado estratégias para conter o desmatamento, mas os resultados ainda são pequenos devido à dificuldade em aplicá-las em ocasião dos interesses econômicos e políticos que impedem a inclusão do tema nos planos políticos das nações.

No que se refere ao Brasil, no relatório são citados três biomas brasileiros, Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado, cujas principais ameaças são a apropriação ilegal de terra, a pecuária extensiva, os monocultivos e a extração de madeira de forma descontrolada e sem fiscalização.

Dentro da temática do desmatamento, a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declararam recentemente a ampliação da cooperação no enfrentamento das mudanças climáticas. E entre os comprometimentos brasileiros está a elaboração e implementação de políticas públicas que busquem a eliminação do desmatamento ilegal, com o prazo de 15 anos para a meta do desmatamento zero. Por sua vez, os EUA anunciaram meta a ser alcançada juntamente com o Brasil, atingir em 15 anos, 20% das fontes renováveis na matriz energética, que atualmente é de 13%.

A divulgação do acordo bilateral causou diversas reações por parte dos principais atores internacionais, que em sua maioria encararam como positivo o anúncio feito pelos países, e se comprometeram em adotar medidas para conter o desmatamento, assunto que ressalta a relevância da atuação da Organização das Nações Unidas através das conferências, sendo estas espaços importantes para tratar de questões de âmbito ambiental.


servletrecuperafoto[1] Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade da Amazônia – UNAMA (2013) e com especialização em andamento em Gestão Ambiental pela Faculdade Ideal – FACI. Possui experiência na área de Administração, com ênfase em Comércio Exterior e Turismo, e na área de Relações Internacionais com ênfase em organizações internacionais, atuando principalmente em temas ligados ao meio ambiente.

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