Populismo condensado

 

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Por Lucas Lopes*

O Populismo deve ser compreendido como um fenômeno político o qual determinado líder de uma nação, cujo poder de carisma e empatia com as massas acaba por conquistar o povo, aproximando-os e fortalecendo a relação entre a cúpula do governo executivo e a população. O povo é mais visto como uma massa mais emocional do que racional, buscando-se conseguir apoio baseado na conquista emocional em detrimento da racional.

Como elementos fundamentais desta figura das ciências política e sociais, devemos ter em mente que é necessário: Uma base popular cujos apelos às pessoas pelo governante possam acelerar as mudanças na sociedade e na política com uma participação mais “ativa” entre a cúpula do executivo e o próprio povo (ocorrendo em alguns casos sem a permissão para que se possam se organizar partidos políticos, mas em outros modelos agregadores – como sindicatos); Sem um enquadramento claro se está diante de que lado entre a divisão “Esquerda / Direita”, onde os modelos sociais são propostos e levados a cabo independente de orientação política; Um exacerbado nacionalismo em detrimento do que tem origem no estrangeiro que possa ameaçar o que se acredita ser a liberdade nacional (um certo caráter maniqueísta) e; a existência de um líder que tenha carisma e empatia pelo povo e possa ser alçado à condição de salvador do país ao qual está inserido.

Tendo em vista a definição e caracterização acima descrita, é salutar identifica-los diante de um caso concreto tomando como objeto de breve estudo um dos governos brasileiros do período entre 1945 à 1964 (o chamado período de redemocratização entre o Período Vargas e o Regime Militar). Talvez, dentre os governos do período, um dos mais interessantes seja o do governo do então presidente João Goulart.

O seu mandato foi permeado por conflitos como: lidar com as diferentes políticas econômicas ao Brasil; greves no campo e nas cidades bem como divergências sociais. Ao mesmo tempo em que Goulart buscou ficar mais próximo de setores reformistas e do movimento sindical com o fito de construir alianças, tentou lograr êxito em uma política de contenção dos salários para buscar estabilização. Um dos seus lemas foi o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social que tinha o escopo de reduzir a inflação e estimular o crescimento da economia brasileira para que pudesse renegociar a dívida externa e obtenção de mais empréstimos ao desenvolvimento nacional. Além disso, como ferramentas para se aproximar do povo e garantir o seu apoio deve-se destacar – enquanto elementos com traços populistas – as reformas eleitoral, fiscal, agrária, entre outras (as chamadas Reformas de Base). Apesar de assim conseguir garantir maior empatia das massas, as camadas mais abastardas passaram pressionar e aumentar a oposição diante do seu governo. É tanto que diante das pressões de diversos setores sociais (como a que se deu a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade), seu mandado findou-se com a instauração do regime militar.


Foto - Lucas Macedo* Advogado. Bacharel em Direito pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR (2014). Especializando Lato Sensu em Direito Processual Civil (UNIFOR). Especializando Lato Sensu em Direito e Relações Internacionais (UNIFOR). Especializando Lato Sensu em Relações Internacionais (DAMÁSIO). Especializando Lato Sensu em Estudos Diplomáticos (CEDIN). Membro da Comissão de Direito Internacional da OAB-CE e Membro da Comissão de Direito Marítimo, Portuário, Aeroportuário e Aduaneiro da OAB-CE.

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